País lidera Brics em tecnologia

Estudo da IDC mostra que Brasil investe mais do que outros emergentes, inclusive a China

No ano passado, a subsidiária brasileira da HP resolveu encomendar um estudo sobre o Brasil para a consultoria americana IDC. A idéia era mostrar para a matriz e para clientes internacionais as oportunidades que existiam no País, quando comparado a outros emergentes. "Naquela época, existia uma tremenda discussão se o Brasil fazia sentido, ou se o B dos Brics tinha morrido", diz Denoel Eller, diretor de Marketing e Alianças da HP. "A HP vinha investindo no Brasil, mas menos do que nos outros Brics. Havia uma imagem de que o País não estava crescendo, que tinha violência e instabilidade."
No meio do caminho, enquanto o estudo era feito, a situação mudou. Em 2007, foram vendidos 10,7 milhões de microcomputadores no País, o que tornou o Brasil o quinto maior mercado de PCs do mundo. A expectativa é que ele se torne o terceiro maior até 2010, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Um exemplo da mudança foi o interesse da imprensa internacional em relação ao País.
Neste ano, o atual presidente da subsidiária brasileira, Mário Anseloni, visitou a matriz, nos EUA, e teve de dar uma entrevista coletiva para os americanos. "Eles acabaram surpresos ao saber, por exemplo, que o mercado brasileiro de software e serviços de tecnologia é maior que o de equipamentos", conta Eller.
O estudo da IDC mostrou que, entre os Brics, o Brasil só perde para a China no volume de investimentos em tecnologia. Quando se analisa, porém, o total de investimentos como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil está à frente, sendo o único entre os emergentes com gastos maiores que 2% do PIB. "Isso coloca o Brasil ao lado de países como Japão, França e Alemanha", afirma Roberto Gutierrez, diretor de Consultoria da IDC Brasil.
O mercado de tecnologia no País deve crescer três vezes mais que o PIB nos próximos quatro anos, a maior taxa entre os Brics. O da China, por exemplo, deve aumentar 1,43 vez em relação à economia em geral. O estudo da IDC também mostrou que o Brasil está em uma situação melhor no que diz respeito à estabilidade e à liberdade econômica. Como resultado, a HP conseguiu da matriz a contratação de 800 pessoas para o setor de serviços.
A mudança na imagem do Brasil fez com que a fabricante de computadores Dell nomeasse o brasileiro Fernando Loureiro diretor global de Mercados Emergentes, há cerca de um ano e meio. A divisão não existia e foi criada como uma das cinco iniciativas mundiais da empresa para acelerar o crescimento. O executivo continua sediado no Brasil, de onde comanda a divisão. "Pouquíssimos países receberam destaques em todos os relatórios da Dell nos últimos trimestres, como foi o caso do Brasil", afirma Loureiro.
A situação atual contrasta bastante com o que acontecia há cinco ou seis anos, quando o mercado de PCs era pequeno e dominado pelos chamados fabricantes cinzas, que sonegam impostos e usam peças contrabandeadas. O corte de impostos federais, o câmbio favorável, o avanço do financiamento e a melhora da situação econômica mudaram a situação. "Em 2002, chegamos a pensar em deixar o País", diz o diretor da Dell.
A Dell, que prosperou com um modelo de venda direta de computadores, começou a ir para o varejo, e o mercado brasileiro foi um dos pioneiros no movimento. "Fizemos uma série de ações fortes com varejistas como o Wal-Mart e o Ponto Frio", explica Loureiro.
Outra empresa que recebe reflexos positivos do aumento na venda de PCs é a Microsoft. Em julho, o Brasil ganhou um prêmio da corporação como a melhor subsidiária de países emergentes. A redução do chamado mercado cinza levou a uma queda na pirataria de software, que beneficiou a Microsoft.
Além do crescimento do mercado, a diretora de Marketing e Negócios da companhia, Paula Bellizia, afirma que a Microsoft Brasil tem obtido bons resultados por causa de suas estratégias de aumento dos escritórios regionais, do número de empresas-parceiras e de profissionais treinados em suas tecnologias.
"No último ano, abrimos oito escritórios regionais no Brasil, chegando a 13 escritórios", diz a executiva. "Ainda existe um potencial de crescimento muito grande no Brasil, tanto em tecnologia quanto em educação."

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Lula: 'Não vamos exportar óleo cru'


Presidente diz que reservas do pré-sal servirão para o País exportar derivados premium para EUA e Europa

Em reposta às críticas em torno do uso da camada do pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou ontem que o Brasil não vai exportar óleo cru retirado das novas reservas, mas produtos com valor agregado, como a gasolina premium. O Brasil, disse, vai aproveitar essas reservas para recuperar a indústria naval brasileira e desenvolver outros setores econômicos.

Num discurso inflamado no 18º Congresso Brasileiro de Contabilidade, o presidente afirmou que as novas reservas da camada de pré-sal representam para o País um novo momento de independência. "Queremos produzir com valor agregado. Vamos ter refinarias para produzir gasolina premium para exportar para a Europa e para os Estados Unidos. Não vamos ser exportadores de óleo cru", afirmou o presidente, que foi muito aplaudido.
Lula procurou garantir que os recursos não serão desperdiçados. "Queremos aproveitar esse petróleo para recuperar a indústria naval brasileira", disse. O presidente ressaltou que será preciso produzir sondas para exploração do petróleo, plataformas e 200 navios. Ele citou que uma única sonda de perfuração custa US$ 700 milhões e o Brasil terá de produzir 38 delas.
"Eu não sei quantos barris de petróleo nós temos a sete mil metros de profundidade. Eu só sei que é muito mais do que as reservas atuais que o Brasil tem", disse. Lula adiantou que no próximo dia 2 de setembro fará a primeira extração de petróleo do pré-sal, algo como 10 mil a 15 mil barris, no Espírito Santo. Em março de 2009, será a vez de Tupi.
Otimista e bem-humorado, o presidente disse que a camada do pré-sal vai proporcionar algo fantástico: "Gerar mais garantias à estabilidade econômica do Brasil." Na avaliação dele, "as pessoas" vão olhar com mais respeito para o País, surgirão mais empresas, haverá mais salários e mais emprego.

COMISSÃO
Em Brasília, os ministros que integram a comissão que discute o novo marco regulatório para o petróleo analisaram ontem os modelos de exploração existentes no mundo: concessão, partilha e prestação de serviços. Eles ouviram exposições sobre cada um desses modelos, sem tomar decisões. Segundo um participante da reunião, haverá mais um ou dois encontros meramente informativos, como o de ontem. A partir da semana que vem, a comissão começará a elaborar a proposta que será apresentada ao presidente Lula até próximo dia 19.
Não foi discutida a hipótese de o governo desapropriar áreas de exploração de petróleo vizinhas ao pré-sal, já concedidas à Petrobrás.
O tema veio à tona depois que o jornal O Globo publicou entrevista com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitindo a possibilidade de desapropriação, mediante indenização. Ao Estado, o ministro afirmou que ocorrera um mal-entendido, pois estaria falando de modelos existentes no mundo, e não em decisões do governo. Ele frisou que o País tem tradição em honrar contratos.
Embora os integrantes da comissão não tenham batido o martelo sobre nenhum modelo, especula-se nos bastidores que a opção preferida para o petróleo do pré-sal é o de partilha da produção. Nesse modelo, uma parte do petróleo produzido fica com o governo.  

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Brasil terá R$2,4 tri em investimentos

Petróleo e mineração lideram previsões até 2011. Valor não inclui pré-sal

BRASÍLIA. O Brasil receberá R$2,4 trilhões em novos investimentos no período de 2008 a 2011, dos quais já estão mapeados R$1,5 trilhão. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, na abertura da reunião ampliada do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), comandada pelo presidente Lula com a participação do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

O banco receberá já nos próximos dias uma injeção extra de R$21 bilhões para fazer frente a projetos de infra-estrutura que tem em carteira. Ficou acertado ontem, durante reunião entre o presidente Lula, o ministro de Relações Instituições, José Múcio Monteiro, e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a edição de uma medida provisória - que deverá ser publicada no Diário Oficial da União de hoje - prevendo a capitalização do BNDES em R$15 bilhões. Os recursos virão do Tesouro Nacional.

Os detalhes dessa operação (se haverá custos para o banco, por exemplo) não foram divulgados. Os R$6 bilhões restantes serão repassados ao BNDES pelo FGTS em papéis CVS - que pertencem ao Tesouro e são originários do extinto Fundo de Compensações das Variações Salariais (FCVS).

Durante o anúncio dos investimentos para o Brasil nos próximos três anos, Luciano Coutinho se mostrou satisfeito com a confiança de investidores estrangeiros no país.

- Em um ano de turbulência internacional, as decisões de investimentos no Brasil nem tremeram - disse, aplaudido pelos conselheiros.

Os setores de petróleo e mineração lideram o ranking de investimentos previstos para o período com , respectivamente, R$269,7 bilhões e R$80,2 bilhões. O montante anunciado pelo presidente do BNDES, entretanto, não inclui a camada do pré-sal, o que indica que o valor pode ser ainda mais elevado. Coutinho informou que o banco está estudando todas as cadeias que serão afetadas, para garantir o fornecimento de equipamentos e matérias-primas necessários para a exploração.

Lula: país consolidou seu crescimento econômico

Ele também afirmou que o impacto da exploração da nova camada deve ser enorme para diversas cadeias produtivas.

- Praticamente apenas os coreanos dominam a tecnologia do navio-sonda. Estamos dissecando um deles para tentarmos aprender como se faz.

A estimativa para a categoria indústria e serviços é de R$627,1 bilhões e, em infra-estrutura, a projeção é de R$304,6 bilhões. A construção de moradias deve contar com R$534,9 bilhões e a agropecuária, com R$45,1 bilhões.

- Os investimentos têm crescido consistentemente: cerca de duas vezes e meia o crescimento do PIB e em ascensão. Isso é muito importante - disse Coutinho, reafirmando a meta do governo de levar a taxa de investimento em relação ao PIB a 21% em 2010. - Mas não vamos subir no salto alto.

O presidente Lula fez um discurso exaltando a capacidade de investimento do país e, ao mesmo tempo, procurando agradar os dois principais atores do processo de alavancagem da economia brasileira: a Petrobras e a Vale.

Ele ainda afirmou que o país consolidou seu crescimento econômico e que essa situação deve ser reforçada.

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 Brasil agora voa "como águia", afirma Lula

A 38 dias das eleições municipais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu ontem evento no Planalto para ressaltar os feitos de sua gestão e atrair holofotes para dados positivos da economia sob o seu mandato.
A uma platéia de empresários, acadêmicos e políticos, Lula disse que a expansão em curso dos investimentos sacudiu "duas décadas e meia de letargia". E se disse convencido de que todos sairiam dali certos de que o crescimento do Brasil não é um "vôo de galinha". "É, na verdade, uma águia que descobriu que pode voar mais alto do que estava acostumada."
Lula convocou reunião "ampliada" do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que tem 87 integrantes da sociedade civil e 13 ministros. Ontem, foram distribuídos 414 convites.
Antes de Lula, falaram os presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Lula falou por 43 minutos. Explicou, logo de início, que os "anúncios" feitos pelos palestrantes anteriores "não costumam ter grande destaque no noticiário" -daí a necessidade de fazer o evento.
O discurso foi permeado de metáforas e tentativas de construir frases de efeito. Num dos trechos, disse que, "na longa travessia do deserto da estagnação, talvez as mazelas econômicas não tenham sido as mais difíceis de vencer". "Piores foram os grilhões do pensamento esterilizante, os gargalos do preconceito e as armadilhas montadas contra a auto-estima nacional", afirmou.
Lula disse ter dado à comissão do pré-sal três orientações. Não fazer do Brasil mero exportador de óleo cru, promover benefícios aos brasileiros a partir das reservas e ter cautela. "Não é porque tiramos um bilhete premiado que vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando o que ainda não temos."

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 País crescerá mais de 5% neste ano, avalia governo

 O governo espera que o PIB (soma das riquezas produzidas no país) cresça mais de 5% neste ano e considera um número "conservador" uma taxa de 4,5% para 2009, informa Sheila D 'Amorim, em reportagem publicada nesta sexta-feira na Folha.

As projeções já embutem a expectativa de pelo menos mais duas altas de juros até o final deste ano. O Planalto, no entanto, acredita que o aperto monetário não será suficiente para abortar o ciclo de crescimento, apoiado no consumo interno forte, no incremento do volume de crédito e, principalmente, no aumento expressivo do volume de investimentos.

O "otimismo" do governo contrasta com as projeções do mercado financeiro, que estima um crescimento de somente 3,65% para 2009. O governo conta com os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que deve deslanchar em 2009 e com a "inércia" do crescimento em 2007 e deste ano para superar as expectativas.

Mesmo contando com um aquecimento da economia, o Planalto não teme um descontrole da inflação e espera que os índices de preços convirjam para a meta de 4,5% (medida pelo IPCA) no ano que vem. A maioria dos economistas do setor financeiro projeta um IPCA de 6,44% para este ano e de 5% para 2009.  

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Lula diz que Brasil vive o melhor momento dos últimos 40 anos

Agora, presidente diz que desafio é permitir que o crescimento continue, mas sem a volta da inflação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 31, em discurso em Santo André que o Brasil vive hoje o melhor momento dos últimos 40 anos. Ele comemorou a criação de 1,6 milhão de empregos de janeiro a julho deste ano e 10 milhões de postos de trabalho ao longo de seu mandato. "Agora, disse, o desafio é permitir que a economia continue crescendo sem a volta da inflação".
 
Acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, do deputado federal Vicentinho, o presidente Lula participou hoje do comício de campanha do candidato petista à prefeitura de Santo André, Vandelei Siraque.
 
O presidente Lula afirmou que a inflação é a pior coisa para o trabalhador e lembrou de seus tempos de metalúrgico quando a inflação era de 40% ao mês e ele tinha que "fazer estoque de comida embaixo da cama". Em relação à alta de preços das commodities no mercado internacional, o presidente destacou como positivo o aumento do consumo na China e na India, "que abrem oportunidade para o Brasil, que têm as melhores condições do mundo para produzir alimentos".
 
Em seu discurso, o presidente Lula afirmou que o Brasil vive uma situação mágica, ao comentar a descoberta, pela Petrobras, de petróleo na camada do pré-sal da costa brasileira. Ele comemorou o fato de o Brasil ter atingido a auto-suficiência em petróleo 53 anos após a criação da Petrobras. "Deus cuida de todos países, mas parece que revolveu morar no Brasil", disse.
 
Na opinião do presidente, o Brasil tem tecnologia para explorar petróleo a 7 mil metros de profundidade, que participa na próxima segunda-feira, em Vitória (ES), da cerimônia de extração do primeiro óleo da camada do pré-sal e visita a plataforma P-34, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos. Em relação às discussões entre os governadores sobre a distribuição de royalties, o presidente disse que "o petróleo não é de nenhum Estado, já que as reservas estão a 300 quilômetros da costa. Ele reafirmou que irá utilizar os recursos para realizar dois compromissos, que são acabar com a pobreza e investir em educação.  

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Balança registra superávit de US$ 2,2 bilhões em agosto

 

Exportações somaram US$ 19,747 bilhões e importações US$ 17,478 bilhões

A balança comercial brasileira, no mês de agosto de 2008, registrou exportações de US$ 19,747 bilhões (média diária de US$ 940,3 milhões) - segundo maior resultado mensal da história - e importações de US$ 17,478 bilhões (média diária US$ US$ 832,3 milhões) - valor e média recordes. Esses desempenhos resultaram num superávit comercial (diferença entre as exportações e as importações) de US$ 2,269 bilhões (média diária de US$ 108 milhões) e numa corrente de comércio (soma das exportações com as importações) de US$ 37,225 bilhões, número também recorde para meses de agosto.

Exportação

Pelo critério da média diária, o valor das exportações brasileiras nos 21 dias úteis de agosto de 2008 ficou 43,2% acima do apresentado no mesmo mês do ano passado (US$ 656,5 milhões) e 5,8% superior ao desempenho médio diário registrado em julho de 2008 (889,2 milhões). As exportações nos meses de agosto de 2007 (23 dias úteis) e de julho de 2008 (23 dias úteis) totalizaram US$ 15,100 bilhões e US$ 20,451 bilhões respectivamente.

No mês, as exportações de manufaturados (US$ 8,286 bilhões), básicos (US$ 8,183 bilhões) e semimanufaturados (US$ 2,789 bilhões) apresentaram recordes para meses de agosto.

Em relação a agosto de 2007, as vendas internacionais de básicos cresceram 74,8%, principalmente minério de cobre (+224,1%), petróleo em bruto (+144,1%), minério de ferro (+110,1%), soja em grão (+75,1%), carne de frango (+69 %), carne bovina (+49,3%), café em grão (+30,7%), carne suína (+29,4%) e farelo de soja (+23,5%). Os semimanufaturados apresentaram incremento de 49% em função de semimanufaturados de ferro e aço (+231,7%), ferro fundido (+153,4%), ferro-ligas (+76,3%), óleo de soja em bruto (+55,2%), açúcar em bruto (+29,3%), alumínio em bruto (+22,2%) e celulose (+20,5%). Já os manufaturados aumentaram 19,6%, com destaque para gasolina (+121,4%), álcool etílico (+94,1%), óxidos e hidróxidos de alumínio (+74,2%), tratores (+48,2%), aviões (+35,8%), motores e geradores (+31,2%), aparelhos celulares (+24,5%), autopeças (+19,2%), automóveis de passageiros (+16,1%) e motores para veículos (+15,5%).

Importação

As importações brasileiras, no mês de agosto de 2008, cresceram 65,6% em relação à média diária apresentada em agosto de 2007 (US$ 502,6 milhões) e 11,6% na comparação com a média diária registrada no mês de julho de 2008 (US$ 745,6 milhões). Os desembarques internacionais somaram US$ 11,559 bilhões em agosto do ano passado e US$ 17,148 bilhões em julho de 2008.

Em agosto, as importações de todas as categorias de produtos cresceram em relação a agosto de 2007: combustíveis e lubrificantes (+132,6%), bens de capital (+104,4%), bens de consumo (+52%) e matérias-primas e intermediários (+49,7%).

Entre os combustíveis e lubrificantes, a elevação ocorreu pelo aumento dos gastos com petróleo, óleos combustíveis e gás natural, em razão, principalmente, da elevação dos preços internacionais em relação a agosto de 2007.

Com relação a bens de capital, os maiores itens importados foram maquinaria industrial, máquinas e aparelhos para escritório e científico e partes e peças para bens de capital.

No segmento de bens de consumo, os principais crescimentos foram observados nas importações de automóveis de passageiros, com aumento de 64,5% dos produtos originários da Argentina, Alemanha e México, produtos farmacêuticos, produtos alimentícios, objetos de adorno, máquinas e aparelhos para uso doméstico, partes e peças para bens de consumo duráveis e vestuário e confecções.

Entre as matérias-primas e intermediários, elevaram-se as aquisições de produtos químicos e farmacêuticos, produtos minerais, matérias-primas para agricultura, acessórios de equipamentos de transporte, partes e peças de produtos intermediários, produtos agropecuários não-alimentícios e produtos alimentícios primários.

Quinta semana de agosto

Entre os dias 25 e 31 de agosto de 2008 (quinta semana do mês), as exportações somaram US$ 4,823 bilhões (média diária de US$ 964,6 milhões) e as importações US$ 3,833 bilhões (média diária de US$ 766,6 milhões), resultando em um saldo superavitário de US$ 990 milhões e uma corrente de comércio de US$ 8,656 bilhões.

Ano

De janeiro a agosto de 2008 (167 dias úteis), o saldo comercial brasileiro acumulou US$ 16,907 bilhões (média diária de US$ 101,2 milhões). Pela média diária, o superávit comercial ficou 37,7% menor que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 162,5 milhões).

Nos oito meses, foram registradas exportações de US$ 130,843 bilhões, com média diária de US$ 783,5 milhões, um incremento de 29,3% sobre o desempenho médio diário das vendas internacionais no mesmo período de 2007 (US$ 598,2 milhões).

Na mesma comparação, observou-se um crescimento de 53,8% nas importações brasileiras, que saíram de uma média diária de US$ 443,6 milhões de janeiro a agosto de 2007 para US$ 682,3 milhões no mesmo período de 2008. As importações no ano somaram US$ 113,936 bilhões.

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Avança internacionalização da economia brasileira

A decisão da Gerdau, a maior siderúrgica brasileira, de aumentar em mais de seis vezes a capacidade de produção de aço da Siderperú, produtora de aço peruana comprada pela companhia brasileira em 2006, é uma etapa relevante da internacionalização da economia brasileira. Vale notar que a Gerdau tem uma proposta de expansão da Siderperú bastante acelerada. Na primeira etapa, a produção será elevada das atuais 450 mil toneladas para 1,5 milhão de toneladas até 2011. A pretensão é atingir 3 milhões de toneladas métricas até 2013.
A execução dessa proposta demandará investimento de US$ 1,4 bilhão, utilizado na compra, construção e instalação de novos equipamentos de produção. Esses aportes também devem atender a necessidades logísticas, tanto de infra-estrutura como de energia, e até um porto de abastecimento está previsto no projeto. Desde a compra da Siderperú, a Gerdau já investiu US$ 122 milhões para modernizar o complexo siderúrgico, seguindo o cronograma de compromissos assumidos com o governo peruano. Preocupações ambientais também fazem parte desses investimentos e US$ 40 milhões já foram alocados, desde o ano passado, em estruturas de proteção de água e solo.
A Gerdau tem um alvo estratégico nessa decisão que, de certa forma, resume o processo de internacionalização da economia brasileira. A direção da empresa insiste em que o Peru é "país estratégico" por ser um mercado com grande potencial de desenvolvimento. Na perspectiva da empresa, o investimento na siderúrgica peruana permitirá o aumento da exportação para a América Latina e Ásia. Sem esquecer que os novos níveis de produção previstos devem gerar auto-suficiência em aço para o país. Hoje o Peru importa metade do aço que consome, apesar de sua produção doméstica já atingir 400 mil toneladas anuais. A compra da Siderperú, por meio da compra de 84% de suas ações há dois anos, já representou investimentos de US$ 203 milhões.
O exemplo da Gerdau representa bem o processo de internacionalização da economia brasileira. Essa empresa tem fábricas próprias na Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Uruguai, México, República Dominicana e Peru, além de siderurgias em sistema de parceria na Europa e Ásia. A empresa anunciou também neste ano relevantes ampliações de produção na Índia e na América Central. Merece atenção que as operações da empresa no Brasil representaram, em 2007, apenas 35% da receita bruta. E este não é um caso isolado. Em dezembro passado, relatório do The Boston Consulting Group mostrou os efeitos das agressivas estratégias de investimento de empresas brasileiras no cenário econômico internacional, quando apontou que entre as 100 companhias que mais se destacaram em países de rápido desenvolvimento, 13 delas eram brasileiras.
A China é o país, segundo esta pesquisa, com maior presença internacional, com 41 empresas, seguido da Índia, com 20, do Brasil, com 13, do México, com 7, e da Rússia, com 6. Essas empresas apresentaram um crescimento médio de 35,4% entre 2002 e 2007 , bem superior ao crescimento médio do conjunto das empresas dos mercados emergentes, que foi de 24,3%. Apenas como comparação, a consultoria internacional mencionou que as empresas tradicionais que compõem o S&P 500 (as 500 companhias com ações de maior valor e liquidez selecionadas pela Standard & Poors) alcançaram crescimento médio, no mesmo período, de apenas 7,5%.
É fato que o processo de internacionalização convive com riscos. A Sinderperú está localizada em Chimbote, uma cidade a pouco mais de 400 quilômetros ao norte de Lima e 80% de suas vendas são de aços longos e 20% de planos, que atendem às especificidades da demanda doméstica. O Peru é uma economia que seguiu na última década o modelo chileno de abertura da economia, mas ainda não conseguiu atender a uma imensa dívida social, em especial quanto à forte pobreza registrada no sul do país. A hipótese de adoção de outros modelos, como o de um de nacionalismo radical, existe. Aliás, a última eleição presidencial mostrou isso. A siderúrgica brasileira, no entanto, preferiu apostar no processo de consolidação e aproximação com o modelo oferecido pela economia brasileira. É a opção correta. E a melhor confirmação do acerto dessa escolha está no fato de que a Gerdau, no primeiro semestre, alcançou um crescimento de faturamento bruto de 35,2, em relação ao mesmo período do ano passado. A decisão da Gerdau de internacionalizar sua produção e mercado está na origem dessa expansão de faturamento.

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Jornal Financial Times elege o presidente da Apex-Brasil Personalidade do Ano de 2008/América Latina

 

O jornal inglês Financial Times nomeou o brasileiro Alessandro Teixeira, presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Exportações e Investimentos) e da Waipa (Associação Mundial das Agência de Promoção de Investimentos), personalidade do Ano de 2008 - América Latina. Matéria especial da publicação destaca o Brasil como um país que consolidou sua posição como o principal destino para investimentos em 2007 dentre os países da América Latina, com um salto de 84% em IED.

"Com 34 anos de idade, o perfil de Alessandro Teixeira está muito mais alinhado com a economia jovem e dinâmica que ele representa para o mundo" afirma o jornal que, anualmente, reconhece líderes considerados inovadores nas áreas de negócios e política em seis regiões - África, Ásia, Europa, América Latina, Oriente Médio e América do Norte.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi destacado pela publicação como Personalidade do Ano em 2004. Ano passado o vencedor para a região da América Latina foi o prefeito de Medelin (Colômbia), Sergio Fajardo Valderrama.

No encarte especial que o Financial Times publica esta semana Alessandro Teixeira é citado, principalmente, por ter assumido recentemente a presidência da Waipa: "Talvez seja apropriado que o presidente da Waipa seja representante de uma das economia emergentes centrais do mundo". Ressalta ainda que do total de US$ 106 bilhões em investimentos recebidos pela América Latina em 2007, a participação do Brasil foi de US$ 34,6 bilhões, fazendo com que este seja considerado o período mais significante em crescimento de IED para o país.

Apex-Brasil é a agência brasileira para promoção das exportações e desenvolve projetos com mais de 70 setores da economia. Tais projetos focam tanto as exportações de produtos e serviços do Brasil, quanto a busca por investimentos para o país. A Waipa, com sede em Genebra, representa 156 países dos cinco

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Faturamento da indústria sobe 9% e bate novo recorde no ano, diz CNI

 

O faturamento da indústria brasileira manteve o patamar recorde de crescimento nos sete primeiros meses do ano. Segundo a pesquisa mensal do setor realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), entre janeiro e julho, houve uma expansão de 9%, acima dos 8,4% registrados até junho.

Esse é o melhor resultado da série histórica da confederação, iniciada em 2003.

O faturamento do setor registrou crescimento em julho em todas as comparações. Cresceu 13,2% em relação a julho do ano passado (melhor resultado desde agosto de 2004) e 3,2% na comparação com junho deste ano (dado sujeito à influência sazonal). No dado mensal dessazonalizado, o crescimento foi de 0,2%.

O setor automotivo respondeu sozinho por 31% do aumento no faturamento neste ano. Outros dois setores juntos, máquinas e equipamentos e refino de álcool, representaram cerca de outros 30%.

O uso da capacidade instalada da indústria alcançou o patamar recorde de 83,5% em julho, o maior da série da CNI. No mês passado, estava em 83,3%.

Emprego

O emprego na indústria cresceu 0,6% em relação a junho e 4,4% na comparação anual. No ano, houve avanço também de 4,4%.

As horas trabalhadas na indústria cresceram 7,2% em relação a julho do ano passado e 2,7% na comparação com junho. Em sete meses, houve avanço de 6,1%.

A massa salarial cresceu 5,7% em 12 meses e 5,6% no ano. Na comparação com junho, o aumento foi de 3,5%.

"Não tem nenhum sinal negativo nessa tela', afirmou o economista da CNI Flávio Castelo Branco, ao apresentar o quadro com os resultados da pesquisa. 'A atividade industrial começa esse segundo semestre com ritmo bastante intenso.'

Base elevada

Na média, o faturamento de 2008 é 7,3% superior ao resultado de todo o ano de 2007.

A CNI destaca que o crescimento deste ano se dá sobre uma base já elevada, devido ao bom desempenho do ano passado, quando já houve um crescimento de 5,3% em sete meses.

Segundo a entidade, o "comportamento usual" nesse cenário seria de uma acomodação em julho.

Pessimismo

O economista da CNI Paulo Mol afirmou que as previsões feitas anteriormente pela entidade para o crescimento da indústria neste ano foram mais pessimistas do que o resultado observado até agora. A CNI previa desaceleração a partir de julho.

Ele afirmou, no entanto, que o aumento das taxas de juros deve provocar uma desaceleração desse ritmo de crescimento em algum momento.

"Não podemos desconsiderar que está em curso um processo de elevação das taxas de juros. Em algum momento, no futuro, a tendência é que a indústria continue a crescer, mas em ritmo menor", afirmou Mol.

Segundo a CNI, os números apresentados hoje confirmam os dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostraram um aumento de 6,6% na produção industrial no ano.

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Petrobrás já fala em uma sexta refinaria no País

O novo planejamento estratégico da Petrobrás deve incluir a construção de mais uma refinaria, além das cinco já projetadas. O objetivo é processar o petróleo das descobertas do pré-sal, não contempladas no planejamento atual. O novo plano de investimentos, que terá como horizonte o ano de 2020, será anunciado em outubro com "aumento substancial" no volume de investimentos, segundo o diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa.
"Talvez tenha mais uma (refinaria), mas deve ficar para o final do período do planejamento estratégico", disse. A estatal tem cinco projetos que ampliarão em 1,3 milhão de barris/dia a capacidade nacional de refino, hoje de 1,9 milhão de barris/dia. A ampliação cobre as projeções atuais de produção, sem o pré-sal, que chegam a algo entre 3,2 milhões e 3,5 milhões de barris/dia em 2015.
Costa, que ontem participou do evento World Refining and Fuels, não deu detalhes sobre a nova refinaria. Mas já é de conhecimento o desejo do governo de evitar a exportação de petróleo cru.
Dos projetos atuais, a ampliação da unidade de refino do Rio Grande do Norte, que passará a produzir gasolina, será o primeiro a entrar em operação, em 2010. Um ano depois, virá a Refinaria de Pernambuco, com capacidade para 200 mil barris. Em 2013, será a vez do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que transformará 150 mil barris de óleo em produtos petroquímicos. As refinarias Premium do Ceará (300 mil barris) e Maranhão (600 mil barris) iniciarão operações de 2013 a 2016.
Costa afirmou que o início da produção no pré-sal em Jubarte tem importância semelhante ao início da produção com plataformas flutuantes na Bacia de Campos, nos anos 80. "Aquele projeto deu as bases para a descoberta das águas profundas da Bacia de Campos. Não tínhamos idéia de que descobriríamos campos gigantes como Marlim."

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Brasil já possui 220 mil milionários, diz pesquisa

 

O Brasil está entre os países em que o número de milionários mais cresce. Estimativas do BCG (The Boston Consulting) indicam que 220 mil brasileiros detêm, juntos, US$ 1,2 trilhão aplicado no mercado financeiro. Para fazer parte desse time, é preciso ter investido pelo menos US$ 1 milhão. Há dois anos, os brasileiros formavam grupo de 130 mil integrantes com US$ 1,1 trilhão.

No ano passado, o Brasil chamou a atenção dos pesquisadores do BCG, que registraram um acréscimo de 60 mil novos participantes, aumentando a lista nacional de milionários para 190 mil. Por isso, uma equipe do BCG veio ao país especialmente para fazer um levantamento local.

O estudo ainda não foi publicado, mas estima-se que os números deverão acompanhar o crescimento registrado nos anos anteriores, em torno de 16%.

Segundo o relatório, divulgado ontem nos Estados Unidos, as fortunas mundiais, incluindo as dos brasileiros, cresceram 3% menos que o esperado devido à crise financeira nos EUA. Mas os números indicam que esses afortunados tornaram-se ainda mais ricos.

A soma de suas riquezas atingiu a marca de US$ 109,5 trilhões, uma alta de 4,9% em relação ao ano passado.

Os milionários da América do Norte (EUA e Canadá) lideram essa lista, com US$ 39,2 trilhões; seguidos pela Europa, com US$ 38,3 trilhões; Ásia (considerando o Japão), com US$ 25,6 trilhões; Oriente Médio e África, com US$ 3,4 trilhões; e América Latina, com US$ 3,1 trilhões.

Isoladamente, os EUA são os líderes mundiais, com 4,9 milhões de pessoas com mais de US$ 1 milhão. Desse total, 674 mil têm mais de US$ 5 milhões. Na Ásia, 900 mil japoneses detêm metade da fortuna da região. Desses, 71 mil têm mais de US$ 5 milhões.

Na América Latina, não é diferente. Os brasileiros mais ricos detêm 37% das fortunas da região. Os mexicanos vêm em seguida, com 23%, o equivalente a US$ 714 bilhões.

O que explica o aumento acelerado das riquezas no Brasil foi o grande número de IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) nos últimos dois anos.

Segundo o BCG, a maior parte das empresas que abriram o capital pertencia a grupos familiares que, rapidamente, transformaram parte de suas empresas em dinheiro vivo para investir. Os negócios que mais fizeram milionários estão ligados a agropecuária, petróleo e minérios.

No rastro desse crescimento, o mercado de luxo no país cresce 17% ao ano, descontando a inflação, o que significa ritmo três vezes superior ao da economia do país. A expansão vem se mantendo nos últimos quatro anos e, segundo estudos internacionais, seguirá até 2013.

A fila de milionários aguardando artigos sofisticados, que vão de bolsas e sapatos, passando por jóias e aviões executivos, já chega a 18 meses em alguns casos. Bancos nacionais e estrangeiros que atendem essa classe já lucram mais que as instituições similares que atuam com os milionários nos EUA, na Europa e no Japão.

 

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Brasil é 'foco de estabilidade'  

Em meio a uma nova turbulência na economia internacional, o Brasil tornou-se um "foco de estabilidade" no mundo, avaliou ontem o diretor do Banco Mundial (Bird) para o Brasil, John Briscoe. Embora tenha citado desafios nas áreas de educação, tributação e gastos públicos, ele destacou que o empenho em cumprir metas fiscais e a continuidade da política econômica em diferentes governos fizeram com que o país ficasse menos suscetível a crises externas.

- Quem poderia imaginar, há dez anos, que o mundo estaria em crise e, por enquanto, tudo bem no Brasil. Antes, o primeiro que pegava uma pneumonia era o Brasil - disse o diretor do Bird, que participou de um fórum promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no BNDES.

A decisão, quinta-feira, do Banco Central Europeu (BCE) de manter inalterada sua taxa básica de juros em um momento de menor expansão econômica foi recebida com preocupação por João Paulo dos Reis Velloso, ex-ministro do Planejamento. Ele afirmou que o BCE comete o mesmo erro do Federal Reserve (Fed, banco central americano) em 1929, que transformou a recessão dos EUA em depressão:

- No meio de uma recessão, seria um pouco difícil a inflação subir, como acredita o Banco Central Europeu.

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Matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo
 
De toda energia consumida no país, 46,4% são de fontes renováveis

O Brasil foi menos afetado pela recente alta do petróleo que a maior parte de seus vizinhos. Resultado da combinação entre matriz energética limpa e auto-suficiência em petróleo. De acordo com Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento nacional do setor, 46,4% de toda energia produzida no país vêm de fontes renováveis. A média mundial é de 13%.

- O Brasil tem hoje uma das matrizes mais renováveis do mundo. Nossos estudos indicam que vamos manter a proporção de quase 50% de renováveis até 2030 - diz Tolmasquim.


Já a participação de petróleo e derivados na matriz energética brasileira está caindo. Passou de 37,8% em 2006 para 36,7% em 2007. A projeção para 2030 é de 29%. O espaço dos combustíveis fósseis vem sendo tomado em parte pela cana-de-açúcar (álcool e bagaço), que já representa 16% da matriz, a segunda maior fonte de geração de energia do Brasil depois do petróleo. Em 2030, o percentual alcançar 18%.

O avanço da cana deve-se principalmente ao mercado de combustíveis, herança do Proálcool, programa dos anos 70 que incentivou o uso do etanol para reduzir a dependência das importações de petróleo. Hoje, a gasolina distribuída nos postos tem uma mistura de 25% de álcool. E mais de 70% da produção de automóveis no país são do tipo flex fuel que podem rodar com gasolina ou álcool. Já são cerca de 6 milhões de unidades no país, desde que o modelo foi introduzido em 2003.

A auto-suficiência em petróleo - conquistada em 2006 - aliada à política de preços dos combustíveis da Petrobras, que não repassa a todo instante a volatilidade das cotações internacionais, fizeram com que os consumidores brasileiros não sentiram a disparada de preços do petróleo ocorrida no início do ano, nem agora a sua queda.

O ponto fraco é o gás natural pois depende 50% das importações. Petrobras está investindo US$18,2 bilhões até 2012 para reduzir a dependência.

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Crescimento do PIB vem forte no trimestre

 

Os tambores já foram preparados pelo governo. Se as estimativas dos analistas estiverem corretas, na próxima quarta-feira, dia 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dará mais uma demonstração do forte ritmo de crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescido entre 5,5% e 5,9% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano passado, e entre 1% e 1,5% na comparação com os primeiros três meses de 2008. São números que, na visão do Ministério da Fazenda e de boa parte do mercado, vão garantir um avanço total do PIB anual de 5% e consolidar um novo patamar de crescimento do Brasil.

Pelas contas do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, a melhor notícia que o IBGE dará é que o crescimento foi puxado pelos investimentos produtivos. As apostas são de que a chamada Formação Bruta da Capital Fixo (FBCF) tenha aumentado entre 12,5% e 17%, reforçando a confiança do empresariado de que vale a pena ampliar as fábricas pois haverá consumidores suficientes mais à frente para absorver as mercadorias que serão colocadas no mercado. Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os investimentos aumentaram 16,6% entre abril e junho, taxa que, se confirmada, será a maior da série histórica do IBGE. Os desembolsos, segundo ele, foram puxados pela construção civil, que, finalmente, começou a reagir.

Na avaliação de Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING, o consumo das famílias também fará a diferença no cálculo do PIB. Mesmo com a alta da inflação, que tirou um pouco da renda das famílias menos abastadas, e da elevação dos juros, iniciada em abril, o crescimento será forte, próximo de 5% na comparação do segundo trimestre com igual período de 2007. Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB, acredita em um número mais próximo de 6%, devido o crédito farto. Já Sérgio Vale crava expansão de 6,2%. A grande dúvida, do lado da demanda, está no consumo do governo, que se mostrou tão forte entre janeiro e março, suscitando o debate sobre os exageros nos gastos públicos.

Para Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento, o resultado do PIB só não será melhor por causa do "vazamento externo?. Ele é representado pelo crescimento maior das importações frente as exportações. Os cálculos dos analistas indicam que o "desconto? no PIB será entre 2% e 2,5%. Mas que fique bem claro: as importações têm sido importantíssimas, pois o grosso delas representa máquinas e equipamentos, que, futuramente, vão permitir maior produção pelas indústrias, ajudando o Banco Central na difícil tarefa de equilibrar demanda e oferta, hoje a principal preocupação quando se fala de inflação e de alta da taxa de juros.

Na opinião de Cristiano Souza, economista do Banco Real, o relevante é que o Brasil ampliou o potencial de crescimento, apoiado em sólidos alicerces como o câmbio flutuante, as metas de inflação e o superávit primário. "Isso consolida a estabilização e dá maior previsibilidade à economia?, acrescenta. Ou seja, as empresas têm um horizonte longo e tranqüilo para investir e as pessoas físicas, segurança em relação ao emprego e à renda para consumir. "São conquistas das quais não podemos abrir mão.?

Ele admite, porém, que o Brasil está longe de registrar as médias anuais de crescimento que se viu nos anos 1960 e 1970, de 5,9% e de 8,6%, respectivamente. Mas está bem melhor do que nas chamadas décadas perdidas, os anos 1980 e 1990, quando o país patinou. Para Souza, mesmo que, em 2009, o PIB brasileiro cresça mais próximo dos 3%, por causa do aumento dos juros e dos efeitos da crise internacional, a robustez da economia veio para ficar.

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País receberá investimentos de R$ 1,4 tri até 2012, diz Lula

 

Em discurso em evento em Pernambuco, presidente diz que 'Brasil vive o seu mais extraordinário momento'

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 5, que o Brasil receberá investimentos de R$ 1,4 trilhão até 2012 em projetos já contratados e compromissados. "O Brasil vive o seu mais extraordinário momento", discursou o presidente, durante a cerimônia de corte do aço do primeiro navio a ser construído pelo estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE). Segundo Lula, esse montante foi calculado após uma reunião realizada semana passada com empresários no Palácio do Planalto, em Brasília. "Fizemos uma radiografia do que vai acontecer com o Brasil", disse.
 

O discurso de que o Brasil vive um novo momento foi a tônica da fala do presidente para uma platéia composta por trabalhadores do estaleiro, empresários, políticos locais, ministros e executivos da Petrobras. "O que estamos provando a este País é que nós não temos o direito de jogar nenhuma oportunidade fora e de não aproveitar o potencial extraordinário que o brasileiro tem", afirmou o presidente. "Começamos a pensar no Brasil", acrescentou.
 
Segundo o presidente, o Brasil colhe hoje os resultados da política executada desde 2003, quando teve que fazer um "sacrifício para ajustar o País", admitiu Lula. "Nunca o Brasil gerou essa quantidade de empregos. Certamente chegaremos a dois milhões de empregos com carteira assinada", disse.
 
Pré-sal
 
Em diversos momentos do discurso, Lula citou as reservas do pré-sal como uma esperança de riqueza futura para o Brasil e que se considera um presidente de sorte por tudo isso estar ocorrendo agora. "Deus estava viajando e parou por aqui. Por isso que digo que ainda faltam dois anos e quatro meses para terminar o meu mandato. Daqui até 2010, iremos colher os frutos do que foi plantado", disse.
 
O presidente voltou a defender que a estratégia de exploração das reservas não se paute pela exportação do óleo cru. "Não vamos exportar óleo cru do pré-sal para gerar riqueza em outro país. Vamos exportar só produto refinado", disse. De acordo com Lula, o Brasil não deve reproduzir o que faz hoje o México, que exporta óleo cru para os Estados Unidos e importa gasolina do mercado americano.
 
Navios
 
Ele admitiu que, para a Petrobras, a compra dos navios no mercado nacional não foi tão vantajosa do se que encomendasse as instalações no mercado internacional. "Se a Petrobras comprasse a plataforma na Noruega e na Coréia do Sul, poderia economizar US$ 100 milhões. A empresa está compreendendo que deixou de ganhar esse valor, mas está gerando emprego, renda e consumo. O que esses trabalhadores estão gastando no comércio e o que o estaleiro está comprando de matéria-prima valeu muito mais do que os US$ 100 milhões", afirmou.
 
O presidente mencionou ainda que, nos próximos anos, o Brasil ganhará cinco novas siderúrgicas e a Petrobras construirá cinco novas refinarias, localizadas no Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e no Rio de Janeiro (Comperj).
 
Ele lembrou que o setor siderúrgico no Brasil ficou 22 anos sem construir um novo alto forno, embora produzindo, nesse período, a mesma quantidade de aço. "Este País estava atrofiado e proibido de crescer, porque passamos 20 anos discutindo inflação e dívida externa, e ninguém parava para discutir a concentração e o acúmulo de miseráveis nas periferias", afirmou, criticando a corrente econômica que predominou no Brasil nas décadas de 1980 e 1990. "Quando um jovem de 24 anos comete um delito, ele é menos criminoso do que os que foram responsáveis pela política econômica e desenvolvimento dos últimos 20 anos", disse Lula.

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Lula promete "reforçar" papel da Petrobras

Em discurso no rádio e na TV, presidente diz que país constituirá poderosa e sofisticada indústria petrolífera

No tradicional pronunciamento de 7 de Setembro, transmitido em cadeia de rádio e TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem à noite enfática defesa do papel da Petrobras na descoberta das reservas na camada do pré-sal e disse que a estatal será "reforçada".
Em público, foi a referência mais concreta feita até agora pelo presidente sobre os destinos da estatal nesta nova fase relativa ao petróleo no país.
Lula afirmou que a descoberta das novas jazidas "não seria possível sem a Petrobras" e acrescentou que a exploração dessas reservas "será mais um desafio tecnológico desta empresa, que é o maior símbolo da criatividade e da competência dos brasileiros".
No momento em que listava as diretrizes dadas à comissão que estuda novas regras de exploração na camada do pré-sal, Lula disse: "Vamos constituir uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, consolidar o renascimento de nossa indústria naval e acelerar o desenvolvimento tecnológico da nossa petroquímica. Vamos reforçar a nossa Petrobras".
O tom do pronunciamento coincide com uma espécie de "virada" no discurso de Lula sobre a estatal. Logo após o anúncio do potencial das descobertas no pré-sal, Lula mandou recados públicos à diretoria da Petrobras, sugerindo que ela não era a dona das novas jazidas, e deixou vazar que pretende criar uma nova empresa para gerir essa riqueza.
Ontem, no pronunciamento, Lula disse ainda que quer uma política energética "voltada para a paz, o progresso e a solidariedade, e não para alimentar disputas e conflitos". Eventuais mudanças nas regras de exploração do petróleo no pré-sal podem ter de passar pelo crivo do Congresso Nacional.
No discurso, o presidente disse que, mesmo com as novas riquezas em vista, não deixará o governo "sair por aí gastando o que ainda não temos".
Todo o pronunciamento foi voltado ao pré-sal, tema com o qual Lula tem procurado faturar politicamente, em ano de eleições municipais.

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UE certifica 252 fazendas do país

O Brasil já tem 252 propriedades autorizadas a fornecer gado aos frigoríficos habilitados a exportar carne bovina à União Européia. Na última semana, as autoridades sanitárias da Comissão Européia reconheceram 27 novas fazendas como aptas a abastecer os países-membros do bloco comercial.

A UE autorizou, pela primeira vez, a inclusão de uma propriedade paulista, a fazenda Estiva II, localizada em Novo Horizonte. Reconhecido como área livre de febre aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Estado aguardava essa primeira habilitação desde maio. Agora, espera-se que a UE permita a inclusão de fazendas do Paraná e Mato Grosso do Sul, os principais prejudicados pelo foco de aftosa descobertos em outubro de 2005.

Desde a implantação do novo sistema de habilitação, no fim de fevereiro deste ano, a lista saltou de 106 para as atuais 252 propriedades autorizadas. Mesmo com o ritmo mais acelerado de inclusão de novas fazendas, a relação de propriedades aptas está longe da lista de 2.681 fazendas que uma missão do Ministério da Agricultura desejava emplacar em janeiro.

"O ritmo está mais forte, mas ainda temos problemas com o acúmulo de pedidos sob análise", diz o mineiro Gilman Rodrigues, presidente do Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura. Segundo ele, as certificadoras do sistema de rastreamento bovino (Sisbov) estão fazendo agora o trabalho que deveriam ter realizado há seis anos. "É muita minudência, muito papel para conferir e muita visita para fazer. Por isso, acho que só podemos inclui de 20 a 25 novas fazendas por semana nessa lista".

Se confirmada a previsão, a relação brasileira chegaria ao fim deste ano com outras 400 fazendas autorizadas a fornecer gado vivo aos frigoríficos. Para chegar à proposta original brasileira de 2.681 propriedades, seriam necessários dois anos de novas habilitações, como adiantou o Valor em fevereiro deste ano.

De acordo com a lista divulgada pela Direção-Geral de Saúde e Proteção ao Consumidor da UE, as fazendas aptas a vender gado estão localizadas em Minas Gerais (149), Mato Grosso (36), Goiás (33), Rio Grande do Sul (18) e Espírito Santo (15), além da única fazenda paulista. A atualização da relação permitiu, segundo informação da UE, a habilitação de 13 novas fazendas em Minas, sete em Mato Grosso, cinco em Goiás e duas no Rio Grande do Sul.

 

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Lei brasileira é exemplo de modernidade


Código chega à maioridade como uma legislação avançada e ainda servindo de inspiração a vários países

A lei 8.078, mais conhecida como o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que foi promulgada no dia 11 de setembro de 1990, chega à maioridade como uma das leis mais modernas do mundo. Ela serviu de exemplo para várias outras leis e, em alguns pontos, é mais avançada do que a legislação da União Européia e do Canadá. No I Seminário Internacional de Direito do Consumidor, promovido pelo Instituto dos Advogados do Brasil (IAB), que está sendo realizado esta semana, especialistas afirmaram que, além das diferenças nas legislações, a própria prática de cumprimento se encontra em níveis diferentes pelos países.
No âmbito do Mercosul, o Brasil, segundo os especialistas, tem a legislação mais moderna e completa, inclusive no que diz respeito às sanções por descumprimento (há previsão inclusive de enquadramento criminal). O país foi o primeiro a adotar uma legislação específica na defesa dos direitos do consumidor na região e foi a inspiração para as leis adotadas em Argentina, Paraguai, Peru, Colômbia e República Dominicana.
Bruno Miragem, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (Brasilcon), afirma que a lei brasileira tem, como principal qualidade, o fato de estar construída sobre direitos gerais, o que torna o Código sempre atual:
- Nossa lei foi copiada também por Cabo Verde e Angola. E ainda é mais avançada do que as da União Européia no que tange a serviços, pois as leis européias estão mais voltadas a produtos.

Tratado tentará diminuir desigualdades nos países

Há cerca de uma década se discute uma legislação comum para a defesa dos consumidores do Mercosul. Em 2000, os presidentes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai chegaram a assinar uma carta de intenções, mas que não foi para a frente. No entanto, esse projeto começa a tomar um caminho diferente. Para tentar combater um tratamento desigual de consumidores da região, a professora Cláudia Lima Marques está desenvolvendo, junto com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, o Tratado Internacional de Proteção dos Consumidores das América (Cidip VII):
- As perspectivas são muito boas, pois propomos a aplicação da lei mais favorável ao consumidor, seja ela a do país do fornecedor ou a do país de domicílio dos consumidores. Se o comércio hoje é internacional, o direito do consumidor também terá que ser. Contamos com o apoio de outros nove países latino-americanos nessa empreitada.
O espanhol Guilherme Orozco Pardo, da Universidade de Granada, também defende a aplicação da lei mais favorável ao consumidor:
- Os estados deveriam impor o princípio da reciprocidade. Não deve haver respostas locais a problemas globais.
A idéia, no início, diz Gabriel Stiglitz, representante da Argentina, era criar diretivas como na Europa:
- A Argentina avançou nos últimos anos nas ferramentas judiciais, como as ações coletivas, mas está a léguas do Brasil. Paraguai e Uruguai estão mais atrás ainda. Em nenhum desses países há estruturas como os Procons, o Ministério Público. O Brasil é um exemplo.
Para Geraint Howells, escritor e professor de direito da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, em tempos de economia globalizada será difícil manter o padrão de cada país:
- As leis precisam ser simples, apenas manter o contrato vivo.
Dimitri Yanin, presidente da Confederação de Sociedades de Consumo da Rússia, explica que a entidade reúne 42 membros regionais:
- Nosso ideal é colocar a legislação Russa no mesmo patamar da lei americana, mas até os anos 80 lutávamos para conseguir comprar algo, pois as filas eram enormes. Hoje, as leis russas já sofreram mudanças, e conseguimos melhorar a proteção ao consumidor. Nossas leis foram copiadas por vários países da ex-União Soviética.
Entre as leis russas uma é de dar inveja aos brasileiros: lá, eles podem trocar um automóvel, computador ou barco, por causa de qualquer defeito, em até 15 dias de uso, sem ter de levar o produto à autorizada para conserto, como acontece no Brasil.
A brasileira Patrícia Galindo, que fez mestrado em Quebec sobre as leis de direitos do consumidor, explica que o estado canadense começou a pensar no tema em 1906, mas somente em 1965 foi declarado que o consumidor é a parte mais fraca:
- Apesar de pioneira, a lei do Quebec acabou ficando engessada, pois traz muitas especificidades. Ainda hoje discute-se se é melhor ter uma lei intervencionista ou não. Lá, também não são previstas as ações coletivas nem há Ministério Público

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Descoberta dobra reserva do Brasil

A Petrobras confirmou ontem a existência, acima das expectativas, de óleo leve na camada pré-sal da Bacia de Santos, no campo de Iara, a 230 quilômetros do litoral da cidade do Rio de Janeiro.
A estimativa de produção é de até quatro bilhões de barris, fazendo com que as reservas confirmadas de petróleo do Brasil saltem de algo entre cinco bilhões a oito bilhões de barris para até 12 bilhões. No total, a camada do pré-sal tem uma reserva estimada em 80 bilhões de barris.

Ontem, o assessor especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Antônio Barros de Castro, participou do seminário que comemora os 200 anos do Ministério da Fazenda. No evento, ele apresentou um levantamento mostrando que o governo poderá diluir, ao longo de vários anos, o impacto dos investimentos necessários para exploração do pré-sal, se adotar políticas de controle de demanda e oferta. "O país pode determinar a velocidade do financiamento. Para isso, a calibragem pela política de oferta é fundamental", afirmou.

O estudo do BNDES estima que, se o governo adotar medidas desse tipo, o país terá condições de exportar, liquidamente, 200 mil de barris de petróleo por dia em 2015 e elevar esse valor para 1,4 milhão de barris em 2045. Por outro lado, se nada for feito, a venda para outros países começará forte em 2015, mas pode despencar nos anos seguintes. Nesse cenário, está previsto um déficit de petróleo de 500 mil barris em 2045. Na avaliação dele, ainda existem incertezas com relação à exploração da camada do pré-sal. Porém, deixou claro que essa é uma decisão política.

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Brasil deve criar mais de 2 mi de empregos em 2008, diz Lupi

 

Para ministro do Trabalho, 'tudo conspira a favor do País, que está se tornando a Meca dos investimentos'

 

SÃO PAULO - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que o Brasil deve criar pouco mais de 2 milhões de  empregos em 2008, marca que vai superar em 31,8% a geração de 1,517 milhão de postos de trabalho gerados em 2007. "O Brasil entrou no paradigma do círculo virtuoso. É impressionante como o País está crescendo em todas as suas regiões, sobretudo nas cidades do interior. Os investimentos estão registrando fortes níveis de expansão. A Petrobras está descobrindo novos poços de pré-sal. Tudo conspira a favor do País, que está se tornando uma Meca dos investimentos."

 

Lupi afirmou que a criação de empregos em agosto deverá bater novo recorde para todos os meses de agosto na história. Embora não tenha dado mais detalhes sobre o patamar de postos de trabalho que serão criados, ele estima que, no mês passado, no acumulado em um ano, a geração de postos de trabalho deve ficar próxima a 2 milhões de vagas.

 

Na avaliação dele, que deixou claro que está empolgado com a expansão do nível de atividade do País, a economia nacional deve registrar um crescimento de 6% em 2008, o que superaria a marca de 5,4% de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) apurado em 2007. "Muitos especialistas riram quando eu disse, no início do ano, que o Brasil iria apresentar um crescimento muito forte em 2008. Agora, com a expansão (de 6,1% do PIB no segundo trimestre, ante o mesmo período de 2007), acredito que estão reconsiderando suas avaliações."

 

"Mesmo com a ação do Banco Central, que elevou os juros, o Brasil deve continuar nesta rota de crescimento vigoroso neste ano e no próximo, pois, entre outros fatores, os investimentos estão sendo feitos com muita força, dado que os empresários estão vendo que cresceram muito as vendas do mercado interno, e querem ampliar a capacidade de produção (de suas fábricas) para o longo prazo, horizonte de dez anos."

 

No terceiro seminário Capital e Trabalho, Compromisso Estratégico para a Sustentabilidade, realizado em São Paulo, o ministro reforçou a avaliação do presidente Lula de que o Brasil está no caminho certo para registrar um crescimento robusto de longo prazo, porque consegue avançar os fundamentos macroeconômicos ao mesmo tempo que mantêm a inflação sob controle. "A inflação é ruim para o trabalhador, ela só ajuda quem especula. Portanto, esse é um valor conquistado pela sociedade que precisa e vai ser preservado."

 

Ao falar para um platéia composta por líderes sindicais, o ministro ressaltou que as principais centrais sindicais do País precisam unir seus princípios "macros", ou seja, as grandes questões comuns, preservando suas naturais divergências e alguns pontos específicos, o que, para ele, é "natural".

 

Lupi ressaltou que é favorável que a jornada de trabalho seja reduzida para 40 horas semanais, porém, afirmou que as lideranças sindicais precisam ser mais ativas para ir à Câmara Federal e ao Senado, a fim de viabilizar junto aos parlamentares tal pleito. "Já fui deputado federal, e sei que o Congresso Nacional funciona sob pressão da sociedade, portanto, os líderes sindicais, se quiserem ver matéria aprovada pelo Poder Legislativo, precisam conversar com deputados e senadores para defender tais propostas."

 

Fonte: Ricardo Leopoldo, da Agência Estado

 

12 de setembro de 2008

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MS pode voltar a exportar para a UE


O Ministério da Agricultura informou ontem que Mato Grosso do Sul voltará a ser área habilitada à exportação de carne bovina fresca para os 27 países da União Européia. Todo o território do Mato Grosso e de Minas Gerais também estão na mesma condição. A informação foi repassada ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pela Secretaria de Defesa Agropecuária, que há meses acerta os detalhes técnicos com a UE.

 

Fonte: O Estado de São Paulo

13 de setembro de 2008

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Brasil é agora um país de classe média, diz The Economist
 

Revista trata sobre o crescimento econômico e os avanços sociais no país. Anteriormente notório por seus extremos, o Brasil é agora um país de classe média, afirma a revista The Economist que chegou ontem às bancas. A publicação trata do crescimento de uma parte da população brasileira caracterizada pelo emprego na economia formal, acesso ao crédito e propriedade de um carro ou uma moto.
A revista discute a expansão de 44% para 52% da classe média no país desde 2002, considerando as famílias com renda entre R$ 1.064 e R$ 4.561, conforme a Fundação Getulio Vargas (FGV). A faixa já representa mais de metade da população.
A melhora da qualidade da educação e a migração dos empregos informais para os formais são apontados como responsáveis pelo movimento, conforme Marcelo Neri, da FGV. "O rápido crescimento do crédito, que não existia até recentemente em razão das elevadas taxas de juros, tem ajudado a estimular o poder de compra da classe média", diz a Economist.
Até cirurgias plásticas podem ser feitas a prestações no país, ressalta a revista. A demanda por produtos de beleza dessa parte da população pode ser reflexo do padrão estabelecido pelas novelas, produzidas no Rio de Janeiro, afirma. Conforme a publicação, a classe média brasileira é mais consciente na hora do consumo do que a da América do Norte e da Europa. No entanto, não gosta de comprar em lojas que pareçam baratas.
Do ponto de vista político, a Economist diz que no passado as pesquisas mostravam a preferência pelo PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em detrimento do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, com a ascensão da classe D para C, esse cenário se altera. "Mas permanece irônico que esta grande transformação social, que foi atingida em parte pela abertura comercial com o resto do mundo, possa acabar apoiando um partido que, até recentemente, era favorável à autarquia."
Ao comentar a reportagem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o aumento na renda está tornando a classe média o extrato social dominante no país, mas que isso ainda pode melhorar.
- O país está indo muito bem e está criando uma mobilidade social de modo que a classe média hoje é a classe dominante. Mas pode melhorar mais ainda. Estamos trabalhando nesse sentido - disse Mantega.

 

Fonte: Zero Hora

 

13 de setembro de 2008

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Petrobrás ousa com etanol


Estatal vai produzir e exportar energia a partir da cana em 2010

 A primeira usina de produção de etanol a contar com a parceria da Petrobrás, num ousado plano de exportação do combustível e geração de energia a partir da cana-de-açúcar, deverá entrar em operação no início de 2010, no município de Itarumã, 400 quilômetros a sudoeste de Goiânia. A produção inicial prevista para essa usina é de 95 milhões de litros. A partir de 2014, na segunda fase, de 200 milhões de litros.

A Petrobrás informou, por intermédio de sua Assessoria de Imprensa, que a meta de exportação anual de álcool combustível pela estatal, já em 2012, é de 4,75 bilhões de litros. Para tanto, serão necessários investimentos superiores a U$ 1,5 bilhão em outros complexos industriais do setor de cana-de-açúcar no País. Com isso, a Petrobrás deverá entrar também para a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

Para a produção do etanol, a Petrobrás Biocombustível criou um modelo de negócio baseado nos chamados Complexos Bioenergéticos (CBios), que buscam parcerias com empresas internacionais que garantam mercado mundo afora e produtores nacionais de cana-de-açúcar. Na associação com a brasileira Itarumã Participações, montada por um grupo de produtores de cana de Ribeirão Preto (SP), a Petrobrás formou uma joint venture com a japonesa Mitsui, chamada PCBios - cada uma das empresas tem 50% da sociedade. No empreendimento com a Itarumã, serão 40% da PCBios e 60% do grupo de produtores brasileiros. Em 2014, já em pleno funcionamento, a usina plantará 32 mil hectares de cana-de-açúcar, para chegar à produção de 200 milhões de litros anuais, informou Roberto Andrade, do conselho de administração da Itarumã.

A área onde será montada a usina está toda terraplenada, e parte da cana já foi plantada. Fica na Fazenda Queixada, a 56 quilômetros da sede do município de Itarumã. Como parte da cana já amadureceu , mas ainda não poderá ser industrializada, ela será vendida para usinas instaladas em Serranópolis, município vizinho.

No fim do ano que vem, a montagem da usina deve ter sido concluída, podendo, então, iniciar seus primeiros testes de produção do etanol, disse Andrade. Ao todo, o projeto da Itarumã custará U$ 227 milhões.

A usina não produzirá açúcar. Será totalmente voltada para o álcool combustível e para a geração de energia. Com o bagaço da cana e folhagem, terá condição de gerar 50 megawatts/hora. Desse total, usará 20 mw para girar todo o complexo industrial. Os 30 mw excedentes serão leiloados. A exportação de energia deverá começar em 2010. O plantio e a colheita da cana serão mecanizados, evitando as queimadas usadas para limpar as folhas quando a colheita é manual.

Ao todo, de acordo com informação de Andrade, 300 pessoas deverão trabalhar diretamente nas áreas industrial e administrativa da usina. Haverá outras 800 vagas para motoristas de caminhões e de tratores, equipes de combate a incêndios e vigias de doenças da cana, com a incumbência de percorrer os canaviais a pé, para procurar doenças e outros tipos de problemas.

Por enquanto, os técnicos que já trabalham na Usina de Itarumã vêm fazendo experimentos com mudas de cana de várias espécies, para identificar quais se adaptam melhor ao cerrado do Centro-Oeste, região com estações climáticas bem definidas: seca da segunda quinzena de abril a setembro e chuvas de outubro à primeira quinzena de abril. Neste momento, a energia está sendo produzida por geradores movidos a diesel. A administração do complexo, em Itarumã, por enquanto fica na velha sede da Fazenda Queixada. Estão prontos um alojamento e um refeitório que atendem até 200 pessoas.

De acordo com informações da Petrobrás, a estatal e a Mitsui decidiram investir no projeto de Itarumã por considerar que tem viabilidade ambiental e econômica diante do grande potencial de exportação de etanol brasileiro para atender às demandas internacionais por energia renovável e diversificação energética, o que possibilitará a redução das emissões de gás de efeito estufa.

A produção de Itarumã deve seguir em caminhões até Senador Canedo, a cerca de 350 quilômetros a nordeste, local de passagem de um alcoolduto que levará o etanol do Centro-Oeste para os portos do Sudeste, de onde seguirão para os mercados internacionais.

 

Fonte: João Domingos - O Estado de São Paulo

 

15 de setembro de 2008

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Mercado interno sustenta crescimento
 
Expectativa é que demanda doméstica continue a puxar economia; governo fala em longo ciclo de investimentos produtivos


Projeções feitas pelo BNDES sustentam que a economia brasileira deverá investir R$ 1,5 trilhão nos próximos quatro anos na produção
Assim como em 2008, o mercado interno deve ser o "pilar" do crescimento brasileiro em 2009.
Empresários apostam que, no ano que vem, a desaceleração seja suave e controlada.
"Quando imaginávamos um tranco da crise internacional, o Brasil apareceu surpreendentemente protegido, com o mercado interno dando a tônica do crescimento. Esperamos que isso continue em 2009", afirma o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto. O empresário prevê que o ano que vem seja menos "inflado" que 2008 em todos os aspectos.
Em relação ao aumento da capacidade produtiva do país, a expectativa é que também haja uma diminuição no ritmo dos investimentos das empresas.
Segundo as previsões da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), é possível prever um aumento no consumo de máquinas e equipamentos no país próximo a 10% no ano que vem. É menos do que os 17% esperados em 2008, mas, mesmo assim, um número elevado.
"Os investimentos vêm sendo feitos. O mais importante é o governo não gerar a expectativa de que vai exagerar na dose dos juros e acabar revertendo as decisões de investimento das empresas", diz Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq.
BNDES
O governo sustenta que, apesar do cenário externo adverso, o Brasil passará por um longo ciclo de investimentos. Segundo novas projeções do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a economia brasileira deverá investir R$ 1,5 trilhão nos próximos quatro anos.
Em dezembro, o BNDES havia estimado os investimentos em R$ 1,213 trilhão no quadriênio. Agora, empacotados sob o slogan "Um novo Brasil em construção", o valor subiu 24% e não inclui ainda o que deverá ser gasto para explorar o petróleo na camada do pré-sal.
O crédito e fontes de financiamento para a produção serão chaves para a manutenção dos níveis de investimento.
Um dos setores mais dinâmicos no momento, a construção civil, por exemplo, está em busca de alternativas de financiamentos depois que as construtoras viram secar os recursos levantados na Bolsa de Valores.
Algumas empresas fizeram IPOs (ofertas públicas de ações, na sigla em inglês) e usaram o dinheiro para comprar terrenos. Com a queda do mercado, ficaram agora sem recursos para as edificações.
"Muitas construtoras estão redesenhando sua engenharia financeira agora para ver de onde podem tirar recursos", afirma Ana Maria Castelo, economista da FGV Projetos e consultora do SindusCon-SP.
Mesmo assim, o setor da construção civil (que pesa 5% no PIB) prevê crescimento de 9% em 2009, quase igual aos 10% esperados neste ano.
Apesar dos riscos de um aperto no crédito combinado ao desaquecimento da economia brasileira e mundial, o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e professor da Unicamp, acredita que "só uma barbeiragem contaminará de forma mais profunda" o Brasil em 2009.

 

Fonte: Folha de São Paulo

 

15 de setembro de 2008

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Balança tem superávit de US$1,257 bi na 2a semana do mês

 

SÃO PAULO - A balança comercial brasileira registrou superávit de 1,257 bilhão de dólares na segunda semana do mês, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta segunda-feira.

A cifra resulta de exportações de 5,073 bilhões de dólares e importações de 3,816 bilhões de dólares.

Em setembro, até o dia 14, o superávit acumulado é de 1,552 bilhão de dólares. Pela média diária, de 155,2 milhões de dólares, o desempenho é 15,2 por cento menor que em todo o mês de setembro do ano passado.

No ano, a balança tem saldo positivo de 18,459 bilhões de dólares. Desde janeiro, as exportações apresentam alta de 29,5 por cento sobre o mesmo período de 2007, mas as importações mostram aumento de 53,5 por cento.

O mercado espera que o Brasil feche este ano com superávit comercial de 23,6 bilhões de dólares, segundo o último relatório Focus.
No ano que vem, o saldo positivo cairia para 13 bilhões de dólares.

 

Fonte: Estadão.com.br

 

16 de setembro de 2008

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Brasil encontra 'destino' e não vai parar de crescer, diz Lula

 

No rádio, presidente afirma que está satisfeito com economia e ressalta aumento do poder aquisitivo

 

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 15, que o País encontrou "seu próprio destino e não vai mais parar de crescer". Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele se disse "satisfeito" com o desempenho da economia brasileira nos últimos anos. "Dentro desse crescimento, cresce também o poder aquisitivo do povo brasileiro, a massa salarial. E, portanto, estamos com uma economia atingindo um nível muito importante entre a demanda, que é o quando o povo vai comprar, e a oferta, que é quando tem o produto na loja."

 

Para Lula, é esse equilíbrio que irá permitir que o país cresça, distribua mais renda e mantenha a inflação "altamente controlada". Ele destacou ainda a expansão de 16,2% dos investimentos no País e afirmou que o êxito representa "confiança". "Os bancos têm mais dinheiro para emprestar e as pessoas estão tomando mais dinheiro emprestado. As indústrias que já fizeram hora extra, segundo turno e terceiro turno têm que aumentar um pedaço da sua fábrica. Aquelas que ainda não estão trabalhando em três turnos vão começar. Tudo isso para fazer girar a economia".

 

O presidente associou o giro dos índices positivos a uma roda gigante, que não deve parar para que a renda dos brasileiros continue crescendo e fomentando o crédito, a expansão industrial e a expansão do consumo.

 

Ao comentar os investimentos no país, ele destacou o potencial energético brasileiro. Lula classificou o setor de "coração do desenvolvimento do Brasil" e garantiu que vai oferecer mais energia e trazer mais empresas para o país, sobretudo no Amazonas.

 

Na área do petróleo, o presidente lembrou sua visita ao Espírito Santo para participar da primeira retirada de petróleo da camada pré-sal e afirmou que a próxima etapa é ir ao Rio Grande do Sul para o lançamento da P-53 em alto mar. "Isso significa uma indústria naval mais forte, nossos estaleiros mais fortes, mais mão-de-obra qualificada, mais emprego, mais salário, mais renda e melhoria das condições de vida".

 

Fonte: Agência Brasil

 

16 de setembro de 2008

 

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Queda de exportações pode atingir economia

Quem acompanha os números da bolsa e as cotações dos ativos financeiros não tem mais dúvidas: a crise internacional veio para ficar e seus reflexos serão sentidos inclusive no Brasil. Resta saber agora se as perdas enfrentadas pelos investidores ficarão restritas ao mercado financeiro ou cruzarão as portas da BM&F Bovespa em direção à chamada economia real.
Na análise de especialistas consultados pela Gazeta Mercantil existem boas e más notícias envolvendo a economia brasileira. A ruim é que o País realmente apresentará uma taxa de crescimento inferior no ano que vem. A boa é que essa desaceleração pouco ou nada tem a ver com a crise externa, e sim com o processo de aumento da taxa básica de juros (Selic) conduzido pelo Banco Central para conter a inflação. Os analistas destacam, no entanto, que existe, sim, uma chance de contágio da crise no desempenho da economia brasileira.
As exportações são as mais vulneráveis a uma piora das condições internacionais, segundo o economista Cristiano Souza, do Banco Real. "Uma redução do crescimento mundial pode diminuir tanto a quantidade quanto o valor dos produtos vendidos pelo País", afirma. Nesse movimento, a evolução dos preços das commodities, responsáveis por 40% da pauta nacional de exportações, será fundamental para avaliar esse impacto, observa.
De todo modo, o fato de a economia brasileira ser relativamente fechada - as exportações respondem por apenas 14% do Produto Interno Bruto (PIB) - acaba limitando possíveis efeitos negativos, analisa Souza. Para o economista, a queda da bolsa por si só também não representa uma ameaça à atividade doméstica. "Ao contrário dos Estados Unidos, onde a cada US$ 100 de riqueza US$ 30 vêm de ações, no Brasil a riqueza das pessoas não depende da bolsa." O Real projeta crescimento de 3,5% para o PIB brasileiro em 2009.
O economista Filipe Albert, da Tendências Consultoria, considera que a crise não deve reduzir o apetite dos bancos brasileiros em conceder crédito, o que também poderia contribuir para um desaquecimento da economia. "A falta de liquidez internacional prejudica, mas os bancos nacionais se encontram em uma posição muito saudável", diz.
Mais preparado
De acordo com o consultor de análises econômicas do Banco Itaú, Joel Bogdanski, fica difícil fazer qualquer prognóstico sobre a economia brasileira "no olho do furacão" da crise. Por outro lado, ele afirma "sem medo de errar" que o Brasil está muito mais preparado hoje para enfrentar um possível agravamento das condições dos mercados internacionais. "O País está em uma situação em que pode esperar para ver o que vai acontecer", diz Bogdanski, que atuou na implantação do sistema de metas de inflação quando esteve no BC.

 

Fonte: Vinícius Pinheiro - Gazeta Mercantil  

 

17 de setembro de 2008

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Fluxo de capital externo para o Brasil cresce mesmo com crise

Mesmo com o agravamento da crise enfrentada pelos mercados financeiros internacionais, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil aumentou nas primeiras duas semanas deste mês. Segundo dados do Banco Central, o ingresso líquido de recursos (diferença entre o dinheiro que entrou e as remessas que foram feitas ao exterior) ficou em US$ 4,329 bilhões nesse período.
Em agosto, o BC havia registrado uma entrada de US$ 1,944 bilhão no país. No ano, o saldo acumulado está positivo em US$ 18,714 bilhões.
Neste mês, a balança comercial continua respondendo pela maior parte do resultado positivo apurado pelo BC. Entre os dias 1º e 12, as operações de comércio exterior trouxeram US$ 3,605 bilhões ao país (já descontados os pagamentos feitos por importadores).
A maior variação, porém, ocorreu justamente nas chamadas operações financeiras, que incluem investimentos e empréstimos externos. Depois de apresentar resultados negativos por cinco meses seguidos, neste mês o fluxo de divisas nesse segmento está positivo em US$ 725 milhões.
Segundo técnicos do BC, as remessas de lucros e dividendos feitas por multinacionais instaladas no Brasil já não apresentam o ritmo de crescimento observado nos últimos meses, o que ajuda a explicar o saldo positivo nas operações.
Além disso, investimentos estrangeiros em títulos públicos e no setor produtivo nacional continuam elevados, mesmo com a crise. O próprio movimento na BM&FBovespa tem dado sinais de melhora. Apesar da queda sofrida pela Bolsa, a saída de investidores estrangeiros nas duas primeiras semanas do mês foi de R$ 900 milhões. Em julho, a fuga chegou a mais de R$ 7 bilhões.

 

Fonte: Folha de São Paulo

18 de setembro de 2008

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Indústria de celulose fecha as portas na Europa e abre no Brasil

Enquanto a Europa reduz a produção para cortar custos, o Brasil saltará do 6.º para o 3.º lugar do ranking mundial

O Brasil se tornou protagonista na recomposição das forças da indústria de papel e celulose. A união anunciada esta semana entre Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz, que fez surgir a maior produtora de celulose do mundo, deve acelerar o ritmo de ampliação da produção nacional, que chegará a 18 milhões de toneladas anuais em 2012. Graças a essa onda de investimentos, o Brasil deve ultrapassar a China e chegar à terceira posição no ranking de países produtores da matéria-prima.
Ao mesmo tempo, o País virou o alvo preferido de multinacionais do setor, que nos últimos anos estão levando suas fábricas de países do Hemisfério Norte para os do Sul. A sueco-finlandesa Stora Ensa, a portuguesa Portucel e os chineses da Asia Pulp & Paper (APP) são algumas das gigantes que avaliam empreendimentos no Brasil, segundo fontes ligadas às empresas.
Além de escassa, a madeira utilizada pelos grandes produtores na Europa, Estados Unidos e Canadá ficou mais cara. Em janeiro de 2009, a Rússia, uma das principais fornecedora da indústria européia, vai começar a sobretaxar as exportações desse insumo. "Eles não conseguem mais competir por causa do custo da fibra, muito maior nessas regiões", explica Kurt Schaefer, vice-presidente da RISI, agência internacional de informação para indústria de produtos florestais.
O Brasil utiliza eucalipto na produção de celulose, que tem custo menor e cultivo mais rápido. "Com alta produtividade e boa oferta de celulose, o Brasil tem condições de abastecer os mercados que demandam o produto", diz a presidente-executiva da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, a demanda nos países emergentes levou ao aumento da demanda de celulose no mercado externo.
A sueco-finlandesa Stora Enso, uma das maiores do setor, com faturamento de US$ 11,8 bilhões, fechou quatro fábricas na Europa nos últimos dois anos. Agora, concentra seus esforços nos mercados emergentes, principalmente em países da América Latina e China. "A América do Sul se beneficia desse cenário", diz o vice-presidente da subsidiária brasileira, Otávio Pontes.
No Brasil, a companhia está plantando uma base florestal de 13 mil hectares no Rio Grande do Sul para futuros empreendimentos industriais. "Temos estudos avançados para duplicar a capacidade de produção no País em dois anos", diz. A companhia fabrica celulose no Brasil desde 2005, por meio da Veracel, uma joint venture com a Aracruz no sul da Bahia.
Segundo Pontes, além de alto custo de produção, as fábricas na Europa sofrem com a valorização da madeira. O insumo tem sido subsidiado na União Européia para uso na geração de biomassa. O uso dessa fonte energética cresceu por causa dos altos preços do petróleo e das metas para utilização de energias renováveis fixadas nos países europeus.
A gigante Asia Pulp & Paper (APP) montou um escritório em São Paulo para reforçar seus negócios no Brasil. Por enquanto, o objetivo da empresa, com fábricas na China e Indonésia, é ampliar as importações - até então, ela vendia irregularmente e em pequenas quantidades para o Brasil.
Mas a companhia não descarta a possibilidade de instalar uma fábrica de celulose no Brasil. "O Brasil é o grande fornecedor do insumo. Não tem quem possa batê-lo, pelo menos pelos próximos 15 a 20 anos", diz o gerente-geral da subsidiária, Geraldo Ferreira.
Outra empresa que está de olho no potencial brasileiro é a portuguesa Portucel. A empresa já estaria negociando a compra de terras em Mato Grosso do Sul. A Secretaria do Desenvolvimento do Estado recebeu executivos da companhia há cerca de dois meses. Em agosto, a Portucel anunciou a instalação de duas fábricas de celulose, em Moçambique e no Uruguai.

 

Fonte: Marianna Aragão - O Estado de São Paulo

23 de setembro de 2008

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Brasil espera a normalização do crédito

Avaliação da equipe econômica é que aprovação rápida do pacote dos EUA faça voltar financiamento externo a empresas

Suspensão do crédito a companhias brasileiras foi até agora o principal efeito da crise financeira dos Estados Unidos sobre o país

A equipe econômica do presidente Lula espera que o pacote de US$ 700 bilhões do governo dos Estados de Unidos normalize a concessão de linhas de créditos externas a empresas brasileiras, que ficou paralisada na semana passada.
Esse bloqueio de crédito externo foi, até agora, o principal efeito sobre a economia brasileira da crise que atinge o sistema financeiro norte-americano, com quebra de instituições e seguradoras.
A normalização vai depender, na avaliação da equipe econômica, de uma rápida aprovação do pacote de socorro de US$ 700 bilhões do Tesouro americano para salvar as instituições financeiras atingidas pela crise do crédito.
A expectativa é que o Congresso dos Estados Unidos aprove as medidas nessa semana, apesar das críticas de membros do Partido Democrata, maioria no parlamento.
Até a normalização, o Banco Central deve manter leilões de dólares, como o realizado na última sexta-feira, de US$ 500 milhões, sempre que o mercado cambial se mostrar pressionado diante da falta de moeda para atender exportadores e importadores.
Além disso, os ministérios da Fazenda e do Planejamento querem fechar o mais rápido possível um plano de aumento de capital do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que passaria a suprir as necessidades de financiamento das empresas brasileiras durante a crise financeira mundial.
No Planejamento, técnicos estão estudando cortes em despesas de custeio para direcionar essa economia extra ao BNDES. Na Fazenda, eles estão mapeando a situação das linhas de crédito externas e checando de quanto as empresas brasileiras necessitariam nesse momento até a normalização do mercado.
Esse plano seria colocado em prática caso o mercado de crédito externo se mantenha bloqueado nas próximas semanas. Isso, porém, é visto como improvável, depois do pacote anunciado pelo presidente dos EUA, George Bush.
A situação das linhas de crédito externas preocupa o presidente Lula, que na semana passada discutiu o tema com seus principais assessores em reunião no Palácio do Planalto. Ele determinou a sua equipe a montagem de um plano de emergência para solucionar o problema, que pode afetar o comércio externo brasileiro.
Em conversas com seus conselheiros econômicos, Lula foi alertado de que a tendência da crise era se agravar e que o governo deveria tomar medidas, entre elas cortes de gastos de custeio para liberar recursos para investimentos.
A principal preocupação do presidente, hoje, é que a crise venha a abortar o ciclo de crescimento econômico do país. Daí sua orientação para a elaboração de medidas destinadas a fortalecer o caixa do BNDES nessa crise.
Além disso, Lula tem pressionado o Banco Central a reduzir o ritmo do processo de alta das taxas de juros. Em sua avaliação, diante da desaceleração econômica mundial e da queda da inflação, não faz sentido manter elevações de 0,75 ponto percentual.

 

Fonte: Valdo Cruz, da Sucursal de Brasília - Folha de São Paulo

23 de setembro de 2008

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Lula discute a crise em NY com chefes de Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e autoridades de ao menos quatro países, além do FMI, participarão de encontro na quarta-feira em Nova York para debater problemas e soluções para a crise do mercado financeiro.
A reunião foi agendada no sábado e, de acordo com a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, foi solicitada pelo Reino Unido, que aproveita a presença de líderes mundiais na cidade para a 63ª Assembléia Geral das Nações Unidas, que acontece entre hoje e quinta.
China, Índia e Austrália também deverão participar da conversa, assim como alto representante do FMI.
A agenda, contudo, não está fechada, e não há informações oficiais do governo britânico a respeito. A reunião está prevista para as 19h de quarta-feira, no hotel Waldorf Astoria, em Manhattan, onde o presidente e a primeira-dama Marisa Letícia ficarão hospedados.
A chegada do avião presidencial a Nova York estava prevista para o início desta madrugada. Na manhã de hoje, o presidente Lula participa do lançamento da campanha publicitária mundial "Brasil Sensacional", da Embratur. Após outros eventos ao longo do dia, ele será homenageado à noite em jantar do Conselho das Américas.
O discurso de Lula no plenário da ONU será amanhã, mesmo dia em que falam os presidentes Nicolas Sarkozy (França) e George W. Bush (EUA), entre outros. Segundo a sua assessoria, Lula "defenderá o multilateralismo como importante ferramenta para equacionar as crises ambiental, de alimentos e energética" e voltará a defender a reforma no Conselho de Segurança da ONU.
Durante a semana, Lula terá encontros bilaterais com representantes de países como Inglaterra, Líbia, Maníbia, Paquistão, Holanda e com o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao.

 

Fonte: Daniel Bergamasco, de Nova York - Folha de São Paulo

22 de setembro de 2008

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EUBRASIL: UMA CONTRIBUICÃO EMPRESARIAL PARA A CÚPULA UE-BRASIL 22 DE DEZEMBRO, 2008

 

A 2° Cúpula UE-Brasil será realizada no Rio de Janeiro, no dia 22 de dezembro de 2008. No âmbito das relações cada vez mais estreitas entre as duas partes, este encontro representa uma nova e grande oportunidade para relançar e reforçar os vínculos entre as duas áreas.

 

A delegação brasileira será encabeçada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A União Européia será representada pelo Presidente da República francesa, Nicolas Sarkozy, na sua condição de Presidente do Conselho Europeu, e pelo Presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.

 

A Europa considera o Brasil como um parceiro importante e, na Cúpula de Lisboa em 2007, a Comissão Européia lançou o processo visando a constituição de uma parceria estratégica.

 

"A segundo encontro de cúpula Europa-Brasil no Rio de Janeiro - afirma Luigi Gambardella Presidente de Eubrasil - será uma ocasião para aprofundar o diálogo entre as partes e para lançar o Joint Action Plan de cooperação em setores chaves onde existem interesses recíprocos: energia, transportes aéreos e marítimos, sociedade da informação ciência e tecnologia, questões ambientais. Paralelamente à Cúpula, haverá também o encontro da Business Roundtable que congregará representantes das indústrias européias e brasileiras. Este encontro possibilitará uma avaliação mais profunda dos progressos que já foram feitos nas relações comerciais e dos obstáculos que ainda precisam ser ultrapassados para favorecer um maior desenvolvimento dos intercâmbios."

 

"EUBrasil, em colaboração com a Fundação Getúlio Vargas e a Chaire Mercosur de Sciences Po - declarou Roberto Vecchi Vice Presidente de Eubrasil - deseja contribuir de maneira muito concreta para o sucesso e a preparação da Cúpula do Rio de Janeiro realizando um estudo científico que focalizará todas as problemáticas comerciais das empresas brasileiras e os desafios das relações comerciais entre a Europa e o Brasil, setor por setor, com uma avaliação de impacto econômico e com recomendações dirigidas às autoridades políticas das duas partes. Pensamos que seria oportuno associar nesta ocasião um pequeno e selecionado número de empresas e associações relevantes que demonstram um forte interesse no fortalecimento das relações econômicas e políticas entre a Europa e o Brasil e no superamento das barreiras, comerciais ou  e não commerciais."

 

A secretaria da EUBrasil  presidencia@eubrasil.eu está a disposição para todos os detalhes organizacionais  

 

26 de setembro de 2008

 

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Sarkozy quer Brasil no G8

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu na ONU que o Grupo dos Oito
(G8, formado pelos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) deve ser ampliado para um "G13 ou G14" e que o Brasil deve fazer parte disso.

Sarkozy, que participa dos debates da 63ª Assembléia Geral da ONU, que começaram ontem com a presença de 192 líderes mundiais, afirmou que
um "G13 ou G14" deveria incluir "China, Índia, África do Sul, México e Brasil" e defendeu a também ampliação do Conselho de Segurança.

Em coletiva de imprensa após a assembléia, o presidente francês aproveitou para falar da crise financeira que, segundo ele, "é a mais grave" no mundo
"desde os anos 30". Sarkozy considerou que os chefes de Estado e de governo dos países mais diretamente afetados "devem se reunir antes do fim do
ano para tirarem juntos as lições da crise financeira".

O chefe de Estado propôs que essa cúpula seja de presidentes do G8 e que seja realizada em novembro e aberta a líderes de economias emergentes. A finalidade seria acertar medidas para enfrentar e prevenir crises financeiras como as
que sacodem os mercados globais. Sarkozy ressaltou à imprensa que as economias mais desenvolvidas "são claramente mais responsáveis que os países em desenvolvimento" pela atual situação, e por essa razão as principais potências econômicas devem ser as responsáveis por encontrar uma solução.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, seguiu na mesma linha em seu discurso de abertura. Ele pediu a restauração da ordem dos mercados financeiros internacionais, pois alegou que a crise atual ameaça todos os avanços conquistados em matéria de desenvolvimento.

"Precisamos restaurar a ordem dos mercados financeiros internacionais", disse Ban. Ele disse à assembléia que o mundo enfrenta hoje "uma crise financeira
global, de energia e de alimentos", além da ameaça da mudança climática.

O secretário-geral também se referiu ao "colapso, mais uma vez", das negociações da Rodada de Doha, realizadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que visam à liberalização do comércio mundial em benefício dos países mais pobres e menos desenvolvidos. Além disso, Ban destacou que as
nações têm pela frente o desafio da "liderança global" e que é mais necessário do que nunca em uma etapa de transição, com problemas complexos.

 

Fonte: Jornal de Brasília

 

29 de setembro de 2008

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Brasil é o número 1

As grandes empresas latino-americanas estão de olho no mercado consumidor brasileiro, que vem se expandindo nos últimos anos, alimentado principalmente pelo crescimento da renda, emprego e crédito. Pesquisa da auditoria KPMG Internacional com 137 executivos de companhias de peso das sete maiores economias da região apontou o Brasil como o número um na lista de destinos para os investimentos em 2009. A preferência continua em relação aos planos num horizonte de cinco anos. Em ambos os casos, o país supera os Estados Unidos, tradicional pólo de atração no continente.
"O Brasil está numa posição bastante favorável na luta pelos investimentos das grandes companhias latino-americanas", afirma Ericson Amaral, sócio da área de Tributação Internacional da KPMG no Brasil. O país foi citado por 21% dos executivos em relação aos seus planos de investimentos no ano que vem, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 19% das intenções. A lista segue com outros países emergentes, como Argentina (15%), Chile (15%) e China (13%). A Índia aparece em 10° lugar, bem à frente da Europa de forma geral (16°) e da Rússia (18°).
Na programação de investimentos em cinco anos, o Brasil continua em primeiro lugar, mas perde um pouco o percentual de preferências, caindo para 19%. Da mesma forma, os Estados Unidos permanecem na segunda posição, mas com número menor de citações (15%). Segundo Amaral, a predominância dos países do próprio continente nas intenções de investimentos das companhias latino-americanas se explica. "Em suas estratégias de ganhar o mercado internacional, é mais fácil começar por um país vizinho, como o Brasil, do que dar um salto e enfrentar o mercado dos Estados Unidos, que é muito mais competitivo e exige músculos", justifica.
Prazo
Entre as 20 empresas brasileiras consultadas, a preferência para investimentos recai sobre os Estados Unidos, com 35% das citações no ano que vem e 30% daqui a 5 anos. Só em segundo lugar aparecem os demais países da América do Sul, de maneira genérica. Na avaliação de Amaral, a predileção por um mercado difícil como o norte-americano mostra um maior nível de competitividade e amadurecimento das companhias nacionais. As demais 117 firmas que responderam à pesquisa são do México, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela. Todas faturam pelo menos US$ 500 milhões anuais.
O estudo não investigou o volume de recursos que as empresas pretendem aplicar. Segundo as projeções dos cerca de 100 analistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central (BC), os investimentos estrangeiros diretos no Brasil devem somar US$ 35 bilhões neste ano e US$ 30,4 bilhões em 2009.
No curto prazo, o Brasil bate o Chile, segundo colocado, por 25% a 17%. A China fica em terceiro, com 17%, e os EUA só aparecem em sexto, com 11%. No panorama de médio prazo, o Brasil tem 26% das predileções, seguido da Argentina (14%). Os EUA aparecem em quinto (10%), a China e a Índia empatados em sexto (8%) e a Rússia em oitavo (6%). Na pesquisa que compreende todos os segmentos econômicos, 21% dos executivos disseram que vão investir comprando companhias, enquanto metade quer abrir negócios.
Na avaliação de Amaral, o trunfo do país para atrair investimentos é o tamanho do mercado consumidor, seguido da estabilidade política e econômica conseguida nos últimos anos. Os maiores problemas são a infra-estrutura deficiente, o ambiente regulatório fraco, a complexidade do sistema tributário e a insegurança jurídica. Para o sócio da auditoria, a atual crise financeira não deve abalar as intenções de investimento das companhias.

 

Fonte: Ricardo Allan - Correio Braziliense

 

29 de setembro de 2008

 

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Paraná é autorizado a exportar para UE

Prestes a completar três anos da descoberta em seu território de focos de febre aftosa que até hoje não foram comprovados, o Paraná teve ontem sua primeira fazenda habilitada a exportações de carne bovina para a União Européia (UE).
A nova lista da Comunidade Européia, divulgada ontem, agrega 33 propriedades do país como aptas a exportar e, desta vez, inclui o sítio Pelisson, de Paranavaí, no noroeste do Paraná, que tem como proprietário o médico e pecuarista Jorge Luiz Pelisson. Segundo Péricles Salazar, da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), outras três propriedades estão sendo certificadas . O Estado está ainda distante da escala necessária para atender aquele mercado (pelo menos 100 propriedades certificadas).
O rebanho do Paranáé de quase 11 milhões de cabeças e já foi responsável por 10% das exportações brasileiras do setor. Com a aftosa, as exportações caíram a quase zero, até o novo reconhecimento pela OIE - Organização Internacional de Ipizotias, no início do ano, do status de "livre de aftosa com vacinação", o que possibilitou o retorno aos negócios de comércio exterior. Em 2007, ainda em crise, o estado exportou 6, 2 mil quilos de carne bovina, com vendas de US$ 11,5 milhões, 0,6% das vendas brasileiras. Em 2008, até julho, as exportações já atingiram 13,8 mil quilos, com receita de US$ 45 milhões, 1,7% das vendas brasileiras.
O Paraná poderá enfrentar problemas de capacidade de produção, uma vez que apenas duas plantas -do JBS-Friboi e uma do Frigorífico Mercosul - estão aptas a vender para os 27 países da UE.
Com as 33 novas fazendas brasileiras, o Brasil tem agora 329 propriedades habilitadas a exportar para o bloco. Entre elas estão 13 fazendas de Minas Gerais, 10 de Goiás e nove do Mato Grosso. Minas Gerais continua líder entre os Estados que mais possuem fazendas habilitadas, com 174 propriedades. Na segunda posição vem Goiás, com 62 fazendas e em terceiro o Mato Grosso, com 55 fazendas. O Rio Grande do Sul tem 18; Espírito Santo, com 16; São Paulo, apenas três.  

 

Fonte: Norberto Staviski - Gazeta Mercantil

 

29 de setembro de 2008


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Etanol vai criar 12 milhões de empregos até 2030

Segundo a OIT, no período serão investidos US$ 630 bi em todo o mundo em projetos de energia renovável

O etanol deve criar 12 milhões de empregos no mundo até 2030, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que chama a atenção para o fato de que, no Brasil, milhares de pessoas que atuam no setor ainda sofrem com salários e condições de trabalho degradantes.
A entidade prevê uma consolidação do etanol no Brasil nos próximos anos e o surgimento de sete grandes grupos no setor no País.
Os dados fazem parte de um relatório sobre o impacto das novas tecnologias ambientais para o emprego divulgado ontem pela OIT. Energias renováveis, entre elas o etanol, vão gerar 20 milhões de empregos até 2030 no mundo.
A entidade acredita que os governos terão de buscar investimentos para incentivar a retomada da economia afetada pela crise financeira e, aposta, o setor ambiental será um dos mais relevantes. As estimativas indicam que US$ 630 bilhões em projetos serão investidos em energia renovável até 2030. Isso geraria 2,1 milhões de postos de trabalho em energia eólica e 6,3 milhões na energia solar.
O Brasil é o país com o maior número de trabalhadores no setor do etanol. Segundo a OIT, são 500 mil pessoas que dependem diretamente do produto. Nos Estados Unidos, são 312 mil e na China, 266 mil. Na Alemanha, o biodiesel gera 95 mil empregos e 10 mil na Espanha.
Em 20 anos, o número de pessoas empregadas no setor será multiplicada por dez e o Brasil continuará sendo um dos líderes. A OIT quer garantir que os novos empregos respeitem direitos trabalhistas. Uma das preocupações é o uso de trabalho semi-escravo nos canaviais. O próprio ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em Genebra, admitiu que o trabalho degradante existe no setor do etanol.
Na Europa, autoridades avaliam a criação de um selo social para o etanol, garantindo que não haverá importação de combustível produzido com trabalho degradante.
Segundo a OIT, as condições de trabalho nos canaviais não são adequadas, com falta de higiene e até violência usada pelas empresas contra trabalhadores, que ganham 30% menos que os que trabalham em usinas de etanol. Com a mecanização, um problema tem sido o desemprego dessa parcela da população. Em 1992, os cortadores de cana eram 620 mil. Em 2008, não devem superar 300 mil.

CONSOLIDAÇÃO
A OIT estima que haverá uma consolidação do setor do etanol nos próximos anos no Brasil. Hoje, são 250 empresas e, segundo a entidade, as aquisições podem fazer com que apenas sete grandes sobrevivam e se tornem potências.
Os 20 milhões de novos empregos serão superiores ao que o setor petroleiro gerará em 20 anos. A Venezuela poderá empregar 1 milhão de pessoas se aprovar lei que prevê a mistura de 10% de biocombustível na gasolina. Na Nigéria, a OIT estima que 200 mil postos de trabalho possam ser criados para o etanol. Na Índia, seriam 900 mil até 2025 em biomassa.
Os empregos não ficarão restritos à energia. No Brasil, gestão de lixo e reciclagem empregam 500 mil. Na China, 10 milhões. Na Europa e Estados Unidos, 3,5 milhões de empregos devem ser criados em tecnologias ambientais de construção.

 

Fonte: Jamil Chade - O Estado de São Paulo

 

29 de setembro de 2008

 

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Brasil é o 14º receptor global de investimentos

País fechou 2007 com o total de US$ 328 bilhões, ante US$ 37 bilhões em 1990; entre os emergentes, fica na quarta posição, segundo a ONU

Diante da corrida por recursos naturais, o Brasil ganha espaço entre os principais destinos de investimentos e, em menos de duas décadas, o estoque de capital estrangeiro se multiplicou por dez.
Dados das Nações Unidas (ONU) mostram que o País fechou 2007 com um estoque de investimentos de mais de US$ 328 bilhões. Em 1990, era de US$ 37 bilhões.
Hoje, o Brasil é o 14º maior receptor mundial de investimentos e o quatro entre os países emergentes. Em 2006, era o oitavo. A China continua na primeira posição entre os emergentes, com mais de US$ 80 bilhões em 2007. É o sexto em termos globais.
Empresários perguntados pela ONU também indicam que o Brasil é o quinto destino preferido de seus investimentos entre 2008 e 2010. Em uma pesquisa no Japão, as multinacionais indicaram que o Brasil seria o sétimo país mais atrativo.
No geral, os investimentos no País aumentaram em 84% entre 2006 e 2007, uma das maiores taxas do mundo. O interesse pelo Brasil, segundo a ONU, deve ser entendido no contexto da busca por recursos naturais, principalmente diante da demanda na Ásia. Só na mineração o Brasil viu os investimentos se multiplicar por cinco em 2007, atingindo US$ 3,3 bilhões.
Segundo o relatório da ONU, novos recordes de investimentos poderiam ocorrer em 2008. Mas a crise já afeta todas as previsões. No total, os mercados emergentes receberam US$ 500 bilhões em investimentos em 2007 e foram responsáveis por investir outros US$ 253 bilhões pelo mundo. A marca é considerada um recorde.
Em termos de investimentos brasileiros no exterior, houve uma queda brusca em 2007, passando de US$ 28 bilhões em 2006 para US$ 7 bilhões no ano passado. Com isso, os investimentos latino-americanos no exterior caíram 17%. No total, a região exportou US$ 56 bilhões em investimentos. No exterior, o estoque de investimentos brasileiros é de US$ 129 bilhões, três vezes maior que em 1990.
Apesar da queda latino-americana, os investimentos dos países emergentes atingiu um volume recorde em 2007 e as multinacionais dos mercados em desenvolvimento começam a ganhar espaço.
O Brasil ainda não tem nenhuma empresa entre as cem maiores do mundo. A Petrobrás é a 11ª maior entre os emergentes e a Vale, a 12ª. A Gerdau é a 39ª. A GE continua a maior empresa do mundo, seguida pela British Petroleum e a Toyota.

FUNDOS SOBERANOS
Outro destaque é o surgimento de fundos soberanos fazendo investimentos. As reservas desses fundos já atingem US$ 5 trilhões e começam a ser usados para aquisições, principalmente pelos governos do Golfo Pérsico. Em 1987, houve apenas uma aquisição no mundo com dinheiro desses fundos. Em 2007, foram 30. Hoje, esses fundos já investiram quase US$ 40 bilhões.
Por enquanto, a América Latina não tem sido um alvo desses fundos. Na África, porém, alguns fundos já começam a atuar na agricultura.
Alguns desses fundos atuaram em grandes bancos. No Morgan Stanley, o CIC colocou US$ 5 bilhões. Um fundo de Abu Dhab ainda colocou outros US$ 7,5 bilhões no Citigroup (Citibank). A ONU admite que esses fundos vem criando um sentimento negativo, mas alerta que o volume de investimentos é pequeno.

 

Fonte: Jamil Chade - O Estado de São Paulo

 

29 de setembro de 2008

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Brasil está na frente em regras financeiras

Sucessão de crises forçou modificações do sistema bancário brasileiro, que ficou mais eficaz

Não há mais dúvida de que o Brasil foi atingido pela crise financeira americana, com a alta do dólar, o aperto nas linhas de crédito e as perdas de grandes empresas exportadoras no mercado futuro de câmbio.
Uma vantagem, porém, o País parece ter, na opinião quase consensual dos analistas: a regulação financeira brasileira já inclui diversos dos dispositivos que apenas agora os americanos deverão adotar, para evitar novas crises sistêmicas no futuro.

Logo de saída, os economistas notam que o Banco Central (BC), ao contrário do Federal Reserve (Fed, banco central americano), tem grande abrangência nas suas atividades reguladoras e fiscalizadoras. "O BC regula quase tudo - bancos comerciais, múltiplos e de investimento, corretoras, consórcios, cooperativas", diz Rodrigo Azevedo, ex-diretor do BC e atualmente sócio e responsável pela área de pesquisa econômica da JGP, gestora de recursos com sede no Rio. É verdade que há participantes do mercado financeiro fora do guarda-chuva do BC, como fundos de pensão e seguradoras, mas nada que se compare à balcanização do sistema regulatório americano.

Sérgio Werlang, diretor executivo do Banco Itaú, acha que o Brasil está "muito à frente" dos Estados Unidos em termos de regulação financeira. Isso ocorre, segundo o economista, porque, "depois de tantas crises no Brasil, a legislação bancária sofreu muitas mudanças, e ficou muito mais eficaz".

Ele observa que, no Brasil, há uma consolidação muito forte de todas os aspectos da atuação de um conglomerado financeiro em seu balanço, incluindo até atividades não financeiras. Dessa forma, não é fácil, como nos Estados Unidos, burlar os limites de alavancagem (ativos em relação ao capital próprio) "exportando" operações para fora do balanço, com artifícios como a criação de empresas de propósito especial ou dos famigerados SIVs, a sigla em inglês para "veículos de investimentos estruturados".

DERIVATIVOS

Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do Banco Central, acrescenta que no Brasil seria difícil de se constituir o verdadeiro sistema financeiro paralelo e opaco que foi montado nos Estados Unidos, com a exportação de ativos para fora dos balanços e o intenso uso de instrumentos financeiros derivativos.

No caso, por exemplo, dos swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês), as transações eram liquidadas bilateralmente entre os bancos ou outras instituições atuantes no mercado financeiro, no chamado mercado de balcão.

Os CDS são uma espécie de seguro contra calote de bônus ou dívidas, mas, ao contrário de apólices comuns, não ficam na mão de quem corre o risco efetivo, mas circulam no mercado ao sabor das negociações entre as instituições financeiras. Uma exposição de US$ 440 bilhões a CDS foi uma das causas principais da derrocada da AIG, a gigantesca seguradora absorvida pelo Fed no dia 16 de setembro ao custo de um empréstimo de US$ 85 bilhões.

No Brasil, também há um mercado de swaps (basicamente de juros e câmbio), mas eles são registrados eletronicamente na Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F). Assim, como diz Loyola, "não há mercado de derivativos fora do escrutínio do Banco Central".

 

Fonte: O Estado de São Paulo

29 de setembro de 2008

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25% dos investimentos no Brasil são financiados com recursos do exterior

Com a crise financeira internacional esparramando prejuízos mundo afora e reduzindo o apetite dos investidores estrangeiros, um quarto dos investimentos do setor produtivo no Brasil estão na berlinda.
Segundo levantamento de Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, 25% dos investimentos realizados no país são financiados por recursos vindos do exterior.
Apesar de, nos últimos dias, o governo ter elevado a capacidade de empréstimos do BNDES e liberado mais dinheiro para os bancos, os empresários não crêem que será possível manter, no médio prazo, o ritmo atual de expansão dos investimentos sem as linhas de fora.
Nos últimos cinco trimestres, o investimento produtivo cresce a taxas superiores a 14%. Entre abril e junho, o aumento chegou a 16,2%, fazendo com que o volume total alcançasse 18,7% do PIB -uma façanha para o Brasil desde 2000.
Segundo Almeida, pesquisa com empresas revela que metade dos investimentos no país é feita com recursos próprios, 25% com apoio do BNDES e outras fontes internas e o restante com dinheiro externo.
"O momento é de cautela, análise e observação", diz Amarílio Macelo, presidente da empresa do ramo de alimentos J.Macedo S.A. Para ele, "é grande a probabilidade de os investimentos entrarem num ritmo mais lento ou serem adiados". Isso porque, argumenta, o empresário olha para a frente e não consegue saber se o mundo "sairá dessa crise em 2009, ou se ela passará para 2010".
No curto prazo, o que dá certo alento ao governo é que a construção civil, responsável por 40% da taxa de investimento, tem condições de manter o ritmo ainda elevado. Isso, avaliam os técnicos do governo, é fundamental para evitar a contaminação das expectativas.
Nos últimos dois anos, as empresas do setor da construção civil aproveitaram o bom momento mundial e lançaram ações no mercado, que foram vendidas para estrangeiros.
Com isso, diz José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), estão capitalizadas para garantir os projetos já em andamento pelos próximos três anos (o ciclo padrão do setor). "Porém, se as turbulências externas afetarem o nível de atividade econômica no país, aí será ruim."
Segundo Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base), "a crise vai pegar todos em algum grau".
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, não tem esperanças de que as empresas consigam manter o atual nível de investimento.
"Alguns analistas já falam em crescimento do investimento de 8%. Ainda é cedo para saber se vai haver uma desaceleração dessa magnitude. Mas que vai haver retração dos investimentos, isso é indiscutível."

 

Fonte: Sheila DAmorim e Juliana Rocha

29 de setembro de 2008

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Brasil está forte, mas deve passar por acomodação

Presidente do BC diz que intervenções no câmbio e na liquidez dos bancos podem voltar a ocorrer e defende que relação dívida/PIB siga trajetória cadente
Na pior semana até aqui na crise financeira dos EUA, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comandou duas intervenções no mercado brasileiro: injetou liquidez para socorrer bancos médios e vendeu dólares para conter a alta da moeda americana.
Ele diz que as intervenções não têm ligação com a política monetária, foram "adequadas", e podem voltar a ocorrer. "Não devemos confundir isso [política monetária] com a gestão de liquidez", afirma.
Para Meirelles, o ponto mais fraco do país, neste momento, é a falta de liquidez causada pela brutal contração do mercado de crédito global.
Mas repete seu mantra de que o Brasil está muito mais forte para enfrentar a crise externa. Admite, porém, que a economia do país passará por processo de "acomodação da atividade", eufemismo para prever um crescimento menor em 2009.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista, concedida por telefone, na sexta-feira.
FOLHA - Nesta semana, o BC injetou reais na economia com a redução dos depósitos compulsórios e voltou a vender US$ 500 milhões. A crise chegou com mais força?
HENRIQUE MEIRELLES - A crise financeira, pela primeira vez nos anos recentes centrada nos Estados Unidos e não nos mercados emergentes, é de fato severa. E tem tido repercussão sobre a disponibilidade de crédito e as condições de liquidez em diversas economias. O Brasil, por estar inserido nas correntes financeiras internacionais, não está totalmente isolado desse desenvolvimento. Entretanto, cabe notar que, com as políticas adotadas nos últimos anos, com o aumento das reservas internacionais e a eliminação da dívida interna dolarizada, foi reduzida substancialmente a nossa vulnerabilidade a esses períodos de estresse.
FOLHA - E as perdas registradas por empresas como Sadia e Aracruz? Há risco de um contágio maior no Brasil, no setor exportador?
MEIRELLES - Os episódios me parecem pontuais. Essas empresas perderam em razão de estarem em posição de derivativos que geravam prejuízos com a depreciação do real. No entanto, de uma forma geral, os exportadores tendem a ser beneficiados com a queda do real.
FOLHA - Outras empresas não podem estar na mesma situação?
MEIRELLES - Algumas empresas podem ter posições em derivativos que geram prejuízos pontuais e específicos, mas não significa uma tendência.
FOLHA - Qual a maior preocupação do BC: a inflação, a taxa de câmbio ou a solidez do sistema bancário?
MEIRELLES - O Banco Central tem como missão fundamental manter a inflação consistente com a trajetória de metas e manter a solidez do sistema financeiro nacional. Ambas são prioridades.
FOLHA - Qual está mais ameaçada?
MEIRELLES - A solidez do sistema financeiro brasileiro não está ameaçada por uma restrição de liquidez. Ela existe em razão dos fundamentos do sistema, que está bem capitalizado. As perdas de crédito, de acordo com os indicadores, não mostram avanços significativos, portanto é uma situação completamente diferente da dos EUA, em que existem prejuízos substanciais no sistema. O que existe é uma restrição de liquidez no Brasil, como no mundo todo, em razão da crise do sistema bancário americano, uma redução da liquidez das linhas externas em dólares. E o Banco Central está tomando medidas para fazer com que as condições de liquidez voltem à normalidade, seja em dólares ou em reais. Quanto à inflação, o Banco Central tem como meta trazê-la para 4,5% em 2009.
FOLHA - As últimas medidas do BC indicam mudança na avaliação do cenário econômico capaz de alterar o ritmo da política monetária?
MEIRELLES - Existe uma evolução na condução da política monetária, cambial e de gestão de liquidez no mundo de maneira a diferenciar os diversos instrumentos e suas finalidades. Política monetária visa controlar a inflação com seu instrumento fundamental que é a taxa de juros base. Não devemos confundir isso com a gestão de liquidez.
FOLHA - Mas a crise no Brasil atingiu bancos pequenos, por exemplo. As medidas adotadas são suficientes para que eles voltem a captar recursos no mercado a custo razoável?
MEIRELLES - Nós tomamos medidas de liquidez em dólares em razão da restrição da oferta de linhas de crédito em dólares.
E em reais em virtude de ser o real a contrapartida dessas operações em dólares. Dentro da nossa avaliação, as medidas são adequadas, mas estaremos sempre monitorando os mercados e preparados para tomar qualquer medida para manter o bom funcionamento.
FOLHA - O sr. acha que o país vai crescer menos em 2009?
MEIRELLES - É natural que, num contexto de desaceleração do crescimento mundial, a economia brasileira passe também por alguma acomodação da atividade. No entanto, temos que apontar que as políticas da redução da vulnerabilidade a choques externos têm tido êxito. Em outras palavras, embora pouco sincronizado, nosso ciclo não é totalmente independente do das economias maduras. Isso não significa que devemos esperar uma interrupção da expansão da economia em função dos eventos externos.
FOLHA - Mas uma redução de ritmo é esperada?
MEIRELLES - Uma acomodação é natural.
FOLHA - Isso ajuda o Banco Central no combate à inflação? MEIRELLES - Na reunião do Copom levamos em conta uma série de fatores, inclusive esse.
FOLHA - Qual seria o nosso ponto frágil hoje?
MEIRELLES - Olha, hoje o maior ponto de atenção não só do Brasil como de todos os países são as condições de liquidez do sistema financeiro internacional. Por isso, estamos atentos, tomando medidas necessárias, mas felizmente nossos fundamentos da economia estão sólidos e temos reservas internacionais elevadas.
FOLHA - O que o governo brasileiro pode fazer para contornar as restrições de crédito externo?
MEIRELLES - Vai depender dos termos desse plano de recuperação de ativos do governo americano. É um pouco prematuro. À medida que esse plano funcione, a retomada do crédito internacional pode ser gradual e acontecer em maior ou menor velocidade. O Brasil está em condições extremamente favoráveis e com isso pode ter conseqüências menores do que outros países, principalmente porque o mercado interno está forte. Agora, evidentemente, ninguém está imune, não se trata de minimizar uma crise internacional que é severa.
FOLHA - O sr. acha que o governo deveria reduzir gastos?
MEIRELLES - É importante, não há dúvida, que o superávit primário [economia do governo para pagar juros da dívida pública] seja mantido, e as metas sejam cumpridas, de maneira que a relação de dívida pública sobre produto siga cadente.
FOLHA - O sr. esteve em Nova York na semana passada e vem conversando com os presidentes dos principais BCs do mundo. O que o sr. tem ouvido deles?
MEIRELLES - São avaliações diferentes, dependendo de cada país. Uma das coisas que temos mencionado é que não se faz política monetária por analogia. Cada país está fazendo sua política monetária ou de gestão de liquidez de acordo com suas questões específicas.
FOLHA - Onde essa crise vai parar? Quem falhou?
MEIRELLES - Hoje, em retrospectiva, vê-se que medidas prudenciais poderiam ter sido adotadas e certamente serão adotadas no futuro visando evitar o grau de endividamento excessivo e de exposição excessivo de instituições financeiras. Não existe instituição financeira invulnerável. Por maior e mais poderosa que seja. Gestões prudenciais são sempre absolutamente necessárias para manter a saúde dessas instituições.
Não há dúvida de que o sistema americano estava desequilibrado e que seria necessário um ajuste. Sua dimensão e severidade não eram previstas.

 

Fonte: Sérgio Mabergier, editor de Dinheiro e Valdo Cruz. - Folha de São Paulo

 

29 de setembro de 2008

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Empresas com apoio da Apex exportam US$ 8,8 bilhões

 

De janeiro a junho desse ano as empresas participantes dos projetos da Apex-Brasil exportaram US$ 8,8 bilhões. A meta deste indicador para 2008 é de US$ 11,9 bilhões, ou seja, em 6 meses de trabalho foi alcançado 73,7% do previsto.Em comparação com 2007, isso representa um crescimento de 11,63%.

O número de empresas apoiadas pela Agência também cresceu. No primeiro semestre de 2008, eram 4.973 empresas apoiadas por meio de Projetos Setoriais Integrados (PSI) e ações institucionais de divulgação de imagem, além de grandes Feiras. Isso é, um aumento de 30,8% em relação ao mesmo período de 2007.

Para cada US$ 1,00 gasto pela Apex-Brasil, foram gerados US$ 59,43 em acréscimo de exportações. A Apex também aumentou o número de setores em sua lista de projetos. No período de janeiro a junho de 2008 foram apoiados 62 setores, 24% a mais do que o número de setores atendidos no mesmo período de 2007, já seguindo os critérios da Secex. No período de janeiro a junho de 2008, a agência realizou 305 eventos, ou seja, 50,8% dos 600 eventos previstos para todo o ano.

 

Fonte: Apex-Brasil

29 de setembro de 2008

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Brasil terá etanol de segunda geração em um ano e meio

A sonhada produção do álcool de segunda geração, o combustível verde obtido a partir de resíduos como bagaço de cana-de-açúcar ou de qualquer outro vegetal, está mais próxima do que se imagina. Quem garante é o presidente para a América Latina da dinamarqueza Novozymes , Pedro Luiz Fernandes. Para ele, "dentro de um ano e meio o país poderá iniciar a produção deste tipo de álcool em escala comercial".
No ano passado, em 13 de setembro, a Novozymes, maior produtora de enzimas industriais do mundo, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de São Paulo, assinaram acordo para selecionar a enzima mais adequada para a hidrólise do bagaço da cana-de-açúcar entre os organismos existentes no acervo da empresa. Com essa tecnologia, o Brasil poderá triplicar a produção de etanol sem necessidade de ocupar novas áreas agrícolas. A sede da empresa na América Latina é em Araucária (PR) e, ao final do projeto, ela vai comercializar as enzimas capazes de hidrolisar o bagaço de cana.
"Nós já encontramos o que em química se costuma denominar "mistura óptima". Desde a assinatura do acordo, a pesquisa evoluiu para a utilização de dois tipos de enzimas e estamos na etapa em que estudamos se a melhor forma é utilizar uma enzima em cada etapa de produção ou uma associação das duas", informou. Segundo Fernandes., a tecnologia da empresa aponta para uma solução, cujo custo será inferior ao da produção de álcool a partir do açúcar. "Com certeza, na medida que ganhar escala, o álcool de celulose será mais barato que o produto atual".
A Novozymes está fazendo esta pesquisa em escala mundial porque os Estados Unidos tem o mesmo interesse de produzir o álcool de celulose a partir dos resíduos do milho. São mais de 110 cientistas envolvidos na sede da empresa na Europa, nos EUA (empresa tem parceria com a Universidade de Washington) e no Brasil. "Pelo que tem de biomassa, o Brasil é o player do futuro neste tipo de combustível", disse o presidente.
Fernandes adiantou também que a Novozymes está prestes a assinar um acordo de fornecimento dessas enzimas para a produção em escala piloto "com uma grande empresa brasileira". Sabe-se que a Petrobras está pesquisando essa tecnologia assim como pelo menos três universidades brasileiras. A importância de se dominar o processo fez a CTC procurar a Novozymes para fazer o acordo que foi assinado simbolicamente pelo presidente Lula numa viagem à Dinamarca no ano passado. Técnicamente, a hidrólise é o processo que busca extrair glicose do material celulósico para que, depois, se possa obter etanol por fermentação. Como todos os vegetais contêm celulose, quem dominar o processo poderá produzir etanol de quaisquer resíduos agrícolas ou florestais como palha de milho, de trigo e cavacos de madeira. O bagaço de cana, por exemplo, contém ainda um terço da energia armazenada na planta.. Sobre os direitos de propriedade intelectual da pesquisa, a Novozyme informa que serão compartilhados entre os parceiros, mas não há governos envolvidos.
Além da Nonozymes, o Brasil está procurando por estas enzimas através do Programa Bioetanol, projeto nacional financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que estuda o processo de hidrólise enzimática. Com isso se pode antever que, no futuro, poderão existir dois ou três fornecedores dessa tecnologia. Mas só a escala comercial é que apontará as melhores enzimas.
Processos diferentes
A Novozymes pesquisa um processo para hidrólise diferente do caminho escolhido pelos 150 cientistas brasileiros envolvidos no Projeto Bioetanol. A empresa utiliza um processo de pré-tratamento do bagaço chamado de oxidação alcalina úmida, que retira a lignina - material resistente que recobre os organismos vegetais e é um protetor das plantas contra estresses, em especial mecânicos - e as pentoses (açúcares de cinco carbonos, que não são usados ainda para produção de etanol porque não há microorganismo que os fermente). No Brasil, usa-se como pré-tratamento a explosão a vapor, já conhecida e aplicada pelas usinas que utilizam o bagaço para fazer ração para gado - processo não tão eficiente quanto o de oxidação.
O país escolheu o processo de explosão a vapor para pré-tratamento porque ele é dominado pelas usinas, o que em tese facilitaria a adoção mais imediata da tecnologia. Afora a Novozymes e o CTC, no Brasil se conhece uma outra iniciativa empresarial voltada para o processo de hidrólise enzimática comercial - a da empresa de biotecnologia Biocell, financiada pela Votorantim Ventures, fundo de capital de risco do Grupo Votorantim que trabalha em parceria com a Bioenzimas, situada em Caruaru (PE), que produz enzimas utilizadas no processo de confecção de roupas jeans, para dar um efeito de ''lavagem'', no produto.

 

Fonte: Norberto Staviski - Gazeta Mercantil

 

29 de setembro de 2008

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Crise não afetará investimentos da Petrobrás

Estatal tem capacidade financeira para garantir os custos iniciais

A crise de liquidez no mercado internacional não deverá contaminar os investimentos da Petrobrás na exploração das novas reservas de petróleo. Na avaliação do analista do UBS Pactual Gustavo Gattass, a capacidade financeira da estatal é suficiente para garantir, pelo menos, os investimentos iniciais nos novos campos (Tupi, Júpiter e Carioca), sem recorrer ao mercado externo.

"Os US$ 600 bilhões de investimentos levam em consideração parcerias da Petrobrás com outras empresas, áreas só da Petrobrás e reservas que ainda estão nas mãos do governo. Quando penso de onde tirar esse dinheiro, acho que a primeira fonte é a capacidade de geração da Petrobrás", explica o analista.

Ele pondera, no entanto, que, se o preço do barril do petróleo caísse para US$ 35, esse plano ficaria mais difícil. "Mas, se ficar em US$ 100, a Petrobrás tem capacidade para fazer muita coisa, especialmente se imaginar que esses investimentos serão feitos ao longo dos anos."

CAPITALIZAÇÃO

De qualquer forma, a possível capitalização da empresa que estaria sendo estudada pelo governo é muito bem-vinda. Para o ex-presidente da Petrobrás e atual diretor da OGX (empresa de Eike Batista)Francisco Gros, todo e qualquer esforço para fortalecer a estatal faz sentido. "Em qualquer cenário, a empresa será o principal agente de exploração das novas reservas. Enfraquecê-la seria um tiro no pé", argumentou o executivo.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) diz que o caminho será a unitização - um gerenciamento compartilhado entre as concessionárias em casos de a extensão dos reservatórios ser maior que os limites licitados. Isso porque não se sabe ainda se nas áreas concedidas existe um único campo contínuo. Nesse caso, a União teria direito a uma parte da exploração referente a áreas limítrofes a esses blocos que ainda não foram licitadas.

"Para acelerar o processo de exploração, o governo deveria incorporar esses reservatórios como ativos da Petrobrás. Com isso, vamos alavancar a capacidade financeira da estatal, que tem um plano de investimento de US$ 112 bilhões em quatro anos, sem contar o pré-sal", afirmou o senador.

Nesse caso, a União aumentaria a sua participação na empresa e os minoritários passariam a ter uma fração menor da companhia. Segundo Mercadante, se esses acionistas quiserem manter sua participação inalterada, terão de pôr mais dinheiro na empresa. Aquele que não quiser, terá uma fração menor de uma empresa muito mais forte, argumentou o senador.

"De qualquer forma, não haverá nenhum prejuízo para os investidores da estatal. Pelo contrário, essa medida vai aumentar a capacidade da Petrobrás de se financiar e aumentar os recursos financeiros para manter investimentos em refinarias, dutos e gasodutos, substituição de importação e no pré-sal."

 

Fonte: O Estado de São Paulo

 

26 de setembro de 2008

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Barreiras à carne não impedem avanço de vendas brasileiras de alimentos à UE

Ainda que enfrente atualmente restrições em um segmento importante como o de carne bovina, o Brasil tem potencial para seguir competitivo no mercado europeu, ampliando suas exportações de alimentos e bebidas para os países do continente. Essa é a conclusão de Maria Paula Sobral Velloso e Sophia Costa, respectivamente, gestora de projetos e assistente técnica da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex).
O estudo sobre as "Oportunidades para Alimentos e Bebidas na União Européia", elaborado pela Unidade de Inteligência Comercial da Apex-Brasil, da qual fazem parte, mostra que, no ano passado, as exportações brasileiras de alimentos e bebidas para a UE alcançaram US$ 14,3 bilhões, um aumento de 34% em comparação com 2006. Naquele ano, os principais destinos dos produtos brasileiros foram os Países Baixos, Alemanha e Espanha, que corresponderam a 53% do total.
O estudo, que foca a Europa por conta do Salão Internacional de Alimentação (Sial), que será realizado em outubro em Paris, destaca também o avanço das vendas brasileiras para o Leste Europeu, sobretudo à Rússia. Em 2007, o mercado russo importou US$ 3,2 bilhões em alimentos e bebidas brasileiros.
Maria Paula e Sophia apontam como fatores que podem favorecer as exportações brasileiras o aumento da renda e da qualidade de vida, a globalização e a exposição a uma variedade maior de alimentos e bebidas e a forte penetração das grandes redes varejistas. Outra tendência vista é a preocupação com a saúde, afirmam as autoras do estudo, o que abriria espaço para o aumento da venda de carnes brancas e de produtos orgânicos.
Para continuar ampliando as vendas, a recomendação da Apex é que as empresas brasileiras inovem, agreguem valor e busquem nichos específicos.
Mesmo com as vendas de carne bovina brasileira para a UE - onde aumentam as preocupações ambientais e de sanidade - limitadas neste ano, o estudo destaca o aumento das vendas do produto para a Rússia, que comprou 91% mais em valor, entre janeiro e agosto deste ano. Essa alta decorreu, segundo Maria Paula, da valorização dos preços internacionais por conta da menor oferta de produto.
Entre 2002 e 2007, a taxa de crescimento médio anual das importações de carne bovina brasileira pela Rússia foi de 84%. No segmento de aves, as vendas brasileiras alcançaram US$ 5 bilhões em 2007, 45% mais que no anterior. De acordo com Sophia Costa, há potencial para elevar as vendas de frango para a Europa por conta da tendência de hábitos alimentares mais saudáveis.
No caso de frutas e processados de frutas, as exportações brasileiras totalizaram US$ 3,3 bilhões em 2007, um crescimento de 45% em relação ao ano anterior e 125% acima de 2002. Desse valor, foram 28% em frutas e 78% em sucos de frutas. Conforme o estudo, em 2007, a União Européia foi o destino de aproximadamente 64% do total exportado pelo Brasil de sucos de frutas.
Sophia Costa observa que a preocupação com a saúde e o bem-estar também favorece o consumo de produtos orgânicos. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações mensais de produtos orgânicos do Brasil, de agosto de 2006 a maio de 2008, somaram US$ 22,4 milhões em todo o período. E os principais destinos na Europa foram Holanda, Suécia, Reino Unido, França e Dinamarca.
Mesmo perdendo participação em alguns mercados para o seu concorrente Vietnã, o Brasil tem espaço para elevar as vendas de café na Europa, segundo Maria Paula, principalmente dos cafés com mais qualidade. No ano passado, segundo o estudo, as exportações totais do Brasil (café verde e processado) somaram US$ 3,9 bilhões, um aumento de 15,7% em relação a 2006.
Também em produtos menos tradicionais na pauta de exportação brasileira, como vinhos e vermutes, o avanço salta aos olhos. Em comparação com 2006, as vendas externas totais brasileiras subiram 31%, para US$ 9,8 milhões. Em relação ao desempenho de 2002, o avanço foi de 288%.
"A Europa é um mercado de mais difícil acesso, mas as vendas vêm aumentando nos últimos cinco anos", diz Maria Paula. Em 2007, de acordo com o levantamento, os principais destinos das exportações brasileiras desses itens na União Européia foram Países Baixos, Alemanha, República Tcheca e Portugal.
Outro segmento com potencial positivo - apesar de ainda pequeno - é o de chocolates, balas e confeitos. Em 2007, as vendas externas totais do Brasil foram de US$ 297,9 milhões (2,1% menores que em 2006). Como o mercado europeu é bastante competitivo, Sophia defende que as empresas brasileiras do setor recorram à diferenciação, como o uso de castanhas típicas no chocolate, para vender mais à Europa. Segundo o estudo, a União Européia Ocidental é a região que mais consome chocolates, balas e confeitos no mundo. Em 2007, consumiu 3,8 milhões de toneladas desses produtos, ou 28% do total consumido no mundo. A Espanha é onde mais cresce esse consumo e também onde o produto brasileiro ganha espaço. Segundo a Apex, as exportações brasileiras atingiram US$ 1,75 milhão, 42% mais que em 2006 e 763% maior que em 2002.

 

Fonte: Alda do Amaral Rocha, de São Paulo - Valor Econômico


29 de setembro de 2008

 

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Petrobras vai investir sem recorrer a crédito no exterior

A Petrobras tem fôlego para manter investimentos de US$ 60 bilhões sem recorrer a empréstimos neste ano. Uma fonte de alto escalão da companhia revela que a empresa pode adiar para 2009 as captações planejadas antes da crise. Dos US$ 5 bilhões que a companhia planejava captar em 2008, mais da metade já foi realizada. Cerca de US$ 2 bilhões devem ficar para depois, quando o mercado acalmar. "No curto prazo, a Petrobras não depende de captações, pois o trabalho de exploração do pré-sal vai começar em 2012, 2013. O pesado das captações deve começar em quatro anos", afirmou
o executivo à Gazeta Mercantil.
Um dos argumentos que reforçam a tese de independência financeira da empresa neste momento está no tamanho da produção: são mais de dois milhões de barris de petróleo por dia. O crescimento acelerado das reservas de petróleo e gás da empresa também a colocam em situação confortável, já que acontece justamente o oposto na maioria das petroleiras de capital aberto no mundo. "É a única no mundo com tantos projetos e tanto potencial de acúmulo de reservas", disse. Outra carta na manga, segundo a fonte, é o portfólio diversificado da petroleira, que passou a mirar projetos de gás e energia nos últimos anos.

 

Fonte: Sabrina Lorenzi - Gazeta Mercantil

30 de setembro de 2008

 

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Governo vai jogar mais dinheiro na economia

O governo federal está estudando, com toda a urgência, a adoção de novas medidas para aumentar a liquidez no mercado, de forma a se antecipar à possibilidade de que a secura global de crédito provoque dificuldades para as exportações brasileiras, 50% das quais são financiadas. Na semana passada, o Banco Central já mexera nos compulsórios para liberar recursos para créditos.
A decisão de agir preventivamente foi tomada ontem durante a reunião de uma espécie de gabinete de emergência, formado pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, e por um representante do Ministério da Agricultura, já que o titular, Reinhold Stephanes, está viajando.
A reunião foi antes de a Câmara de Representantes dos Estados Unidos rejeitar o pacote de socorro aos mercados, o que desatou pânico nas Bolsas do mundo todo e também nos mercados cambiais. Mesmo assim, o encontro, chefiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, serviu para demonstrar que, embora a situação da economia brasileira esteja "bastante normal", segundo Mantega, já há razões para preocupações mais intensas.
A maior delas está justamente no desempenho das exportações. Primeiro, a falta de liquidez no mercado internacional já elevou o custo dos financiamentos para empresas brasileiras. Segundo, como a metade exata das exportações depende de financiamentos, o risco de que a iliquidez persista e até aumente, levou o presidente a pedir a seus ministros que ajam preventivamente. "Não podemos correr atrás do prejuízo", chegou a dizer Lula.
Ainda mais que, na avaliação do MDIC, as exportações estão aumentando apenas por causa da elevação dos preços, porque a quantidade varia muito pouco. "Se a quantidade não está subindo, passa a ser problema", ouviu a Folha de técnicos do MDIC. Segundo eventual problema mencionado na reunião: como a China depende bastante do mercado norte-americano para suas exportações, a desaceleração nos Estados Unidos fará com que os chineses busquem agressivamente outros mercados, o que pode deslocar a produção brasileira.
Os ministros Miguel Jorge e Guido Mantega relataram ao presidente, conforme a Folha apurou, que, até agora, o monitoramento que vêm fazendo das empresas não indica problemas sérios de liquidez.
Os dois casos já registrados e noticiados (Sadia e Aracruz) são considerados pontuais.
Já o Ministério da Agricultura relatou outro tipo de dificuldade: como são meia dúzia de grandes "tradings" as grandes agentes do setor, não há problemas de financiamento, mas já há uma retração por conta da queda de preços de algumas commodities agrícolas.
O presidente do Banco Central, por sua vez, falou da "preocupação" com o fato de que a crise atravessou o oceano e bateu forte na Europa, com a desconfiança em entidades bancárias e financeiras que forçou intervenções em instituições do Reino Unido, Bélgica/Holanda/Luxemburgo, Alemanha e até da Islândia.
Ao término da reunião, formou-se uma espécie de Grupo de Trabalho informal composto pelos ministérios representados ontem (mais, obviamente, o Banco Central) para apresentar "o mais rapidamente possível" uma lista de medidas para o presidente. É claro que o agravamento da crise externa, imediatamente após o encerramento da reunião no Planalto, tende a fazer com que a pressa seja ainda maior.

 

Fonte: Clóvis Rossi, colunista da Folha - Folha de São Paulo

 

30 de setembro de 2008

 

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Embraer com US$ 6,5 bilhões

A Embraer mantém projeção de atingir faturamento de US$ 6,5 bilhões em 2008 e de US$ 7,1 bilhões em 2009. A estimativa se baseia numa previsão de entrega neste ano entre 195 e 200 jatos para aviação comercial, aviação executiva e os segmentos de defesa e de governo, mais 10 a 15 jatos Phenom 100. Em 2009, a Embraer espera entregar entre 195 e 200 jatos, mais 120 a 150 Phenom. O presidente da empresa, Frederico Curado, comenta que embora a fabricante de aviões não tenha sentido o impacto da turbulência financeira, já se notam sinais de que o financiamento aos clientes está se tornando escasso. Ele informou também que a companhia não planeja novas demissões, depois de ter eliminado 250 postos de trabalho em agosto, como parte de uma reestruturação.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

30 de setembro de 2008

 

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Pacote para exportador é urgente, diz Miguel Jorge

Presidente Lula receberá proposta de nova linha de crédito até o fim da próxima semana

As medidas para ampliar a oferta de crédito aos exportadores devem ser apresentadas ao presidente Lula até o fim da próxima semana, informou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. "O presidente vai decidir se quer que elas sejam implementadas imediatamente e, na minha opinião, elas devem ser."
O objetivo, como informou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é garantir recursos para o setor, mas não a qualquer preço. "Não quer dizer que não vamos pedir garantias e as taxas serão as que tiverem de ser", disse Bernardo.
Segundo Jorge, o governo quer agir preventivamente porque metade das exportações brasileiras - cerca de US$ 100 bilhões - depende de financiamento. No entanto, ele comentou que a crise ainda "não está forte" para os exportadores, apesar das restrições de crédito no mercado externo. "Há possibilidade de secarem os financiamentos ou ficarem mais caros. Antes que ocorra, temos de estar preparados. Devemos ter medidas para implementar agora ou para ficarem na prateleira", disse Jorge.
Ele defende criatividade nas medidas, que estão em análise num grupo de trabalho formado pelo seu ministério, o da Fazenda e o Banco Central (BC). O desafio é apontar alternativas além das tradicionais, como a ampliação dos recursos ao Programa de Financiamento das Exportações (Proex) e às operações de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC). "Teremos de trabalhar com coisas não óbvias numa crise como essa, que é nova, diferente", disse Jorge.
Segundo Bernardo, os recursos ao setor exportador serão adicionais aos que o BC já está oferecendo nos leilões de dólares com compromisso de recompra. "Vamos tentar, tanto quanto possível, garantir recursos ao setor." Ele considerou "perigosa" a proposta de formar a linha de crédito a exportadores com recursos das reservas cambiais. Para o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que também participa dos estudos, qualquer solução depende do Banco Central.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, que já foi diretor de Assuntos Internacionais do BC, defende, por exemplo, leilões de dólares como os que o BC já vem fazendo, mas direcionado especificamente aos exportadores. Outra opção é depositar os dólares das reservas no Banco do Brasil no exterior. Com maior suporte financeiro, o banco abre mais linhas aos exportadores.

Fonte: Renata Veríssimo e Lu Aiko Otta, Brasília - O Estado de São Paulo

 

01 de outubro de 2008

 

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Brasil assina convênio de cooperação com União Européia

 

"Apoio aos Diálogos Setoriais: Brasil-União Européia"prevê investimentos de 9,13 milhões de euros.

 

Brasília - O projeto "Apoio aos Diálogos Setoriais: Brasil-União Européia", assinado hoje (1º) no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, prevê investimentos de 9,13 milhões de euros (cerca de R$ 24,6 milhões na cotação de hoje) até 2013 em programas de desenvolvimento territorial, política social e sustentabilidade ambiental.

O convênio foi assinado pelo ministro Paulo Bernardo e por representantes da União Européia, no início da tarde. O ministro salientou que o novo acordo coloca o Brasil na condição de "parceiro estratégico" do bloco europeu, no mesmo nível de relacionamento da Europa com Estados Unidos, Rússia, China, Canadá, Japão e Índia.

O objetivo da parceria, segundo Paulo Bernardo, é promover troca de experiências entre grupos de trabalho brasileiros e europeus voltados à igualdade de gênero, direitos humanos e boa governança, entre outros desafios de importância regional e global.

A fase piloto do projeto "Apoio aos Diálogos Setoriais: Brasil-União Européia" vai absorver aproximadamente R$ 8,35 milhões até 2010, sendo dois terços dos recursos externos e o restante de contrapartida do Ministério do Planejamento e de ministérios parceiros, como Integração Nacional, do Desenvolvimento Social e da Previdência Social.

A relação Brasil-UE se intensificou do ano passado para cá com discussões conjuntas sobre mudança climática, pobreza e energia, durante encontros realizados em Lisboa, Bruxelas e Brasília, e agora começa a dar frutos com a troca de experiências e assistência técnica especializada nos dois sentidos.

 

Fonte: Portugal Digital (www.portugaldigital.com.br)

06 de outubro de 2008

 

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Reuniu-se em Lisboa o Board de EUBrasil

 

Reuniu-se em Lisboa o Board de EUBrasil, a associação européia sediada em Bruxellas que promove as relações econômicas, institucionais e culturais entre Europa e o Brasil.

"A riunião da Direção de EUBrasil em Lisboa -afirma Luigi Gambardella, Presidente de EUBrasil- teve para nós um signficado muito particular.  E foi um modo para sublinhar o papel e a importância de Portugal e do  mundo econômico português nas relações entre a Europa e o Brasil". "Estamos comprometidos - continua Roberto Vecchi , Vicepresidente de EUBrasil - para fortalecer a presença do mundo econômico, institucional e cultural português na associação. A história e os elos culturais entre Portugal e o Brasil  são consistentes e mostram um potencial ainda só parcialmente explorado". "A presença em Lisboa proporcionou também a ocasião do encontro com António Alfaiate Diretor Geral da AIP e com a diretoria de Portugal Telecom. Na pauta da direção do grupo, os projetos que se relacionam com a  atual fase de desenvolvimento do diálogo entre as duas partes.  Os próximos meses serão decisivos para a definição de uma nova fase de  cooperação, depois das "provas de diálogo" desses últimos meses. De fato, uma série densa de encontros com diferentes focalizações emáticas, preparará a 2ª Cimeira UE-Brasil de 22 de Dezembro no Rio de Janeiro, um encontro que representa uma oportunidade relevante para reforçar os vínculos entre as duas partes. A delegação brasileira será liderada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A União Européia será representada pelo Presidente da República francesa, Nicolas Sarkozy, na sua condição de Presidente do Conselho Europeu, e pelo Presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso. A associação EuBrasil resolveu avançar no programa de iniciativas preparatórias, como por exemplo a pesquisa sobre o intercâmbio entre Europa e o Brasil, que devem servir como instrumento de dinamização das relações bilaterias.

 

07 de outubro de 2008

 

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Brasil pede para a OMC examinar falta de crédito para exportadores

O Brasil decidiu acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para examinar o impacto da crise financeira internacional e buscar alternativas à atual retração de financiamento para os exportadores. A iniciativa brasileira é sem precedentes e ocorre em meio à constatação de que os grandes bancos internacionais enxugaram o crédito de curto prazo para as exportações, apesar de os países em desenvolvimento estarem entre os melhores pagadores.

Em documento submetido aos outros 151 países membros da OMC, o país sugere que a entidade inicie contatos inclusive com os bancos privados, a fim de avaliar o "real impacto do aperto de crédito sobre o financiamento ao comércio e ver alternativas para mitigar o problema".

Também pela primeira vez, o Brasil se posiciona publicamente contra a total implementação do Acordo de Basiléia 2, pelo qual os bancos terão de manter mais capital em proporção do risco dos ativos. Para o Brasil, essas regras são positivas. Só que, no atual aperto global de crédito, podem ter efeitos ainda mais negativos no fluxo do comércio global, em vez de aumentar a estabilidade do sistema financeiro.

"Essa crise financeira é provocada pelos países industrializados, mas tem impacto nos países em desenvolvimento, em particular no comércio e essa discussão precisa ser feita", afirmou o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo.

No documento enviado ontem aos outros países, o Brasil observa que, com a instabilidade dos mercados financeiros desde agosto de 2007, o sistema multilateral de comércio tem atuado como um "absorvedor de choques", com regulamentações vagas ou insuficientes em particular nos sistemas financeiro e monetário "afetando inequivocamente o comércio".

O Brasil procura chamar a atenção para uma situação paradoxal, já que um estudo da própria OMC mostra que o financiamento ao comércio é um dos modos mais seguros de crédito devido à sua curta maturidade e existência de garantia física (os produtos), por exemplo.

Só que, com o aperto de crédito global, houve uma "retirada do fornecimento de crédito (de curto prazo) pelos grandes bancos internacionais". Segundo fontes, as instituições preferem emprestar, quando o fazem, para o longo prazo, com rendimento aparentemente mais garantido.

O Brasil reclama que exportadores de países em desenvolvimento que buscam financiamento para exportação se encontram "na estranha situação" de estarem entre os que têm melhor capacidade creditícia, e portanto menos riscos, mas "incapazes" de ter acesso a crédito num cenário com percepção de alto risco. Isso provoca exigências "mais severas" por parte dos bancos ou simplesmente a resposta de que os "fundos não são mais disponíveis".

O Brasil quer que a OMC examine a crise de aperto de crédito na sua próxima reunião do Grupo de Trabalho sobre comércio, Divida e Finanças, que foi criado há anos para reforçar a coerência entre comércio internacional e finanças e salvaguardar o sistema comercial de efeitos de instabilidade financeira e monetária.

A delegação brasileira pede também para a entidade examinar a dimensão do "novo ciclo de endividamento" de países em desenvolvimento, especialmente de importadores líquidos de alimentos e de petróleo. Para o Brasil, a OMC precisa estudar como isso terá impacto no comércio regional e global.

Até agora, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, tem usado a crise financeira para insistir na importância de conclusão da Rodada Doha como uma "apólice de segurança da economia global" e para continuar a ter o papel de "absorvedor de choques".

 

Fonte: Assis Moreira, de Genebra - Valor Econômico

08 de outubro de 2008

 

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BNDES prevê crédito normal em 3 meses

Para Luciano Coutinho, presidente do banco, dólar reflete momento de grande tensão, mas não se sustenta no patamar atual

Linha de financiamento para pré-embarque vai receber recursos adicionais de R$ 5 bilhões para tentar suprir a escassez de crédito

Janaina Lage
DA SUCURSAL DO RIO

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, afirmou ontem que espera a normalização do crédito para o setor exportador em até três meses.
O banco detalhou ontem as condições da linha de financiamento para pré-embarque, que receberá recursos adicionais de R$ 5 bilhões para tentar suprir a escassez de crédito.
Coutinho destacou que o papel do banco no suporte às exportações é complementar. Uma parcela expressiva do mercado é regida por adiantamentos de contratos de câmbio (os chamados ACCs), mecanismo em que as instituições financeiras adiantam recursos ao exportador e ele se compromete a entregar divisas à instituição após o embarque da mercadoria.
O banco triplicou para US$ 150 milhões o limite de tomada de crédito para o setor de bens de consumo. O teto foi definido para evitar que uma só empresa obtenha a maior parte do montante disponível. Há também recursos para o setor de bens de capital e fabricação de caminhões e tratores.
De janeiro a agosto deste ano, o banco desembolsou cerca de US$ 3,5 bilhões para exportações. Segundo Coutinho, com a injeção extra de recursos, a estimativa para os desembolsos nessa área em 2008 passa de US$ 6 bilhões para um valor em torno de US$ 8 bilhões.

Juros maiores
Apesar da oferta maior de recursos para o setor, o banco está oferecendo empréstimos com juros mais altos. Segundo Coutinho, é um reflexo do aumento do custo para o "funding" do banco. De modo geral, o exportador pode optar entre financiamentos em real, com taxa de 15% mais "spread" (diferença entre a taxa que o banco paga para captar recursos e a que repassa ao cliente) do agente financeiro ou uma taxa de cerca de 8% mais "spread" do agente para operações em dólar. Na segunda opção, o tomador fica sujeito ao risco de variação da moeda americana.
O banco manteve a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para os empréstimos de exportações a setores de equipamentos industrias, infra-estrutura e equipamentos aeronáuticos.
Mesmo após a forte alta do dólar ontem, que fechou cotado a R$ 2,31, Coutinho afirmou que o câmbio não se sustenta no patamar atual.
"O câmbio atual está refletindo um momento de grande tensão no sistema de crédito mundial. Esse momento não pode perdurar indefinidamente, senão pode quebrar a economia mundial toda. Isso é um processo de alta tensão que em algum momento vai se resolver. A pressão está muito forte na Europa. Até o novo governo tomar posse nos Estados Unidos e ter capacidade de implementar uma política mais ampla para atacar a questão da crise financeira, ainda teremos um período de tensão financeira grande, mas não nesse patamar de gravidade", disse.

Pedidos mantidos
Segundo Coutinho, os pedidos de financiamento no banco ainda não foram afetados pela crise. Segundo Coutinho, é necessário ainda avaliar a eficácia das medidas anunciadas pelo Banco Central na segunda-feira para evitar um processo de contaminação da economia.
Coutinho ressalta ainda que é preciso considerar os efeitos de uma recessão nos países desenvolvidos, a intensidade dela e as conseqüências para o comércio internacional.
"O que parece hoje bastante realista é que, dada a gravidade da crise nos países desenvolvidos, a recuperação do sistema bancário financeiro nas economias desenvolvidas tenderá a ser um processo lento", disse.

 

Fonte: Janaina Lage - Folha de São Paulo

08 de outubro de 2008

 

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Lula vai receber homenagem

No próximo dia 13, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai à Espanha para receber o Prêmio Don Quijote de la Mancha pela implementação da Lei do Espanhol - que torna obrigatório o ensino do idioma a estudantes de ensino médio de colégios públicos e particulares. A legislação foi sancionada em 2005, com o prazo máximo de cinco anos para as escolas se adaptarem às novas normas, e será um dos temas da visita de Lula a Toledo e Madri. O Instituto Cervantes, instituição oficial de difusão da língua e cultura espanholas, anunciou que diminuirá os investimentos para 2009 em 26% em relação ao ano passado, disponibilizando 9,3 milhões de euros. O Brasil é o país que concentra mais filiais do instituto, nove ao todo.

 

Fonte: Correio Braziliense

08 de outubro de 2008

 

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Investimentos no Brasil devem diminuir

Volatilidade do câmbio faz empresas portuguesas suspenderem projetos de expansão no país
O rápido agravamento da crise externa traz incertezas sobre a perspectiva de fluxo de investimentos diretos da Europa para o Brasil.
Se até então estava claro que os diversos projetos nacionais conseguiriam atrair o capital estrangeiro sem maiores dificuldades, agora prevalece um sentimento de indefinição. A preocupação não está centrada especificamente na qualidade dos projetos e negócios brasileiros, mas sim na capacidade de financiamento das empresas européias, abatidas diretamente pelo atual momento de turbulência. Do lado nacional, o comportamento do real e das commodities será o principal ponto de análise para os potenciais interessados em entrar no país.
Para especialistas, as decisões também passarão pela escolha do momento mais adequado e por uma diferenciação setorial, já que alguns segmentos se mostrarão mais atrativos. As multinacionais com recursos em caixa ganham vantagem neste momento. "Queremos investir no Brasil, mas estamos em um impasse", afirmou um executivo de um private equity europeu que acaba de montar estrutura para entrar no país. "O momento é de avaliar a gravidade e intensidade da crise."
Segundo o executivo, que preferiu não se identificar, o grande X da questão é o câmbio, pois os recursos para os aportes já foram levantados antes da explosão da crise. Se o processo de desvalorização da moeda nacional já tiver chegado ao fim, esta é a hora de entrar. Mas, se o real sofrer nova depreciação, o investidor vai perder dinheiro. No ano passado, o Brasil recebeu a cifra recorde de US$ 34,6 bilhões em investimento externo direto (IED), superando inclusive a era das privatizações. Foi o volume mais alto da América Latina e o quarto maior entre os emergentes, atrás somente de China, Hong Kong e Rússia.
Indefinição
Em uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), antes da piora da crise nas últimas semanas, o país apareceu em quinto lugar como destino preferido dos investimentos até 2010. Enquanto os ativos financeiros são afetados diretamente pela atual turbulência e desalavancagem global, agora os últimos desdobramentos trazem indefinições para os aportes diretos, que têm como horizonte o longo prazo. Os maiores investidores do mundo são os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, países que podem entrar em recessão neste ano. O colapso de instituições financeiras nos EUA e na Europa provocou um choque de liquidez forte, reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação pelo mundo e encarecendo o crédito.
O efeito já começa a ser sentido nas empresas. Recentemente, a Energias do Brasil, subsidiária da Energias de Portugal, desistiu do projeto de térmica a carvão Pecém II e atribuiu a decisão à crise e à volatilidade do câmbio. A Companhia de Concessões Rodoviárias, que tem como parceira a portuguesa Brisa, informou que será menos agressiva nos próximos leilões de estradas. "Eu acredito que haverá impacto sobre o investimento direto no Brasil", disse a diretora regional para a América Latina da The Economist Intelligence Unit (EIU), Justine Thody. "O custo dos financiamentos será uma questão importante para os grandes projetos."
Apesar disso, o chefe da divisão de América Latina da consultoria Exclusive Analysis, Carlos Caicedo, acredita que as perspectivas de longo prazo para os investimentos diretos no Brasil continuam positivas. Ele afirmou que o sistema financeiro nacional é sólido e o governo conta com o BNDES para oferecer linhas de crédito caso os outros empréstimos sequem. Para o professor da London School of Economics and Political Science Andrés Rodríguez-Pose a América Latina pode sofrer com falta de crédito.

 

Fonte: Correio Braziliense

 

08 de outubro de 2008

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Brasil avança em índice de competitividade

O Brasil recuperou oito posições no ranking geral do Relatório Global de Competitividade (GCR) do World Economic Forum (WEF) 2008/2009, mesmo sem promover reformas estruturais que acelerassem seu crescimento. Suportado por pequenos ganhos marginais nos diversos itens avaliados e pela combinação de mercado interno em expansão, setor produtivo sofisticado e sistema financeiro sólido, o País saiu do 72º para 64º entre os 134 países analisados.
Segundo o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, "não há nenhum dos pilares avaliados em que o Brasil tenha dado um pequeno salto". De acordo com Arruda, "essa soma de migalhas fez com que o País ganhasse oito posições". O estudo avalia 12 pilares básicos de competitividade referentes a transparência das instituições, estabilidade econômica, mercado de trabalho e inovação, entre outros itensO desempenho positivo relativo a sofisticação empresarial e inovação se contrapõe às avaliações negativas quanto à macroeconomia, transparência das instituições, saúde e infra-estrutura. Esta ambivalência mostra que o Brasil repete o comportamento "imprevisível" registrado nas pesquisas anteriores. As dimensões do mercado brasileiro, a presença de empresas multinacionais que ajudaram a tornar o ambiente de negócios e tecnológico mais sofisticado e a inserção do País na cadeia produtiva internacional ajudaram a desenvolver a estrutura empresarial local, comenta Arruda. A influência da iniciativa privada na economia levou o País para a 35ª posição em sofisticação empresarial e ao 43 posto em inovação. Várias empresas brasileiras como Cia. Vale do Rio Doce (Vale) e Petrobras, usaram esta plataforma para alcançar um novo patamar, afirma Arruda.
O Brasil recuperou posições na avaliação das instituições do País e ficou em 91º lugar no ranking. Esta evolução foi atribuída principalmente ao comportamento do setor privado. As instituições públicas ainda são vistas como instáveis em relação a ética e eficiência. O estudo registrou reação em relação a estabilidade macroeconômica e deixou o País na 122 posição, distante ainda do 114 lugar de 2006. Fatores como a dívida pública elevada, baixa poupança interna e taxas de juros elevadas ainda pesam na avaliação do mercado.
De acordo com Arruda, o processo de transformação da economia brasileira é lento e o País permanece atrasado na solução de problemas de baixa complexidade como infra-estrutura, educação e saúde ."As reformas do sistema tributário e trabalhista não aconteceram", comenta o professor da Fundação Dom Cabral.
A economia brasileira foi impulsionada por pequenos ganhos de confiança e de absorção de tecnologia. "O País como um todo ganhou de 2007 a 2008 um espírito mais positivo. O governo mostrou que está na direção adequada mas não tem ritmo para fazer a transformação", afirma. Estes avanços mostram ainda que existe uma difusão de ganhos nos vários itens analisados. Esta disseminação pode indicar que o País está "na direção favorável para criar condições de crescimento sustentável".

 

Fonte: Jaime Soares de Assis  - Gazeta Mercantil

08 de outubro de 2008

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Previsão de PIB do Brasil cai, mas ultrapassa média da AL

Se confirmadas, as previsões do FMI para o crescimento da economia brasileira colocarão o país à frente da média dos países latino-americanos pela primeira vez em vários anos.
O Fundo projeta um crescimento de 5,2% do PIB neste ano e de 3,5% em 2009. Em relação à previsão feita em abril, houve corte de 0,5 ponto para o ano que vem. Para a América Latina, a média prevista de crescimento é de 4,6% em 2008 e 3,2% em 2009. As reduções decorrem da crise financeira.
O FMI afirma que os emergentes devem sofrer com a queda nas exportações (derivada de uma demanda mundial menor por commodities e manufaturados) e, mais importante, com pressões para usar reservas para defender suas moedas.
Ontem, pela primeira vez em mais de cinco anos, o Banco Central brasileiro realizou um leilão de venda de reservas para tentar trazer o dólar para baixo do pico do dia, de R$ 2,48.
Charles Collyns, economista-chefe-adjunto e especialista em Brasil no FMI, afirmou que a pressão sobre o dólar deriva do "aperto do mercado internacional de crédito".
"Eu creio que isso explica o motivo de a taxa de câmbio no Brasil estar tão pressionada. O Brasil também é um grande exportador de commodities, e está sofrendo queda na receita (em dólares) por esse lado."
Pela primeira vez em vários anos, o Brasil passou a ter em 2008 déficit em dólares nas suas transações com o resto do mundo e necessita do equivalente a cerca de 1,5% do seu PIB em recursos de fora para se financiar. Com o aperto internacional, a expectativa de alguns analistas é que o financiamento fique cada vez mais difícil, daí a tendência de alta da cotação da moeda americana.
Collyns afirmou também que a pressão cambial poderá ter impactos iniciais sobre a inflação -já que produtos importados ficarão mais caros.
A contrapartida a esse cenário, disse, é que a atividade econômica tende a se desacelerar. O país precisará importar menos, e o consumo poderá ser atendido por uma folga maior nos limites de produção das empresas locais.
Para Collyns, se esse cenário prevalecer e o dólar refluir, o Brasil terá condições até de baixar os juros para estimular sua economia.
Sem citar especificamente o Brasil, mas falando dos emergentes em geral, o economista do FMI Jörg Decressin disse que em certos momentos os países serão obrigados a usar suas reservas para conter a valorização do dólar.
"Um grande número de emergentes acumulou enormes quantidades de reservas, e fizeram isso com o propósito de afastar choques vindos dos mercados nos tempos difíceis. E é exatamente isso (usar as reservas) que esses países devem fazer quando for necessário", afirmou Decressin.
Entre os grandes emergentes, a China seguirá como o mais ativo, com crescimento previsto de 9,7% neste ano e de 9,3% no próximo -contra 11,9% em 2007.

 

Fonte: Fernando Canzian - Folha de São Paulo

08 de outubro de 2008

 

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Brasil não precisa de 'medidas drásticas', diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira não acreditar que a crise dos mercados financeiros possa atingir a economia brasileira a ponto de exigir atitudes radicais.

"Não existe nada que leve a gente a acreditar que o Brasil deva tomar medidas drásticas. Não existe nada nesse sentido", disse o presidente em Toledo, na Espanha, onde recebeu o prêmio Dom Quixote, entregue pelo rei Juan Carlos.

Lula criticou a "economia especulatória" e disse que "a crise nasceu nos países ricos e quem está mais tranqüilo neste momento são os países emergentes".

O presidente afirmou que o governo brasileiro não tem intenção de bloquear ou adiar nenhum dos projetos de infra-estrutura em razão da crise e da ameaça de que o vendaval financeiro alcance a economia nacional.

"Não vamos paralisar nenhuma das obras de infra-estrutura no Brasil. Não vamos mexer em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para ferrovías, refinarias, o trem-bala... Não podemos trabalhar com boatos e menos com palpites", disse o presidente.

"O Brasil vai continuar exportando, nossa economia vai continuar crescendo e a crise pode chegar a qualquer país do mundo, sim, mas, se chegar ao Brasil, vamos trabalhar com muito carinho para que, se for assim, essa crise não cause transtorno", acrescentou.

Setor agrícola

De acordo com o presidente, apesar de não sentir a ameaça da crise, o Brasil está preparado para momentos difíceis, principalmente no setor agrícola.

Lula disse estar consciente de que não é possível pensar em superávit comercial nos próximos semestres. Afirmou, porém, que, em comparação com outras economias, como as européias, ninguém no Brasil deveria temer falta de alimentos ou aumento abusivo de preços.

"Temos que estar preparados para tudo, mas não temos o que temer, e o Brasil pode até dar uma contribuição", disse o presidente.

"Imagine se os Estados Unidos ou a Europa retiram suas tarifas alfandegárias nessa crise? Podemos até ficar mais competitivos."

Lula defendeu as medidas de ajuda aos bancos como as que têm sido tomadas por governos europeus (compra de ações para evitar quebras e proteger a poupança dos correntistas) e disse que o Banco Central está preparado para situações de emergência.

O presidente disse também que o Banco Central deveria criar "uma dessas empresas que medem o risco Brasil".

"Eu até agora não vi nenhuma dessas agências aumentar o risco dos Estados Unidos, mas sim analisar o risco Brasil", afirmou.

Fonte: Anelise Infante - BBC BRASIL

13 de outubro de 2008

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Lula quer discutir novas regras para o mercado

O presidente Luis Inácio Lula da Silva quer começar a tratar com os líderes europeus o "day after" do tombo das bolsas de valor em todo o mundo. Hoje, o tema entrará nos debates no encontro de Lula com o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, em Toledo. A partir das decisões da Europa e Estados Unidos nos últimos dias de dar garantias a seus mercados e bancos, o Palácio do Planalto estima que está na hora de começar a debater de que forma as regras financeiras serão redesenhadas e como um novo sistema multilateral poderá ser estabelecido. A percepção é de que o G7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) não dará mais conta de responder à crise.
Ontem, Lula chegou a Madri e hoje viaja até Toledo para receber um prêmio pela introdução do espanhol nas escolas públicas. Seus assessores garantem que o presidente continua otimista com a capacidade do Brasil de enfrentar a crise. Mas está cada vez mais claro para o Palácio que um impacto da turbulência será sentido no Brasil. Poucos minutos depois de chegar, telefonou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega,que está nos Estados Unidos. Lula quis saber detalhes das reuniões de ontem em Washington.
Segundo o assessor especial de Relações Exteriores da presidência, Marco Aurélio Garcia, no sábado começou a ser organizada nos bastidores uma reunião de cúpula entre o G7 e cinco mercados emergentes - Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Garcia esclareceu que ainda não há uma data para a reunião, mas há um consenso de que ela deve ocorrer.
Na avaliação do governo, as novas regras financeiras terão de ser redesenhadas com a participação dos países emergentes, o que incluiria uma nova estrutura de organização do sistema. Na prática, trata-se do fim do G7 como única esfera de tomada de decisões. Na nova estrutura, a esperança é de que os emergentes tenham um peso maior na elaboração da regras.
Lula ainda confirmou que vai convocar uma reunião dos presidentes do Mercosul para coordenar ações em relação à crise. Na Espanha, Lula e Zapatero vão debater como a crise se traduziria para a economia real. Um dos pontos da agenda será a situação dos imigrantes brasileiros no país.

 

Fonte: Jamil Chade, Madri - O Estado de São Paulo

 

13 de outubro de 2008

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Brasil entra em lista de países com maior avanço no combate à fome

(Fonte: BBC - Brasil)

Brasília, 14/10/2008 - O Brasil foi um dos dez países no mundo que viram mais progressos em um indicador que mede o desempenho no combate à fome, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira por organizações não-governamentais.

Entre 1990 e 2008, o chamado Índice Global da Fome (ou GHI, na sigla em inglês) brasileiro se reduziu quase à metade - 45,6%% exatamente -, fazendo o país deixar o grupo de nações com problemas alimentares "graves" para figurar entre aquelas onde esse problema é considerado "baixo".

Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas sobre Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês) em parceria com as organizações German Agro-Action e Concern Worldwide.

O GHI de 2008, calculado para mais de 120 países (não para os industrializados), levou em consideração o número de pessoas com deficiência alimentar entre 2002 e 2004, a taxa de mortalidade infantil de 2006 e a desnutrição infantil para o ano mais recente entre 2001 e 2006.

No mundo, sem contar as imensas diferenças regionais, o índice da fome caiu a uma proporção de 20%% entre 1998 e 2008.

Desnutrição infantil Segundo o IFPRI, a melhora no mundo "foi motivada em grande medida pelo progresso na nutrição infantil".

"A proporção de crianças abaixo do peso foi o indicador que mais declinou - em 5,9 pontos percentuais - enquanto a mortalidade de crianças abaixo de cinco anos e a proporção de desnutridos também tiveram melhora." Entretanto, a organização afirmou que o problema da fome no mundo "permanece sério", especialmente em países africanos onde conflitos civis exacerbam a crise alimentar.

"As médias globais escondem diferenças dramáticas entre regiões e países", disse a instituição. Enquanto o GHI caiu 40%% na América Latina e 30%% no Sudeste Asiático em 20 anos, a queda foi de apenas 11%% na África subsaariana no mesmo período.

Além disso, o instituto lembrou que a redução nos indicadores ocorreu em um ambiente de queda gradual do preço dos alimentos. "Entre 1974 e 2005, os preços de alimentos declinaram 75%%, segundo o Fundo Monetário Internacional", disse o relatório.

Agora, o combate à fome terá de superar o desafio do aumento do preço dos alimentos, o que por sua dependerá de decisões futuras em relação aos biocombustíveis, mudança climática e investimentos agrícolas.

Mapa da fome Em relação ao Brasil, o IFPRI já havia observado uma redução significativa nos índices de fome a partir da década de 1990.

Em uma escala de zero a cem (zero sendo o melhor resultado), o país tinha um GHI de 10,43 em 1981, figurando entre os países com "graves" problemas no campo alimentar.

Durante a "década perdida", como economistas chamam os turbulentos anos 1980, o índice se reduziu, mas ainda chegava a 8,33 em 1990.

Caiu para 5,43 em 2003 e 4,60 em 2004, ano a partir do qual o Brasil passou a ser classificado como país com problemas alimentares "baixos".

A redução coloca o Brasil como o nono melhor desempenho entre os dez países que viram seu índice cair nas duas últimas décadas.

A lista é liderada pelo Kuwait (-72,4%%), que viu uma grande redução no GHI em função dos "níveis extraordinários" de fome na década de 1990, quando foi invadido pelo vizinho Iraque.

O relatório elogiou as políticas do Peru, o segundo da lista, que em 20 anos saiu de um GHI de 19,5 pontos para 5,6 pontos. O México (redução de 50,8%% no GHI) figurou no 5º lugar. O desempenho brasileiro foi semelhante ao do Vietnã (queda de 47,2%% no índice), cujas políticas de redução da pobreza são apontadas como exemplo, e da Tailândia (-45,9%%).

Entretanto, ambos os países do Sudeste Asiático continuam entre as nações com problemas alimentares "graves" - o GHI do Vietnã é de 12,6 pontos e o da Tailândia, 9,9 pontos.

Os piores índices estão na República Democrática do Congo (GHI de 42,7 pontos, 67%% acima do de 1990), Eritréia (GHI de 39 pontos) e Burundi (GHI 38,3 pontos, ou 17,4%% acima de 1990).

14 de outubro de 2008

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