País
lidera Brics em tecnologia
Estudo da IDC mostra que Brasil investe mais do que outros emergentes, inclusive
a China
No ano passado, a subsidiária brasileira da HP resolveu encomendar um estudo
sobre o Brasil para a consultoria americana IDC. A idéia era mostrar para a
matriz e para clientes internacionais as oportunidades que existiam no País,
quando comparado a outros emergentes. "Naquela época, existia uma tremenda
discussão se o Brasil fazia sentido, ou se o B dos Brics tinha morrido",
diz Denoel Eller, diretor de Marketing e Alianças da HP. "A HP vinha
investindo no Brasil, mas menos do que nos outros Brics. Havia uma imagem de que
o País não estava crescendo, que tinha violência e instabilidade."
No meio do caminho, enquanto o estudo era feito, a situação mudou. Em 2007,
foram vendidos 10,7 milhões de microcomputadores no País, o que tornou o
Brasil o quinto maior mercado de PCs do mundo. A expectativa é que ele se torne
o terceiro maior até 2010, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Um
exemplo da mudança foi o interesse da imprensa internacional em relação ao País.
Neste ano, o atual presidente da subsidiária brasileira, Mário Anseloni,
visitou a matriz, nos EUA, e teve de dar uma entrevista coletiva para os
americanos. "Eles acabaram surpresos ao saber, por exemplo, que o mercado
brasileiro de software e serviços de tecnologia é maior que o de equipamentos",
conta Eller.
O estudo da IDC mostrou que, entre os Brics, o Brasil só perde para a China no
volume de investimentos em tecnologia. Quando se analisa, porém, o total de
investimentos como porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil está à
frente, sendo o único entre os emergentes com gastos maiores que 2% do PIB.
"Isso coloca o Brasil ao lado de países como Japão, França e Alemanha",
afirma Roberto Gutierrez, diretor de Consultoria da IDC Brasil.
O mercado de tecnologia no País deve crescer três vezes mais que o PIB nos próximos
quatro anos, a maior taxa entre os Brics. O da China, por exemplo, deve aumentar
1,43 vez em relação à economia em geral. O estudo da IDC também mostrou que
o Brasil está em uma situação melhor no que diz respeito à estabilidade e à
liberdade econômica. Como resultado, a HP conseguiu da matriz a contratação
de 800 pessoas para o setor de serviços.
A mudança na imagem do Brasil fez com que a fabricante de computadores Dell
nomeasse o brasileiro Fernando Loureiro diretor global de Mercados Emergentes, há
cerca de um ano e meio. A divisão não existia e foi criada como uma das cinco
iniciativas mundiais da empresa para acelerar o crescimento. O executivo
continua sediado no Brasil, de onde comanda a divisão. "Pouquíssimos países
receberam destaques em todos os relatórios da Dell nos últimos trimestres,
como foi o caso do Brasil", afirma Loureiro.
A situação atual contrasta bastante com o que acontecia há cinco ou seis anos,
quando o mercado de PCs era pequeno e dominado pelos chamados fabricantes cinzas,
que sonegam impostos e usam peças contrabandeadas. O corte de impostos federais,
o câmbio favorável, o avanço do financiamento e a melhora da situação econômica
mudaram a situação. "Em 2002, chegamos a pensar em deixar o País",
diz o diretor da Dell.
A Dell, que prosperou com um modelo de venda direta de computadores, começou a
ir para o varejo, e o mercado brasileiro foi um dos pioneiros no movimento.
"Fizemos uma série de ações fortes com varejistas como o Wal-Mart e o
Ponto Frio", explica Loureiro.
Outra empresa que recebe reflexos positivos do aumento na venda de PCs é a
Microsoft. Em julho, o Brasil ganhou um prêmio da corporação como a melhor
subsidiária de países emergentes. A redução do chamado mercado cinza levou a
uma queda na pirataria de software, que beneficiou a Microsoft.
Além do crescimento do mercado, a diretora de Marketing e Negócios da
companhia, Paula Bellizia, afirma que a Microsoft Brasil tem obtido bons
resultados por causa de suas estratégias de aumento dos escritórios regionais,
do número de empresas-parceiras e de profissionais treinados em suas
tecnologias.
"No último ano, abrimos oito escritórios regionais no Brasil, chegando a
13 escritórios", diz a executiva. "Ainda existe um potencial de
crescimento muito grande no Brasil, tanto em tecnologia quanto em educação."
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Lula: 'Não vamos exportar óleo cru'
Presidente diz que reservas do pré-sal servirão para o País exportar
derivados premium para EUA e Europa
Em reposta às críticas em torno do uso da camada do pré-sal, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assegurou ontem que o Brasil não vai exportar óleo
cru retirado das novas reservas, mas produtos com valor agregado, como a
gasolina premium. O Brasil, disse, vai aproveitar essas reservas para recuperar
a indústria naval brasileira e desenvolver outros setores econômicos.
Num discurso inflamado no 18º Congresso Brasileiro de Contabilidade, o
presidente afirmou que as novas reservas da camada de pré-sal representam para
o País um novo momento de independência. "Queremos produzir com valor
agregado. Vamos ter refinarias para produzir gasolina premium para exportar para
a Europa e para os Estados Unidos. Não vamos ser exportadores de óleo
cru", afirmou o presidente, que foi muito aplaudido.
Lula procurou garantir que os recursos não serão desperdiçados. "Queremos
aproveitar esse petróleo para recuperar a indústria naval brasileira",
disse. O presidente ressaltou que será preciso produzir sondas para exploração
do petróleo, plataformas e 200 navios. Ele citou que uma única sonda de
perfuração custa US$ 700 milhões e o Brasil terá de produzir 38 delas.
"Eu não sei quantos barris de petróleo nós temos a sete mil metros de
profundidade. Eu só sei que é muito mais do que as reservas atuais que o
Brasil tem", disse. Lula adiantou que no próximo dia 2 de setembro fará a
primeira extração de petróleo do pré-sal, algo como 10 mil a 15 mil barris,
no Espírito Santo. Em março de 2009, será a vez de Tupi.
Otimista e bem-humorado, o presidente disse que a camada do pré-sal vai
proporcionar algo fantástico: "Gerar mais garantias à estabilidade econômica
do Brasil." Na avaliação dele, "as pessoas" vão olhar com mais
respeito para o País, surgirão mais empresas, haverá mais salários e mais
emprego.
COMISSÃO
Em Brasília, os ministros que integram a comissão que discute o novo marco
regulatório para o petróleo analisaram ontem os modelos de exploração
existentes no mundo: concessão, partilha e prestação de serviços. Eles
ouviram exposições sobre cada um desses modelos, sem tomar decisões. Segundo
um participante da reunião, haverá mais um ou dois encontros meramente
informativos, como o de ontem. A partir da semana que vem, a comissão começará
a elaborar a proposta que será apresentada ao presidente Lula até próximo dia
19.
Não foi discutida a hipótese de o governo desapropriar áreas de exploração
de petróleo vizinhas ao pré-sal, já concedidas à Petrobrás.
O tema veio à tona depois que o jornal O Globo publicou entrevista com o
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitindo a possibilidade de
desapropriação, mediante indenização. Ao Estado, o ministro afirmou que
ocorrera um mal-entendido, pois estaria falando de modelos existentes no mundo,
e não em decisões do governo. Ele frisou que o País tem tradição em honrar
contratos.
Embora os integrantes da comissão não tenham batido o martelo sobre nenhum
modelo, especula-se nos bastidores que a opção preferida para o petróleo do
pré-sal é o de partilha da produção. Nesse modelo, uma parte do petróleo
produzido fica com o governo.
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Brasil terá R$2,4 tri em investimentos
Petróleo e mineração lideram previsões até 2011.
Valor não inclui pré-sal
BRASÍLIA. O Brasil receberá R$2,4 trilhões em novos investimentos no período
de
O banco receberá já nos próximos dias uma injeção extra de R$21 bilhões
para fazer frente a projetos de infra-estrutura que tem
Os detalhes dessa operação (se haverá custos para o banco, por exemplo) não
foram divulgados. Os R$6 bilhões restantes serão repassados ao BNDES pelo FGTS
Durante o anúncio dos investimentos para o Brasil nos próximos três anos,
Luciano Coutinho se mostrou satisfeito com a confiança de investidores
estrangeiros no país.
- Em um ano de turbulência internacional, as decisões de investimentos no
Brasil nem tremeram - disse, aplaudido pelos conselheiros.
Os setores de petróleo e mineração lideram o ranking de investimentos
previstos para o período com , respectivamente, R$269,7 bilhões e R$80,2 bilhões.
O montante anunciado pelo presidente do BNDES, entretanto, não inclui a camada
do pré-sal, o que indica que o valor pode ser ainda mais elevado. Coutinho
informou que o banco está estudando todas as cadeias que serão afetadas, para
garantir o fornecimento de equipamentos e matérias-primas necessários para a
exploração.
Lula: país consolidou seu crescimento econômico
Ele também afirmou que o impacto da exploração da nova camada deve ser enorme
para diversas cadeias produtivas.
- Praticamente apenas os coreanos dominam a tecnologia do navio-sonda. Estamos
dissecando um deles para tentarmos aprender como se faz.
A estimativa para a categoria indústria e serviços é de R$627,1 bilhões e,
em infra-estrutura, a projeção é de R$304,6 bilhões. A construção de
moradias deve contar com R$534,9 bilhões e a agropecuária, com R$45,1 bilhões.
- Os investimentos têm crescido consistentemente: cerca de duas vezes e meia o
crescimento do PIB e
O presidente Lula fez um discurso exaltando a capacidade de investimento do país
e, ao mesmo tempo, procurando agradar os dois principais atores do processo de
alavancagem da economia brasileira: a Petrobras e a Vale.
Ele ainda afirmou que o país consolidou seu crescimento econômico e que essa
situação deve ser reforçada.
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Brasil agora voa "como
águia", afirma Lula
A 38 dias das eleições municipais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
promoveu ontem evento no Planalto para ressaltar os feitos de sua gestão e
atrair holofotes para dados positivos da economia sob o seu mandato.
A uma platéia de empresários, acadêmicos e políticos, Lula disse que a
expansão em curso dos investimentos sacudiu "duas décadas e meia de
letargia". E se disse convencido de que todos sairiam dali certos de que o
crescimento do Brasil não é um "vôo de galinha". "É, na
verdade, uma águia que descobriu que pode voar mais alto do que estava
acostumada."
Lula convocou reunião "ampliada" do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social, que tem 87 integrantes da sociedade civil e 13 ministros. Ontem, foram
distribuídos 414 convites.
Antes de Lula, falaram os presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e da Petrobras,
José Sergio Gabrielli. Lula falou por 43 minutos. Explicou, logo de início,
que os "anúncios" feitos pelos palestrantes anteriores "não
costumam ter grande destaque no noticiário" -daí a necessidade de fazer o
evento.
O discurso foi permeado de metáforas e tentativas de construir frases de efeito.
Num dos trechos, disse que, "na longa travessia do deserto da estagnação,
talvez as mazelas econômicas não tenham sido as mais difíceis de vencer".
"Piores foram os grilhões do pensamento esterilizante, os gargalos do
preconceito e as armadilhas montadas contra a auto-estima nacional",
afirmou.
Lula disse ter dado à comissão do pré-sal três orientações. Não fazer do
Brasil mero exportador de óleo cru, promover benefícios aos brasileiros a
partir das reservas e ter cautela. "Não é porque tiramos um bilhete
premiado que vamos nos deslumbrar e sair por aí gastando o que ainda não temos."
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País
crescerá mais de 5% neste ano, avalia governo
O
governo espera que o PIB (soma das riquezas produzidas no país) cresça mais de
5% neste ano e considera um número "conservador" uma taxa de 4,5%
para 2009, informa Sheila D 'Amorim,
em reportagem publicada nesta sexta-feira na Folha.
As
projeções já embutem a expectativa de pelo menos mais duas altas de juros até
o final deste ano. O Planalto, no entanto, acredita que o aperto monetário não
será suficiente para abortar o ciclo de crescimento, apoiado no consumo interno
forte, no incremento do volume de crédito e, principalmente, no aumento
expressivo do volume de investimentos.
O
"otimismo" do governo contrasta com as projeções do mercado
financeiro, que estima um crescimento de somente 3,65% para 2009. O governo
conta com os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que
deve deslanchar em 2009 e com a "inércia" do crescimento em 2007 e
deste ano para superar as expectativas.
Mesmo
contando com um aquecimento da economia, o Planalto não teme um descontrole da
inflação e espera que os índices de preços convirjam para a meta de 4,5% (medida
pelo IPCA) no ano que vem. A maioria dos economistas do setor financeiro projeta
um IPCA de 6,44% para este ano e de 5% para 2009.
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O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 31, em discurso em
Santo André que o Brasil vive hoje o melhor momento dos últimos 40 anos. Ele
comemorou a criação de 1,6 milhão de empregos de janeiro a julho deste ano e
10 milhões de postos de trabalho ao longo de seu mandato. "Agora, disse, o
desafio é permitir que a economia continue crescendo sem a volta da inflação".
Acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, do presidente da Câmara dos
Deputados, Arlindo Chinaglia, do deputado federal Vicentinho, o presidente Lula
participou hoje do comício de campanha do candidato petista à prefeitura de
Santo André, Vandelei Siraque.
O presidente Lula afirmou que a inflação é a pior coisa para o trabalhador e
lembrou de seus tempos de metalúrgico quando a inflação era de 40% ao mês e
ele tinha que "fazer estoque de comida embaixo da cama". Em relação
à alta de preços das commodities no mercado internacional, o presidente
destacou como positivo o aumento do consumo na China e na India, "que abrem
oportunidade para o Brasil, que têm as melhores condições do mundo para
produzir alimentos".
Em seu discurso, o presidente Lula afirmou que o Brasil vive uma situação mágica,
ao comentar a descoberta, pela Petrobras, de petróleo na camada do pré-sal da
costa brasileira. Ele comemorou o fato de o Brasil ter atingido a auto-suficiência
em petróleo 53 anos após a criação da Petrobras. "Deus cuida de todos
países, mas parece que revolveu morar no Brasil", disse.
Na opinião do presidente, o Brasil tem tecnologia para explorar petróleo a 7
mil metros de profundidade, que participa na próxima segunda-feira, em Vitória
(ES), da cerimônia de extração do primeiro óleo da camada do pré-sal e
visita a plataforma P-34, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos. Em relação
às discussões entre os governadores sobre a distribuição de royalties, o
presidente disse que "o petróleo não é de nenhum Estado, já que as
reservas estão a 300 quilômetros da costa. Ele reafirmou que irá utilizar os
recursos para realizar dois compromissos, que são acabar com a pobreza e
investir em educação.
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Balança
registra superávit de US$ 2,2 bilhões em agosto
Exportações
somaram US$ 19,747 bilhões e importações US$ 17,478 bilhões
A balança comercial brasileira, no mês de agosto de 2008, registrou exportações
de US$ 19,747 bilhões (média diária de US$ 940,3 milhões) - segundo maior
resultado mensal da história - e importações de US$ 17,478 bilhões (média
diária US$ US$ 832,3 milhões) - valor e média recordes. Esses desempenhos
resultaram num superávit comercial (diferença entre as exportações e as
importações) de US$ 2,269 bilhões (média diária de US$ 108 milhões) e numa
corrente de comércio (soma das exportações com as importações) de US$
37,225 bilhões, número também recorde para meses de agosto.
Exportação
Pelo critério da média diária, o valor das exportações brasileiras nos 21
dias úteis de agosto de 2008 ficou 43,2% acima do apresentado no mesmo mês do
ano passado (US$ 656,5 milhões) e 5,8% superior ao desempenho médio diário
registrado em julho de 2008 (889,2 milhões). As exportações nos meses de
agosto de 2007 (23 dias úteis) e de julho de 2008 (23 dias úteis) totalizaram
US$ 15,100 bilhões e US$ 20,451 bilhões respectivamente.
No mês, as exportações de manufaturados (US$ 8,286 bilhões), básicos (US$
8,183 bilhões) e semimanufaturados (US$ 2,789 bilhões) apresentaram recordes
para meses de agosto.
Em relação a agosto de 2007, as vendas internacionais de básicos cresceram
74,8%, principalmente minério de cobre (+224,1%), petróleo em bruto (+144,1%),
minério de ferro (+110,1%), soja em grão (+75,1%), carne de frango (+69 %),
carne bovina (+49,3%), café em grão (+30,7%), carne suína (+29,4%) e farelo
de soja (+23,5%). Os semimanufaturados apresentaram incremento de 49% em função
de semimanufaturados de ferro e aço (+231,7%), ferro fundido (+153,4%),
ferro-ligas (+76,3%), óleo de soja em bruto (+55,2%), açúcar em bruto
(+29,3%), alumínio em bruto (+22,2%) e celulose (+20,5%). Já os manufaturados
aumentaram 19,6%, com destaque para gasolina (+121,4%), álcool etílico
(+94,1%), óxidos e hidróxidos de alumínio (+74,2%), tratores (+48,2%), aviões
(+35,8%), motores e geradores (+31,2%), aparelhos celulares (+24,5%), autopeças
(+19,2%), automóveis de passageiros (+16,1%) e motores para veículos (+15,5%).
Importação
As importações brasileiras, no mês de agosto de 2008, cresceram 65,6% em relação
à média diária apresentada em agosto de 2007 (US$ 502,6 milhões) e 11,6% na
comparação com a média diária registrada no mês de julho de 2008 (US$ 745,6
milhões). Os desembarques internacionais somaram US$ 11,559 bilhões em agosto
do ano passado e US$ 17,148 bilhões em julho de 2008.
Em agosto, as importações de todas as categorias de produtos cresceram em relação
a agosto de 2007: combustíveis e lubrificantes (+132,6%), bens de capital
(+104,4%), bens de consumo (+52%) e matérias-primas e intermediários (+49,7%).
Entre os combustíveis e lubrificantes, a elevação ocorreu pelo aumento dos
gastos com petróleo, óleos combustíveis e gás natural, em razão,
principalmente, da elevação dos preços internacionais em relação a agosto
de 2007.
Com relação a bens de capital, os maiores itens importados foram maquinaria
industrial, máquinas e aparelhos para escritório e científico e partes e peças
para bens de capital.
No segmento de bens de consumo, os principais crescimentos foram observados nas
importações de automóveis de passageiros, com aumento de 64,5% dos produtos
originários da Argentina, Alemanha e México, produtos farmacêuticos, produtos
alimentícios, objetos de adorno, máquinas e aparelhos para uso doméstico,
partes e peças para bens de consumo duráveis e vestuário e confecções.
Entre as matérias-primas e intermediários, elevaram-se as aquisições de
produtos químicos e farmacêuticos, produtos minerais, matérias-primas para
agricultura, acessórios de equipamentos de transporte, partes e peças de
produtos intermediários, produtos agropecuários não-alimentícios e produtos
alimentícios primários.
Quinta semana de agosto
Entre os dias 25 e 31 de agosto de 2008 (quinta semana do mês), as exportações
somaram US$ 4,823 bilhões (média diária de US$ 964,6 milhões) e as importações
US$ 3,833 bilhões (média diária de US$ 766,6 milhões), resultando em um
saldo superavitário de US$ 990 milhões e uma corrente de comércio de US$
8,656 bilhões.
Ano
De janeiro a agosto de 2008 (167 dias úteis), o saldo comercial brasileiro
acumulou US$ 16,907 bilhões (média diária de US$ 101,2 milhões). Pela média
diária, o superávit comercial ficou 37,7% menor que o registrado no mesmo período
do ano passado (US$ 162,5 milhões).
Nos oito meses, foram registradas exportações de US$ 130,843 bilhões, com média
diária de US$ 783,5 milhões, um incremento de 29,3% sobre o desempenho médio
diário das vendas internacionais no mesmo período de 2007 (US$ 598,2 milhões).
Na mesma comparação, observou-se um crescimento de 53,8% nas importações
brasileiras, que saíram de uma média diária de US$ 443,6 milhões de janeiro
a agosto de 2007 para US$ 682,3 milhões no mesmo período de 2008. As importações
no ano somaram US$ 113,936 bilhões.
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Avança
internacionalização da economia brasileira
A
decisão da Gerdau, a maior siderúrgica brasileira, de aumentar em mais de seis
vezes a capacidade de produção de aço da Siderperú, produtora de aço
peruana comprada pela companhia brasileira em 2006, é uma etapa relevante da
internacionalização da economia brasileira. Vale notar que a Gerdau tem uma
proposta de expansão da Siderperú bastante acelerada. Na primeira etapa, a
produção será elevada das atuais 450 mil toneladas para 1,5 milhão de
toneladas até 2011. A pretensão é atingir 3 milhões de toneladas métricas
até 2013.
A execução dessa proposta demandará investimento de US$ 1,4 bilhão,
utilizado na compra, construção e instalação de novos equipamentos de produção.
Esses aportes também devem atender a necessidades logísticas, tanto de infra-estrutura
como de energia, e até um porto de abastecimento está previsto no projeto.
Desde a compra da Siderperú, a Gerdau já investiu US$ 122 milhões para
modernizar o complexo siderúrgico, seguindo o cronograma de compromissos
assumidos com o governo peruano. Preocupações ambientais também fazem parte
desses investimentos e US$ 40 milhões já foram alocados, desde o ano passado,
em estruturas de proteção de água e solo.
A Gerdau tem um alvo estratégico nessa decisão que, de certa forma, resume o
processo de internacionalização da economia brasileira. A direção da empresa
insiste em que o Peru é "país estratégico" por ser um mercado com
grande potencial de desenvolvimento. Na perspectiva da empresa, o investimento
na siderúrgica peruana permitirá o aumento da exportação para a América
Latina e Ásia. Sem esquecer que os novos níveis de produção previstos devem
gerar auto-suficiência em aço para o país. Hoje o Peru importa metade do aço
que consome, apesar de sua produção doméstica já atingir 400 mil toneladas
anuais. A compra da Siderperú, por meio da compra de 84% de suas ações há
dois anos, já representou investimentos de US$ 203 milhões.
O exemplo da Gerdau representa bem o processo de internacionalização da
economia brasileira. Essa empresa tem fábricas próprias na Argentina, Chile,
Colômbia, Estados Unidos, Uruguai, México, República Dominicana e Peru, além
de siderurgias em sistema de parceria na Europa e Ásia. A empresa anunciou também
neste ano relevantes ampliações de produção na Índia e na América Central.
Merece atenção que as operações da empresa no Brasil representaram, em 2007,
apenas 35% da receita bruta. E este não é um caso isolado. Em dezembro passado,
relatório do The Boston Consulting Group mostrou os efeitos das agressivas
estratégias de investimento de empresas brasileiras no cenário econômico
internacional, quando apontou que entre as 100 companhias que mais se destacaram
em países de rápido desenvolvimento, 13 delas eram brasileiras.
A China é o país, segundo esta pesquisa, com maior presença internacional,
com 41 empresas, seguido da Índia, com 20, do Brasil, com 13, do México, com
7, e da Rússia, com 6. Essas empresas apresentaram um crescimento médio de
35,4% entre 2002 e 2007 , bem superior ao crescimento médio do conjunto das
empresas dos mercados emergentes, que foi de 24,3%. Apenas como comparação, a
consultoria internacional mencionou que as empresas tradicionais que compõem o
S&P 500 (as 500 companhias com ações de maior valor e liquidez
selecionadas pela Standard & Poors) alcançaram crescimento médio, no mesmo
período, de apenas 7,5%.
É fato que o processo de internacionalização convive com riscos. A Sinderperú
está localizada em Chimbote, uma cidade a pouco mais de 400 quilômetros ao
norte de Lima e 80% de suas vendas são de aços longos e 20% de planos, que
atendem às especificidades da demanda doméstica. O Peru é uma economia que
seguiu na última década o modelo chileno de abertura da economia, mas ainda não
conseguiu atender a uma imensa dívida social, em especial quanto à forte
pobreza registrada no sul do país. A hipótese de adoção de outros modelos,
como o de um de nacionalismo radical, existe. Aliás, a última eleição
presidencial mostrou isso. A siderúrgica brasileira, no entanto, preferiu
apostar no processo de consolidação e aproximação com o modelo oferecido
pela economia brasileira. É a opção correta. E a melhor confirmação do
acerto dessa escolha está no fato de que a Gerdau, no primeiro semestre, alcançou
um crescimento de faturamento bruto de 35,2, em relação ao mesmo período do
ano passado. A decisão da Gerdau de internacionalizar sua produção e mercado
está na origem dessa expansão de faturamento.
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Jornal
Financial Times elege o presidente da Apex-Brasil Personalidade do Ano de 2008/América
Latina
O
jornal inglês Financial Times nomeou o brasileiro Alessandro Teixeira,
presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Exportações e Investimentos)
e da Waipa (Associação Mundial das Agência de Promoção de Investimentos),
personalidade do Ano de 2008 - América Latina. Matéria especial da publicação
destaca o Brasil como um país que consolidou sua posição como o principal
destino para investimentos em 2007 dentre os países da América Latina, com um
salto de 84% em IED.
"Com 34 anos de idade, o perfil de Alessandro Teixeira está muito mais
alinhado com a economia jovem e dinâmica que ele representa para o mundo"
afirma o jornal que, anualmente, reconhece líderes considerados inovadores nas
áreas de negócios e política em seis regiões - África, Ásia, Europa, América
Latina, Oriente Médio e América do Norte.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi destacado pela publicação como
Personalidade do Ano em 2004. Ano passado o vencedor para a região da América
Latina foi o prefeito de Medelin (Colômbia), Sergio Fajardo Valderrama.
No encarte especial que o Financial Times publica esta semana Alessandro
Teixeira é citado, principalmente, por ter assumido recentemente a presidência
da Waipa: "Talvez seja apropriado que o presidente da Waipa seja
representante de uma das economia emergentes centrais do mundo". Ressalta
ainda que do total de US$ 106 bilhões em investimentos recebidos pela América
Latina em 2007, a participação do Brasil foi de US$ 34,6 bilhões, fazendo com
que este seja considerado o período mais significante em crescimento de IED
para o país.
Apex-Brasil é a agência brasileira para promoção das exportações e
desenvolve projetos com mais de 70 setores da economia. Tais projetos focam
tanto as exportações de produtos e serviços do Brasil, quanto a busca por
investimentos para o país. A Waipa, com sede em Genebra, representa 156 países
dos cinco
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Faturamento
da indústria sobe 9% e bate novo recorde no ano, diz CNI
O
faturamento da indústria brasileira manteve o patamar recorde de crescimento
nos sete primeiros meses do ano. Segundo
a pesquisa mensal do setor realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria),
entre janeiro e julho, houve uma expansão de 9%, acima dos 8,4% registrados até
junho.
Esse
é o melhor resultado da série histórica da confederação, iniciada em 2003.
O
faturamento do setor registrou crescimento em julho em todas as comparações.
Cresceu 13,2% em relação a julho do ano passado (melhor resultado desde agosto
de 2004) e 3,2% na comparação com junho deste ano (dado sujeito à influência
sazonal). No dado mensal dessazonalizado, o crescimento foi de 0,2%.
O
setor automotivo respondeu sozinho por 31% do aumento no faturamento neste ano.
Outros dois setores juntos, máquinas e equipamentos e refino de álcool,
representaram cerca de outros 30%.
O
uso da capacidade instalada da indústria alcançou o patamar recorde de 83,5%
em julho, o maior da série da CNI. No mês passado, estava em 83,3%.
Emprego
O
emprego na indústria cresceu 0,6% em relação a junho e 4,4% na comparação
anual. No ano, houve avanço também de 4,4%.
As
horas trabalhadas na indústria cresceram 7,2% em relação a julho do ano
passado e 2,7% na comparação com junho. Em sete meses, houve avanço de 6,1%.
A
massa salarial cresceu 5,7% em 12 meses e 5,6% no ano. Na comparação com junho,
o aumento foi de 3,5%.
"Não
tem nenhum sinal negativo nessa tela', afirmou o economista da CNI Flávio
Castelo Branco, ao apresentar o quadro com os resultados da pesquisa. 'A
atividade industrial começa esse segundo semestre com ritmo bastante intenso.'
Base
elevada
Na
média, o faturamento de 2008 é 7,3% superior ao resultado de todo o ano de
2007.
A
CNI destaca que o crescimento deste ano se dá sobre uma base já elevada,
devido ao bom desempenho do ano passado, quando já houve um crescimento de 5,3%
em sete meses.
Segundo
a entidade, o "comportamento usual" nesse cenário seria de uma
acomodação em julho.
Pessimismo
O
economista da CNI Paulo Mol afirmou que as previsões feitas anteriormente pela
entidade para o crescimento da indústria neste ano foram mais pessimistas do
que o resultado observado até agora. A CNI previa desaceleração a partir de
julho.
Ele
afirmou, no entanto, que o aumento das taxas de juros deve provocar uma
desaceleração desse ritmo de crescimento em algum momento.
"Não
podemos desconsiderar que está em curso um processo de elevação das taxas de
juros. Em algum momento, no futuro, a tendência é que a indústria continue a
crescer, mas em ritmo menor", afirmou Mol.
Segundo
a CNI, os números apresentados hoje confirmam os dados divulgados ontem pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mostraram um
aumento de 6,6% na produção industrial no ano.
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Petrobrás
já fala em uma sexta refinaria no País
O novo planejamento estratégico da Petrobrás deve incluir a construção de
mais uma refinaria, além das cinco já projetadas. O objetivo é processar o
petróleo das descobertas do pré-sal, não contempladas no planejamento atual.
O novo plano de investimentos, que terá como horizonte o ano de 2020, será
anunciado em outubro com "aumento substancial" no volume de
investimentos, segundo o diretor de Abastecimento da companhia, Paulo Roberto
Costa.
"Talvez tenha mais uma (refinaria), mas deve ficar para o final do período
do planejamento estratégico", disse. A estatal tem cinco projetos que
ampliarão em 1,3 milhão de barris/dia a capacidade nacional de refino, hoje de
1,9 milhão de barris/dia. A ampliação cobre as projeções atuais de produção,
sem o pré-sal, que chegam a algo entre 3,2 milhões e 3,5 milhões de barris/dia
em 2015.
Costa, que ontem participou do evento World Refining and Fuels, não deu
detalhes sobre a nova refinaria. Mas já é de conhecimento o desejo do governo
de evitar a exportação de petróleo cru.
Dos projetos atuais, a ampliação da unidade de refino do Rio Grande do Norte,
que passará a produzir gasolina, será o primeiro a entrar em operação, em
2010. Um ano depois, virá a Refinaria de Pernambuco, com capacidade para 200
mil barris. Em 2013, será a vez do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro,
que transformará 150 mil barris de óleo em produtos petroquímicos. As
refinarias Premium do Ceará (300 mil barris) e Maranhão (600 mil barris)
iniciarão operações de 2013 a 2016.
Costa afirmou que o início da produção no pré-sal em Jubarte tem importância
semelhante ao início da produção com plataformas flutuantes na Bacia de
Campos, nos anos 80. "Aquele projeto deu as bases para a descoberta das águas
profundas da Bacia de Campos. Não tínhamos idéia de que descobriríamos
campos gigantes como Marlim."
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Brasil
já possui 220 mil milionários, diz pesquisa
O
Brasil está entre os países em que o número de milionários mais cresce.
Estimativas do BCG (The Boston Consulting) indicam que 220 mil brasileiros detêm,
juntos, US$ 1,2 trilhão aplicado no mercado financeiro. Para fazer parte desse
time, é preciso ter investido pelo menos US$ 1 milhão. Há dois anos, os
brasileiros formavam grupo de 130 mil integrantes com US$ 1,1 trilhão.
No
ano passado, o Brasil chamou a atenção dos pesquisadores do BCG, que
registraram um acréscimo de 60 mil novos participantes, aumentando a lista
nacional de milionários para 190 mil. Por isso, uma equipe do BCG veio ao país
especialmente para fazer um levantamento local.
O
estudo ainda não foi publicado, mas estima-se que os números deverão
acompanhar o crescimento registrado nos anos anteriores, em torno de 16%.
Segundo
o relatório, divulgado ontem nos Estados Unidos, as fortunas mundiais,
incluindo as dos brasileiros, cresceram 3% menos que o esperado devido à crise
financeira nos EUA. Mas os números indicam que esses afortunados tornaram-se
ainda mais ricos.
A
soma de suas riquezas atingiu a marca de US$ 109,5 trilhões, uma alta de 4,9%
em relação ao ano passado.
Os
milionários da América do Norte (EUA e Canadá) lideram essa lista, com US$
39,2 trilhões; seguidos pela Europa, com US$ 38,3 trilhões; Ásia (considerando
o Japão), com US$ 25,6 trilhões; Oriente Médio e África, com US$ 3,4 trilhões;
e América Latina, com US$ 3,1 trilhões.
Isoladamente,
os EUA são os líderes mundiais, com 4,9 milhões de pessoas com mais de US$ 1
milhão. Desse total, 674 mil têm mais de US$ 5 milhões. Na Ásia, 900 mil
japoneses detêm metade da fortuna da região. Desses, 71 mil têm mais de US$ 5
milhões.
Na
América Latina, não é diferente. Os brasileiros mais ricos detêm 37% das
fortunas da região. Os mexicanos vêm em seguida, com 23%, o equivalente a US$
714 bilhões.
O
que explica o aumento acelerado das riquezas no Brasil foi o grande número de
IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) nos últimos dois anos.
Segundo
o BCG, a maior parte das empresas que abriram o capital pertencia a grupos
familiares que, rapidamente, transformaram parte de suas empresas em dinheiro
vivo para investir. Os negócios que mais fizeram milionários estão ligados a
agropecuária, petróleo e minérios.
No
rastro desse crescimento, o mercado de luxo no país cresce 17% ao ano,
descontando a inflação, o que significa ritmo três vezes superior ao da
economia do país. A expansão vem se mantendo nos últimos quatro anos e,
segundo estudos internacionais, seguirá até 2013.
A
fila de milionários aguardando artigos sofisticados, que vão de bolsas e
sapatos, passando por jóias e aviões executivos, já chega a 18 meses em
alguns casos. Bancos nacionais e estrangeiros que atendem essa classe já lucram
mais que as instituições similares que atuam com os milionários nos EUA, na
Europa e no Japão.
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Brasil
é 'foco de estabilidade'
Em
meio a uma nova turbulência na economia internacional, o Brasil tornou-se um
"foco de estabilidade" no mundo, avaliou ontem o diretor do Banco
Mundial (Bird) para o Brasil, John Briscoe. Embora tenha citado desafios nas áreas
de educação, tributação e gastos públicos, ele destacou que o empenho em
cumprir metas fiscais e a continuidade da política econômica em diferentes
governos fizeram com que o país ficasse menos suscetível a crises externas.
- Quem poderia imaginar, há dez anos, que o mundo estaria em crise e, por
enquanto, tudo bem no Brasil. Antes, o primeiro que pegava uma pneumonia era o
Brasil - disse o diretor do Bird, que participou de um fórum promovido pelo
Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no BNDES.
A decisão, quinta-feira, do Banco Central Europeu (BCE) de manter inalterada
sua taxa básica de juros em um momento de menor expansão econômica foi
recebida com preocupação por João Paulo dos Reis Velloso, ex-ministro do
Planejamento. Ele afirmou que o BCE comete o mesmo erro do Federal Reserve (Fed,
banco central americano) em 1929, que transformou a recessão dos EUA em depressão:
- No meio de uma recessão, seria um pouco difícil a inflação subir, como
acredita o Banco Central Europeu.
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Matriz
energética brasileira é uma das mais limpas do mundo
De toda energia consumida no país, 46,4% são de fontes renováveis
O Brasil foi menos afetado pela recente alta do petróleo que a maior parte de
seus vizinhos. Resultado da combinação entre matriz energética limpa e auto-suficiência
em petróleo. De acordo com Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de
Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento nacional do setor,
46,4% de toda energia produzida no país vêm de fontes renováveis. A média
mundial é de 13%.
- O Brasil tem hoje uma das matrizes mais renováveis do mundo. Nossos estudos
indicam que vamos manter a proporção de quase 50% de renováveis até 2030 -
diz Tolmasquim.
Já a participação de petróleo e derivados na matriz energética brasileira
está caindo. Passou de 37,8% em 2006 para 36,7% em 2007. A projeção para 2030
é de 29%. O espaço dos combustíveis fósseis vem sendo tomado em parte pela
cana-de-açúcar (álcool e bagaço), que já representa 16% da matriz, a
segunda maior fonte de geração de energia do Brasil depois do petróleo. Em
2030, o percentual alcançar 18%.
O avanço da cana deve-se principalmente ao mercado de combustíveis, herança
do Proálcool, programa dos anos 70 que incentivou o uso do etanol para reduzir
a dependência das importações de petróleo. Hoje, a gasolina distribuída nos
postos tem uma mistura de 25% de álcool. E mais de 70% da produção de automóveis
no país são do tipo flex fuel que podem rodar com gasolina ou álcool. Já são
cerca de 6 milhões de unidades no país, desde que o modelo foi introduzido em
2003.
A auto-suficiência em petróleo - conquistada em 2006 - aliada à política de
preços dos combustíveis da Petrobras, que não repassa a todo instante a
volatilidade das cotações internacionais, fizeram com que os consumidores
brasileiros não sentiram a disparada de preços do petróleo ocorrida no início
do ano, nem agora a sua queda.
O ponto fraco é o gás natural pois depende 50% das importações. Petrobras
está investindo US$18,2 bilhões até 2012 para reduzir a dependência.
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Crescimento
do PIB vem forte no trimestre
Os
tambores já foram preparados pelo governo. Se as estimativas dos analistas
estiverem corretas, na próxima quarta-feira, dia 10, o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) dará mais uma demonstração do forte ritmo de
crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) deve ter
crescido entre 5,5% e 5,9% no segundo trimestre ante o mesmo período do ano
passado, e entre 1% e 1,5% na comparação com os primeiros três meses de 2008.
São números que, na visão do Ministério da Fazenda e de boa parte do mercado,
vão garantir um avanço total do PIB anual de 5% e consolidar um novo patamar
de crescimento do Brasil.
Pelas
contas do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, a melhor
notícia que o IBGE dará é que o crescimento foi puxado pelos investimentos
produtivos. As apostas são de que a chamada Formação Bruta da Capital Fixo (FBCF)
tenha aumentado entre 12,5% e 17%, reforçando a confiança do empresariado de
que vale a pena ampliar as fábricas pois haverá consumidores suficientes mais
à frente para absorver as mercadorias que serão colocadas no mercado. Para Sérgio
Vale, economista-chefe da MB Associados, os investimentos aumentaram 16,6% entre
abril e junho, taxa que, se confirmada, será a maior da série histórica do
IBGE. Os desembolsos, segundo ele, foram puxados pela construção civil, que,
finalmente, começou a reagir.
Na
avaliação de Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING, o consumo das famílias
também fará a diferença no cálculo do PIB. Mesmo com a alta da inflação,
que tirou um pouco da renda das famílias menos abastadas, e da elevação dos
juros, iniciada em abril, o crescimento será forte, próximo de 5% na comparação
do segundo trimestre com igual período de 2007. Roberto Padovani,
economista-chefe do Banco WestLB, acredita em um número mais próximo de 6%,
devido o crédito farto. Já Sérgio Vale crava expansão de 6,2%. A grande dúvida,
do lado da demanda, está no consumo do governo, que se mostrou tão forte entre
janeiro e março, suscitando o debate sobre os exageros nos gastos públicos.
Para
Flávio Serrano, economista-sênior do Banco BES Investimento, o resultado do
PIB só não será melhor por causa do "vazamento externo?. Ele é
representado pelo crescimento maior das importações frente as exportações.
Os cálculos dos analistas indicam que o "desconto? no PIB será entre 2% e
2,5%. Mas que fique bem claro: as importações têm sido importantíssimas,
pois o grosso delas representa máquinas e equipamentos, que, futuramente, vão
permitir maior produção pelas indústrias, ajudando o Banco Central na difícil
tarefa de equilibrar demanda e oferta, hoje a principal preocupação quando se
fala de inflação e de alta da taxa de juros.
Na
opinião de Cristiano Souza, economista do Banco Real, o relevante é que o
Brasil ampliou o potencial de crescimento, apoiado em sólidos alicerces como o
câmbio flutuante, as metas de inflação e o superávit primário. "Isso
consolida a estabilização e dá maior previsibilidade à economia?, acrescenta.
Ou seja, as empresas têm um horizonte longo e tranqüilo para investir e as
pessoas físicas, segurança em relação ao emprego e à renda para consumir.
"São conquistas das quais não podemos abrir mão.?
Ele
admite, porém, que o Brasil está longe de registrar as médias anuais de
crescimento que se viu nos anos 1960 e 1970, de 5,9% e de 8,6%, respectivamente.
Mas está bem melhor do que nas chamadas décadas perdidas, os anos 1980 e 1990,
quando o país patinou. Para Souza, mesmo que, em 2009, o PIB brasileiro cresça
mais próximo dos 3%, por causa do aumento dos juros e dos efeitos da crise
internacional, a robustez da economia veio para ficar.
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País
receberá investimentos de R$ 1,4 tri até 2012, diz Lula
Em
discurso em evento em Pernambuco, presidente diz que 'Brasil vive o seu mais
extraordinário momento'
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 5, que o Brasil
receberá investimentos de R$ 1,4 trilhão até 2012 em projetos já contratados
e compromissados. "O
Brasil vive o seu mais extraordinário momento", discursou o presidente,
durante a cerimônia de corte do aço do primeiro navio a ser construído pelo
estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE). Segundo Lula, esse montante foi
calculado após uma reunião realizada semana passada com empresários no Palácio
do Planalto, em Brasília. "Fizemos
uma radiografia do que vai acontecer com o Brasil", disse.
O
discurso de que o Brasil vive um novo momento foi a tônica da fala do
presidente para uma platéia composta por trabalhadores do estaleiro, empresários,
políticos locais, ministros e executivos da Petrobras. "O
que estamos provando a este País é que nós não temos o direito de jogar
nenhuma oportunidade fora e de não aproveitar o potencial extraordinário que o
brasileiro tem", afirmou o presidente. "Começamos a pensar no Brasil",
acrescentou.
Segundo o presidente, o Brasil colhe hoje os resultados da política executada
desde 2003, quando teve que fazer um "sacrifício para ajustar o País",
admitiu Lula. "Nunca o Brasil gerou essa quantidade de empregos. Certamente
chegaremos a dois milhões de empregos com carteira assinada", disse.
Pré-sal
Em diversos momentos do discurso, Lula citou as reservas do pré-sal como uma
esperança de riqueza futura para o Brasil e que se considera um presidente de
sorte por tudo isso estar ocorrendo agora. "Deus estava viajando e parou
por aqui. Por isso que digo que ainda faltam dois anos e quatro meses para
terminar o meu mandato. Daqui até 2010, iremos colher os frutos do que foi
plantado", disse.
O presidente voltou a defender que a estratégia de exploração das reservas não
se paute pela exportação do óleo cru. "Não vamos exportar óleo cru do
pré-sal para gerar riqueza em outro país. Vamos exportar só produto refinado",
disse. De acordo com Lula, o Brasil não deve reproduzir o que faz hoje o México,
que exporta óleo cru para os Estados Unidos e importa gasolina do mercado
americano.
Navios
Ele admitiu que, para a Petrobras, a compra dos navios no mercado nacional não
foi tão vantajosa do se que encomendasse as instalações no mercado
internacional. "Se a Petrobras comprasse a plataforma na Noruega e na Coréia
do Sul, poderia economizar US$ 100 milhões. A empresa está compreendendo que
deixou de ganhar esse valor, mas está gerando emprego, renda e consumo. O que
esses trabalhadores estão gastando no comércio e o que o estaleiro está
comprando de matéria-prima valeu muito mais do que os US$ 100 milhões",
afirmou.
O presidente mencionou ainda que, nos próximos anos, o Brasil ganhará cinco
novas siderúrgicas e a Petrobras construirá cinco novas refinarias,
localizadas no Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e no Rio de
Janeiro (Comperj).
Ele lembrou que o setor siderúrgico no Brasil ficou 22 anos sem construir um
novo alto forno, embora produzindo, nesse período, a mesma quantidade de aço.
"Este País estava atrofiado e proibido de crescer, porque passamos 20 anos
discutindo inflação e dívida externa, e ninguém parava para discutir a
concentração e o acúmulo de miseráveis nas periferias", afirmou,
criticando a corrente econômica que predominou no Brasil nas décadas de 1980 e
1990. "Quando um jovem de 24 anos comete um delito, ele é menos criminoso
do que os que foram responsáveis pela política econômica e desenvolvimento
dos últimos 20 anos", disse Lula.
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Lula
promete "reforçar" papel da Petrobras
Em
discurso no rádio e na TV, presidente diz que país constituirá poderosa e
sofisticada indústria petrolífera
No tradicional pronunciamento de 7 de Setembro, transmitido em cadeia de rádio
e TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem à noite enfática
defesa do papel da Petrobras na descoberta das reservas na camada do pré-sal e
disse que a estatal será "reforçada".
Em público, foi a referência mais concreta feita até agora pelo presidente
sobre os destinos da estatal nesta nova fase relativa ao petróleo no país.
Lula afirmou que a descoberta das novas jazidas "não seria possível sem a
Petrobras" e acrescentou que a exploração dessas reservas "será
mais um desafio tecnológico desta empresa, que é o maior símbolo da
criatividade e da competência dos brasileiros".
No momento em que listava as diretrizes dadas à comissão que estuda novas
regras de exploração na camada do pré-sal, Lula disse: "Vamos constituir
uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, consolidar o renascimento de
nossa indústria naval e acelerar o desenvolvimento tecnológico da nossa
petroquímica. Vamos reforçar a nossa Petrobras".
O tom do pronunciamento coincide com uma espécie de "virada" no
discurso de Lula sobre a estatal. Logo após o anúncio do potencial das
descobertas no pré-sal, Lula mandou recados públicos à diretoria da Petrobras,
sugerindo que ela não era a dona das novas jazidas, e deixou vazar que pretende
criar uma nova empresa para gerir essa riqueza.
Ontem, no pronunciamento, Lula disse ainda que quer uma política energética
"voltada para a paz, o progresso e a solidariedade, e não para alimentar
disputas e conflitos". Eventuais mudanças nas regras de exploração do
petróleo no pré-sal podem ter de passar pelo crivo do Congresso Nacional.
No discurso, o presidente disse que, mesmo com as novas riquezas em vista, não
deixará o governo "sair por aí gastando o que ainda não temos".
Todo o pronunciamento foi voltado ao pré-sal, tema com o qual Lula tem
procurado faturar politicamente, em ano de eleições municipais.
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UE
certifica 252 fazendas do país
O Brasil já tem 252 propriedades autorizadas a fornecer gado aos frigoríficos
habilitados a exportar carne bovina à União Européia. Na última semana, as
autoridades sanitárias da Comissão Européia reconheceram 27 novas fazendas
como aptas a abastecer os países-membros do bloco comercial.
A UE autorizou, pela primeira vez, a inclusão de uma propriedade paulista, a
fazenda Estiva II, localizada em Novo Horizonte. Reconhecido como área livre de
febre aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE),
o Estado aguardava essa primeira habilitação desde maio. Agora, espera-se que
a UE permita a inclusão de fazendas do Paraná e Mato Grosso do Sul, os
principais prejudicados pelo foco de aftosa descobertos em outubro de 2005.
Desde a implantação do novo sistema de habilitação, no fim de fevereiro
deste ano, a lista saltou de 106 para as atuais 252 propriedades autorizadas.
Mesmo com o ritmo mais acelerado de inclusão de novas fazendas, a relação de
propriedades aptas está longe da lista de 2.681 fazendas que uma missão do
Ministério da Agricultura desejava emplacar em janeiro.
"O ritmo está mais forte, mas ainda temos problemas com o acúmulo de
pedidos sob análise", diz o mineiro Gilman Rodrigues, presidente do Fórum
Nacional dos Secretários de Agricultura. Segundo ele, as certificadoras do
sistema de rastreamento bovino (Sisbov) estão fazendo agora o trabalho que
deveriam ter realizado há seis anos. "É muita minudência, muito papel
para conferir e muita visita para fazer. Por isso, acho que só podemos inclui
de 20 a 25 novas fazendas por semana nessa lista".
Se confirmada a previsão, a relação brasileira chegaria ao fim deste ano com
outras 400 fazendas autorizadas a fornecer gado vivo aos frigoríficos. Para
chegar à proposta original brasileira de 2.681 propriedades, seriam necessários
dois anos de novas habilitações, como adiantou o Valor em fevereiro deste ano.
De acordo com a lista divulgada pela Direção-Geral de Saúde e Proteção ao
Consumidor da UE, as fazendas aptas a vender gado estão localizadas em Minas
Gerais (149), Mato Grosso (36), Goiás (33), Rio Grande do Sul (18) e Espírito
Santo (15), além da única fazenda paulista. A atualização da relação
permitiu, segundo informação da UE, a habilitação de 13 novas fazendas em
Minas, sete em Mato Grosso, cinco em Goiás e duas no Rio Grande do Sul.
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Lei
brasileira é exemplo de modernidade
Código chega à maioridade como uma legislação avançada e ainda servindo de
inspiração a vários países
A lei 8.078, mais conhecida como o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que
foi promulgada no dia 11 de setembro de 1990, chega à maioridade como uma das
leis mais modernas do mundo. Ela serviu de exemplo para várias outras leis e,
em alguns pontos, é mais avançada do que a legislação da União Européia e
do Canadá. No I Seminário Internacional de Direito do Consumidor, promovido
pelo Instituto dos Advogados do Brasil (IAB), que está sendo realizado esta
semana, especialistas afirmaram que, além das diferenças nas legislações, a
própria prática de cumprimento se encontra em níveis diferentes pelos países.
No âmbito do Mercosul, o Brasil, segundo os especialistas, tem a legislação
mais moderna e completa, inclusive no que diz respeito às sanções por
descumprimento (há previsão inclusive de enquadramento criminal). O país foi
o primeiro a adotar uma legislação específica na defesa dos direitos do
consumidor na região e foi a inspiração para as leis adotadas em Argentina,
Paraguai, Peru, Colômbia e República Dominicana.
Bruno Miragem, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Política e Direito do
Consumidor (Brasilcon), afirma que a lei brasileira tem, como principal
qualidade, o fato de estar construída sobre direitos gerais, o que torna o Código
sempre atual:
- Nossa lei foi copiada também por Cabo Verde e Angola. E ainda é mais avançada
do que as da União Européia no que tange a serviços, pois as leis européias
estão mais voltadas a produtos.
Tratado tentará diminuir desigualdades nos países
Há cerca de uma década se discute uma legislação comum para a defesa dos
consumidores do Mercosul. Em 2000, os presidentes de Argentina, Brasil, Paraguai
e Uruguai chegaram a assinar uma carta de intenções, mas que não foi para a
frente. No entanto, esse projeto começa a tomar um caminho diferente. Para
tentar combater um tratamento desigual de consumidores da região, a professora
Cláudia Lima Marques está desenvolvendo, junto com o Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, o Tratado
Internacional de Proteção dos Consumidores das América (Cidip VII):
- As perspectivas são muito boas, pois propomos a aplicação da lei mais favorável
ao consumidor, seja ela a do país do fornecedor ou a do país de domicílio dos
consumidores. Se o comércio hoje é internacional, o direito do consumidor também
terá que ser. Contamos com o apoio de outros nove países latino-americanos
nessa empreitada.
O espanhol Guilherme Orozco Pardo, da Universidade de Granada, também defende a
aplicação da lei mais favorável ao consumidor:
- Os estados deveriam impor o princípio da reciprocidade. Não deve haver
respostas locais a problemas globais.
A idéia, no início, diz Gabriel Stiglitz, representante da Argentina, era
criar diretivas como na Europa:
- A Argentina avançou nos últimos anos nas ferramentas judiciais, como as ações
coletivas, mas está a léguas do Brasil. Paraguai e Uruguai estão mais atrás
ainda. Em nenhum desses países há estruturas como os Procons, o Ministério Público.
O Brasil é um exemplo.
Para Geraint Howells, escritor e professor de direito da Universidade de
Lancaster, no Reino Unido, em tempos de economia globalizada será difícil
manter o padrão de cada país:
- As leis precisam ser simples, apenas manter o contrato vivo.
Dimitri Yanin, presidente da Confederação de Sociedades de Consumo da Rússia,
explica que a entidade reúne 42 membros regionais:
- Nosso ideal é colocar a legislação Russa no mesmo patamar da lei americana,
mas até os anos 80 lutávamos para conseguir comprar algo, pois as filas eram
enormes. Hoje, as leis russas já sofreram mudanças, e conseguimos melhorar a
proteção ao consumidor. Nossas leis foram copiadas por vários países da ex-União
Soviética.
Entre as leis russas uma é de dar inveja aos brasileiros: lá, eles podem
trocar um automóvel, computador ou barco, por causa de qualquer defeito, em até
15 dias de uso, sem ter de levar o produto à autorizada para conserto, como
acontece no Brasil.
A brasileira Patrícia Galindo, que fez mestrado em Quebec sobre as leis de
direitos do consumidor, explica que o estado canadense começou a pensar no tema
em 1906, mas somente em 1965 foi declarado que o consumidor é a parte mais
fraca:
- Apesar de pioneira, a lei do Quebec acabou ficando engessada, pois traz muitas
especificidades. Ainda hoje discute-se se é melhor ter uma lei intervencionista
ou não. Lá, também não são previstas as ações coletivas nem há Ministério
Público
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Descoberta
dobra reserva do Brasil
A Petrobras confirmou ontem a existência, acima das expectativas, de óleo leve
na camada pré-sal da Bacia de Santos, no campo de Iara, a 230 quilômetros do
litoral da cidade do Rio de Janeiro. A
estimativa de produção é de até quatro bilhões de barris, fazendo com que
as reservas confirmadas de petróleo do Brasil saltem de algo entre cinco bilhões
a oito bilhões de barris para até 12 bilhões. No total, a camada do pré-sal
tem uma reserva estimada em 80 bilhões de barris.
Ontem, o assessor especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), Antônio Barros de Castro, participou do seminário que comemora
os 200 anos do Ministério da Fazenda. No evento, ele apresentou um levantamento
mostrando que o governo poderá diluir, ao longo de vários anos, o impacto dos
investimentos necessários para exploração do pré-sal, se adotar políticas
de controle de demanda e oferta. "O país pode determinar a velocidade do
financiamento. Para isso, a calibragem pela política de oferta é
fundamental", afirmou.
O estudo do BNDES estima que, se o governo adotar medidas desse tipo, o país
terá condições de exportar, liquidamente, 200 mil de barris de petróleo por
dia em 2015 e elevar esse valor para 1,4 milhão de barris em 2045. Por outro
lado, se nada for feito, a venda para outros países começará forte em 2015,
mas pode despencar nos anos seguintes. Nesse cenário, está previsto um déficit
de petróleo de 500 mil barris em 2045. Na avaliação dele, ainda existem
incertezas com relação à exploração da camada do pré-sal. Porém, deixou
claro que essa é uma decisão política.
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Brasil
deve criar mais de 2 mi de empregos em 2008, diz Lupi
Para
ministro do Trabalho, 'tudo conspira a favor do País, que está se tornando a
Meca dos investimentos'
SÃO
PAULO - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou que o Brasil
deve criar pouco mais de 2 milhões de empregos em 2008, marca que vai
superar em 31,8% a geração de 1,517 milhão de postos de trabalho gerados em
2007. "O Brasil entrou no paradigma do círculo virtuoso. É impressionante
como o País está crescendo em todas as suas regiões, sobretudo nas cidades do
interior. Os investimentos estão registrando fortes níveis de expansão. A
Petrobras está descobrindo novos poços de pré-sal. Tudo conspira a favor do
País, que está se tornando uma Meca dos investimentos."
Lupi
afirmou que a criação de empregos em agosto deverá bater novo recorde para
todos os meses de agosto na história. Embora não tenha dado mais detalhes
sobre o patamar de postos de trabalho que serão criados, ele estima que, no mês
passado, no acumulado em um ano, a geração de postos de trabalho deve ficar próxima
a 2 milhões de vagas.
Na
avaliação dele, que deixou claro que está empolgado com a expansão do nível
de atividade do País, a economia nacional deve registrar um crescimento de 6%
em 2008, o que superaria a marca de 5,4% de elevação do Produto Interno Bruto
(PIB) apurado em 2007. "Muitos especialistas riram quando eu disse, no início
do ano, que o Brasil iria apresentar um crescimento muito forte em 2008. Agora,
com a expansão (de 6,1% do PIB no segundo trimestre, ante o mesmo período de
2007), acredito que estão reconsiderando suas avaliações."
"Mesmo
com a ação do Banco Central, que elevou os juros, o Brasil deve continuar
nesta rota de crescimento vigoroso neste ano e no próximo, pois, entre outros
fatores, os investimentos estão sendo feitos com muita força, dado que os
empresários estão vendo que cresceram muito as vendas do mercado interno, e
querem ampliar a capacidade de produção (de suas fábricas) para o longo prazo,
horizonte de dez anos."
No
terceiro seminário Capital e Trabalho, Compromisso Estratégico para a
Sustentabilidade, realizado em São Paulo, o ministro reforçou a avaliação do
presidente Lula de que o Brasil está no caminho certo para registrar um
crescimento robusto de longo prazo, porque consegue avançar os fundamentos
macroeconômicos ao mesmo tempo que mantêm a inflação sob controle. "A
inflação é ruim para o trabalhador, ela só ajuda quem especula. Portanto,
esse é um valor conquistado pela sociedade que precisa e vai ser preservado."
Ao
falar para um platéia composta por líderes sindicais, o ministro ressaltou que
as principais centrais sindicais do País precisam unir seus princípios
"macros", ou seja, as grandes questões comuns, preservando suas
naturais divergências e alguns pontos específicos, o que, para ele, é
"natural".
Lupi
ressaltou que é favorável que a jornada de trabalho seja reduzida para 40
horas semanais, porém, afirmou que as lideranças sindicais precisam ser mais
ativas para ir à Câmara Federal e ao Senado, a fim de viabilizar junto aos
parlamentares tal pleito. "Já fui deputado federal, e sei que o Congresso
Nacional funciona sob pressão da sociedade, portanto, os líderes sindicais, se
quiserem ver matéria aprovada pelo Poder Legislativo, precisam conversar com
deputados e senadores para defender tais propostas."
Fonte:
Ricardo Leopoldo, da Agência Estado
12 de setembro de 2008
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MS
pode voltar a exportar para a UE
O Ministério da Agricultura informou ontem que Mato Grosso do Sul voltará a
ser área habilitada à exportação de carne bovina fresca para os 27 países
da União Européia. Todo o território do Mato Grosso e de Minas Gerais também
estão na mesma condição. A informação foi repassada ao ministro da
Agricultura, Reinhold Stephanes, pela Secretaria de Defesa Agropecuária, que há
meses acerta os detalhes técnicos com a UE.
Fonte:
O Estado de São Paulo
13 de setembro de 2008
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Brasil
é agora um país de classe média, diz The Economist
Revista
trata sobre o crescimento econômico e os avanços sociais no país.
Anteriormente notório por seus extremos, o Brasil é agora um país de classe média,
afirma a revista The Economist que chegou ontem às bancas. A
publicação trata do crescimento de uma parte da população brasileira
caracterizada pelo emprego na economia formal, acesso ao crédito e propriedade
de um carro ou uma moto.
A revista discute a expansão de 44% para 52% da classe média no país desde
2002, considerando as famílias com renda entre R$ 1.064 e R$ 4.561, conforme a
Fundação Getulio Vargas (FGV). A faixa já representa mais de metade da população.
A melhora da qualidade da educação e a migração dos empregos informais para
os formais são apontados como responsáveis pelo movimento, conforme Marcelo
Neri, da FGV. "O rápido crescimento do crédito, que não existia até
recentemente em razão das elevadas taxas de juros, tem ajudado a estimular o
poder de compra da classe média", diz a Economist.
Até cirurgias plásticas podem ser feitas a prestações no país, ressalta a
revista. A demanda por produtos de beleza dessa parte da população pode ser
reflexo do padrão estabelecido pelas novelas, produzidas no Rio de Janeiro,
afirma. Conforme a publicação, a classe média brasileira é mais consciente
na hora do consumo do que a da América do Norte e da Europa. No entanto, não
gosta de comprar em lojas que pareçam baratas.
Do ponto de vista político, a Economist diz que no passado as pesquisas
mostravam a preferência pelo PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
em detrimento do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, com a
ascensão da classe D para C, esse cenário se altera. "Mas permanece irônico
que esta grande transformação social, que foi atingida em parte pela abertura
comercial com o resto do mundo, possa acabar apoiando um partido que, até
recentemente, era favorável à autarquia."
Ao comentar a reportagem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem
que o aumento na renda está tornando a classe média o extrato social dominante
no país, mas que isso ainda pode melhorar.
- O país está indo muito bem e está criando uma mobilidade social de modo que
a classe média hoje é a classe dominante. Mas pode melhorar mais ainda.
Estamos trabalhando nesse sentido - disse Mantega.
Fonte:
Zero Hora
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Petrobrás
ousa com etanol
Estatal vai produzir e exportar energia a partir da cana em 2010
A primeira usina de produção de
etanol a contar com a parceria da Petrobrás, num ousado plano de exportação
do combustível e geração de energia a partir da cana-de-açúcar, deverá
entrar em operação no início de 2010, no município de Itarumã, 400 quilômetros
a sudoeste de Goiânia. A produção inicial prevista para essa usina é de 95
milhões de litros. A partir de 2014, na segunda fase, de 200 milhões de litros.
A Petrobrás informou, por intermédio de sua Assessoria de Imprensa, que a meta
de exportação anual de álcool combustível pela estatal, já em 2012, é de
4,75 bilhões de litros. Para tanto, serão necessários investimentos
superiores a U$ 1,5 bilhão em outros complexos industriais do setor de
cana-de-açúcar no País. Com isso, a Petrobrás deverá entrar também para a
União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
Para a produção do etanol, a Petrobrás Biocombustível criou um modelo de negócio
baseado nos chamados Complexos Bioenergéticos (CBios), que buscam parcerias com
empresas internacionais que garantam mercado mundo afora e produtores nacionais
de cana-de-açúcar. Na associação com a brasileira Itarumã Participações,
montada por um grupo de produtores de cana de Ribeirão Preto (SP), a Petrobrás
formou uma joint venture com a japonesa Mitsui, chamada PCBios - cada uma das
empresas tem 50% da sociedade. No empreendimento com a Itarumã, serão 40% da
PCBios e 60% do grupo de produtores brasileiros. Em 2014, já em pleno
funcionamento, a usina plantará 32 mil hectares de cana-de-açúcar, para
chegar à produção de 200 milhões de litros anuais, informou Roberto Andrade,
do conselho de administração da Itarumã.
A área onde será montada a usina está toda terraplenada, e parte da cana já
foi plantada. Fica na Fazenda Queixada, a 56 quilômetros da sede do município
de Itarumã. Como parte da cana já amadureceu , mas ainda não poderá ser
industrializada, ela será vendida para usinas instaladas em Serranópolis,
município vizinho.
No fim do ano que vem, a montagem da usina deve ter sido concluída, podendo,
então, iniciar seus primeiros testes de produção do etanol, disse Andrade. Ao
todo, o projeto da Itarumã custará U$ 227 milhões.
A usina não produzirá açúcar. Será totalmente voltada para o álcool
combustível e para a geração de energia. Com o bagaço da cana e folhagem,
terá condição de gerar 50 megawatts/hora. Desse total, usará 20 mw para
girar todo o complexo industrial. Os 30 mw excedentes serão leiloados. A
exportação de energia deverá começar em 2010. O plantio e a colheita da cana
serão mecanizados, evitando as queimadas usadas para limpar as folhas quando a
colheita é manual.
Ao todo, de acordo com informação de Andrade, 300 pessoas deverão trabalhar
diretamente nas áreas industrial e administrativa da usina. Haverá outras 800
vagas para motoristas de caminhões e de tratores, equipes de combate a incêndios
e vigias de doenças da cana, com a incumbência de percorrer os canaviais a pé,
para procurar doenças e outros tipos de problemas.
Por enquanto, os técnicos que já trabalham na Usina de Itarumã vêm fazendo
experimentos com mudas de cana de várias espécies, para identificar quais se
adaptam melhor ao cerrado do Centro-Oeste, região com estações climáticas
bem definidas: seca da segunda quinzena de abril a setembro e chuvas de outubro
à primeira quinzena de abril. Neste momento, a energia está sendo produzida
por geradores movidos a diesel. A administração do complexo, em Itarumã, por
enquanto fica na velha sede da Fazenda Queixada. Estão prontos um alojamento e
um refeitório que atendem até 200 pessoas.
De acordo com informações da Petrobrás, a estatal e a Mitsui decidiram
investir no projeto de Itarumã por considerar que tem viabilidade ambiental e
econômica diante do grande potencial de exportação de etanol brasileiro para
atender às demandas internacionais por energia renovável e diversificação
energética, o que possibilitará a redução das emissões de gás de efeito
estufa.
A produção de Itarumã deve seguir em caminhões até Senador Canedo, a cerca
de 350 quilômetros a nordeste, local de passagem de um alcoolduto que levará o
etanol do Centro-Oeste para os portos do Sudeste, de onde seguirão para os
mercados internacionais.
Fonte:
João Domingos - O Estado de São Paulo
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Mercado
interno sustenta crescimento
Expectativa é que demanda doméstica continue a puxar economia; governo fala em
longo ciclo de investimentos produtivos
Projeções feitas pelo BNDES sustentam que a economia brasileira deverá
investir R$ 1,5 trilhão nos próximos quatro anos na produção
Assim como em 2008, o mercado interno deve ser o "pilar" do
crescimento brasileiro em 2009. Empresários
apostam que, no ano que vem, a desaceleração seja suave e controlada.
"Quando imaginávamos um tranco da crise internacional, o Brasil apareceu
surpreendentemente protegido, com o mercado interno dando a tônica do
crescimento. Esperamos que isso continue em 2009", afirma o presidente da
CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto. O empresário
prevê que o ano que vem seja menos "inflado" que 2008 em todos os
aspectos.
Em relação ao aumento da capacidade produtiva do país, a expectativa é que
também haja uma diminuição no ritmo dos investimentos das empresas.
Segundo as previsões da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas
e Equipamentos), é possível prever um aumento no consumo de máquinas e
equipamentos no país próximo a 10% no ano que vem. É menos do que os 17%
esperados em 2008, mas, mesmo assim, um número elevado.
"Os investimentos vêm sendo feitos. O mais importante é o governo não
gerar a expectativa de que vai exagerar na dose dos juros e acabar revertendo as
decisões de investimento das empresas", diz Luiz Aubert Neto, presidente
da Abimaq.
BNDES
O governo sustenta que, apesar do cenário externo adverso, o Brasil passará
por um longo ciclo de investimentos. Segundo novas projeções do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a economia brasileira deverá
investir R$ 1,5 trilhão nos próximos quatro anos.
Em dezembro, o BNDES havia estimado os investimentos em R$ 1,213 trilhão no
quadriênio. Agora, empacotados sob o slogan "Um novo Brasil em construção",
o valor subiu 24% e não inclui ainda o que deverá ser gasto para explorar o
petróleo na camada do pré-sal.
O crédito e fontes de financiamento para a produção serão chaves para a
manutenção dos níveis de investimento.
Um dos setores mais dinâmicos no momento, a construção civil, por exemplo,
está em busca de alternativas de financiamentos depois que as construtoras
viram secar os recursos levantados na Bolsa de Valores.
Algumas empresas fizeram IPOs (ofertas públicas de ações, na sigla em inglês)
e usaram o dinheiro para comprar terrenos. Com a queda do mercado, ficaram agora
sem recursos para as edificações.
"Muitas construtoras estão redesenhando sua engenharia financeira agora
para ver de onde podem tirar recursos", afirma Ana Maria Castelo,
economista da FGV Projetos e consultora do SindusCon-SP.
Mesmo assim, o setor da construção civil (que pesa 5% no PIB) prevê
crescimento de 9% em 2009, quase igual aos 10% esperados neste ano.
Apesar dos riscos de um aperto no crédito combinado ao desaquecimento da
economia brasileira e mundial, o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida,
consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e
professor da Unicamp, acredita que "só uma barbeiragem contaminará de
forma mais profunda" o Brasil em 2009.
Fonte:
Folha de São Paulo
15 de setembro de 2008
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Balança
tem superávit de US$1,257 bi na 2a semana do mês
SÃO
PAULO - A balança comercial brasileira registrou superávit de 1,257
bilhão de dólares na segunda semana do mês, informou o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta segunda-feira.
A cifra resulta de exportações de 5,073 bilhões de dólares e importações
de 3,816 bilhões de dólares.
Em setembro, até o dia 14, o superávit acumulado é de 1,552 bilhão de dólares.
Pela média diária, de 155,2 milhões de dólares, o desempenho é 15,2 por
cento menor que em todo o mês de setembro do ano passado.
No ano, a balança tem saldo positivo de 18,459 bilhões de dólares. Desde
janeiro, as exportações apresentam alta de 29,5 por cento sobre o mesmo período
de 2007, mas as importações mostram aumento de 53,5 por cento.
O mercado espera que o Brasil feche este ano com superávit comercial de 23,6
bilhões de dólares, segundo o último relatório Focus. No
ano que vem, o saldo positivo cairia para 13 bilhões de dólares.
Fonte:
Estadão.com.br
16 de setembro de 2008
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Brasil
encontra 'destino' e não vai parar de crescer, diz Lula
No
rádio, presidente afirma que está satisfeito com economia e ressalta aumento
do poder aquisitivo
BRASÍLIA - O
presidente Luiz
Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 15, que o País
encontrou "seu próprio destino e não vai mais parar de crescer". Em
seu programa semanal Café com o Presidente, ele se disse "satisfeito"
com o desempenho da economia brasileira nos últimos anos. "Dentro desse
crescimento, cresce também o poder aquisitivo do povo brasileiro, a massa
salarial. E, portanto, estamos com uma economia atingindo um nível muito
importante entre a demanda, que é o quando o povo vai comprar, e a oferta, que
é quando tem o produto na loja."
Para
Lula, é esse equilíbrio que irá permitir que o país cresça, distribua mais
renda e mantenha a inflação "altamente controlada". Ele destacou
ainda a expansão de 16,2% dos investimentos no País e afirmou que o êxito
representa "confiança". "Os bancos têm mais dinheiro para
emprestar e as pessoas estão tomando mais dinheiro emprestado. As indústrias
que já fizeram hora extra, segundo turno e terceiro turno têm que aumentar um
pedaço da sua fábrica. Aquelas que ainda não estão trabalhando em três
turnos vão começar. Tudo isso para fazer girar a economia".
O
presidente associou o giro dos índices positivos a uma roda gigante, que não
deve parar para que a renda dos brasileiros continue crescendo e fomentando o crédito,
a expansão industrial e a expansão do consumo.
Ao
comentar os investimentos no país, ele destacou o potencial energético
brasileiro. Lula classificou o setor de "coração do desenvolvimento do
Brasil" e garantiu que vai oferecer mais energia e trazer mais empresas
para o país, sobretudo no Amazonas.
Na
área do petróleo, o presidente lembrou sua visita ao Espírito Santo para
participar da primeira retirada de petróleo da camada pré-sal e afirmou que a
próxima etapa é ir ao Rio Grande do Sul para o lançamento da P-53 em alto
mar. "Isso significa uma indústria naval mais forte, nossos estaleiros
mais fortes, mais mão-de-obra qualificada, mais emprego, mais salário, mais
renda e melhoria das condições de vida".
Fonte:
Agência Brasil
16 de setembro de 2008
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Queda
de exportações pode atingir economia
Quem
acompanha os números da bolsa e as cotações dos ativos financeiros não tem
mais dúvidas: a crise internacional veio para ficar e seus reflexos serão
sentidos inclusive no Brasil. Resta
saber agora se as perdas enfrentadas pelos investidores ficarão restritas ao
mercado financeiro ou cruzarão as portas da BM&F Bovespa em direção à
chamada economia real.
Na análise de especialistas consultados pela Gazeta Mercantil existem boas e más
notícias envolvendo a economia brasileira. A ruim é que o País realmente
apresentará uma taxa de crescimento inferior no ano que vem. A boa é que essa
desaceleração pouco ou nada tem a ver com a crise externa, e sim com o
processo de aumento da taxa básica de juros (Selic) conduzido pelo Banco
Central para conter a inflação. Os analistas destacam, no entanto, que existe,
sim, uma chance de contágio da crise no desempenho da economia brasileira.
As exportações são as mais vulneráveis a uma piora das condições
internacionais, segundo o economista Cristiano Souza, do Banco Real. "Uma
redução do crescimento mundial pode diminuir tanto a quantidade quanto o valor
dos produtos vendidos pelo País", afirma. Nesse movimento, a evolução
dos preços das commodities, responsáveis por 40% da pauta nacional de exportações,
será fundamental para avaliar esse impacto, observa.
De todo modo, o fato de a economia brasileira ser relativamente fechada - as
exportações respondem por apenas 14% do Produto Interno Bruto (PIB) - acaba
limitando possíveis efeitos negativos, analisa Souza. Para o economista, a
queda da bolsa por si só também não representa uma ameaça à atividade doméstica.
"Ao contrário dos Estados Unidos, onde a cada US$ 100 de riqueza US$ 30 vêm
de ações, no Brasil a riqueza das pessoas não depende da bolsa." O Real
projeta crescimento de 3,5% para o PIB brasileiro em 2009.
O economista Filipe Albert, da Tendências Consultoria, considera que a crise não
deve reduzir o apetite dos bancos brasileiros em conceder crédito, o que também
poderia contribuir para um desaquecimento da economia. "A falta de liquidez
internacional prejudica, mas os bancos nacionais se encontram em uma posição
muito saudável", diz.
Mais preparado
De acordo com o consultor de análises econômicas do Banco Itaú, Joel
Bogdanski, fica difícil fazer qualquer prognóstico sobre a economia brasileira
"no olho do furacão" da crise. Por outro lado, ele afirma "sem
medo de errar" que o Brasil está muito mais preparado hoje para enfrentar
um possível agravamento das condições dos mercados internacionais. "O País
está em uma situação em que pode esperar para ver o que vai acontecer",
diz Bogdanski, que atuou na implantação do sistema de metas de inflação
quando esteve no BC.
Fonte:
Vinícius Pinheiro - Gazeta Mercantil
17 de setembro de 2008
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Fluxo
de capital externo para o Brasil cresce mesmo com crise
Mesmo
com o agravamento da crise enfrentada pelos mercados financeiros internacionais,
o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil aumentou nas primeiras duas semanas
deste mês. Segundo
dados do Banco Central, o ingresso líquido de recursos (diferença entre o
dinheiro que entrou e as remessas que foram feitas ao exterior) ficou em US$
4,329 bilhões nesse período.
Em agosto, o BC havia registrado uma entrada de US$ 1,944 bilhão no país. No
ano, o saldo acumulado está positivo em US$ 18,714 bilhões.
Neste mês, a balança comercial continua respondendo pela maior parte do
resultado positivo apurado pelo BC. Entre os dias 1º e 12, as operações de
comércio exterior trouxeram US$ 3,605 bilhões ao país (já descontados os
pagamentos feitos por importadores).
A maior variação, porém, ocorreu justamente nas chamadas operações
financeiras, que incluem investimentos e empréstimos externos. Depois de
apresentar resultados negativos por cinco meses seguidos, neste mês o fluxo de
divisas nesse segmento está positivo em US$ 725 milhões.
Segundo técnicos do BC, as remessas de lucros e dividendos feitas por
multinacionais instaladas no Brasil já não apresentam o ritmo de crescimento
observado nos últimos meses, o que ajuda a explicar o saldo positivo nas operações.
Além disso, investimentos estrangeiros em títulos públicos e no setor
produtivo nacional continuam elevados, mesmo com a crise. O próprio movimento
na BM&FBovespa tem dado sinais de melhora. Apesar da queda sofrida pela
Bolsa, a saída de investidores estrangeiros nas duas primeiras semanas do mês
foi de R$ 900 milhões. Em julho, a fuga chegou a mais de R$ 7 bilhões.
Fonte:
Folha de São Paulo
18 de setembro de 2008
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Indústria
de celulose fecha as portas na Europa e abre no Brasil
Enquanto a Europa reduz a produção para cortar custos, o Brasil saltará do 6.º
para o 3.º lugar do ranking mundial
O Brasil se tornou protagonista na recomposição das forças da indústria de
papel e celulose. A união anunciada esta semana entre Votorantim Celulose e
Papel (VCP) e Aracruz, que fez surgir a maior produtora de celulose do mundo,
deve acelerar o ritmo de ampliação da produção nacional, que chegará a 18
milhões de toneladas anuais em 2012. Graças a essa onda de investimentos, o
Brasil deve ultrapassar a China e chegar à terceira posição no ranking de países
produtores da matéria-prima.
Ao mesmo tempo, o País virou o alvo preferido de multinacionais do setor, que
nos últimos anos estão levando suas fábricas de países do Hemisfério Norte
para os do Sul. A sueco-finlandesa Stora Ensa, a portuguesa Portucel e os
chineses da Asia Pulp & Paper (APP) são algumas das gigantes que avaliam
empreendimentos no Brasil, segundo fontes ligadas às empresas.
Além de escassa, a madeira utilizada pelos grandes produtores na Europa,
Estados Unidos e Canadá ficou mais cara. Em janeiro de 2009, a Rússia, uma das
principais fornecedora da indústria européia, vai começar a sobretaxar as
exportações desse insumo. "Eles não conseguem mais competir por causa do
custo da fibra, muito maior nessas regiões", explica Kurt Schaefer, vice-presidente
da RISI, agência internacional de informação para indústria de produtos
florestais.
O Brasil utiliza eucalipto na produção de celulose, que tem custo menor e
cultivo mais rápido. "Com alta produtividade e boa oferta de celulose, o
Brasil tem condições de abastecer os mercados que demandam o produto",
diz a presidente-executiva da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa),
Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, a demanda nos países emergentes levou ao
aumento da demanda de celulose no mercado externo.
A sueco-finlandesa Stora Enso, uma das maiores do setor, com faturamento de US$
11,8 bilhões, fechou quatro fábricas na Europa nos últimos dois anos. Agora,
concentra seus esforços nos mercados emergentes, principalmente em países da
América Latina e China. "A América do Sul se beneficia desse cenário",
diz o vice-presidente da subsidiária brasileira, Otávio Pontes.
No Brasil, a companhia está plantando uma base florestal de 13 mil hectares no
Rio Grande do Sul para futuros empreendimentos industriais. "Temos estudos
avançados para duplicar a capacidade de produção no País em dois anos",
diz. A companhia fabrica celulose no Brasil desde 2005, por meio da Veracel, uma
joint venture com a Aracruz no sul da Bahia.
Segundo Pontes, além de alto custo de produção, as fábricas na Europa sofrem
com a valorização da madeira. O insumo tem sido subsidiado na União Européia
para uso na geração de biomassa. O uso dessa fonte energética cresceu por
causa dos altos preços do petróleo e das metas para utilização de energias
renováveis fixadas nos países europeus.
A gigante Asia Pulp & Paper (APP) montou um escritório em São Paulo para
reforçar seus negócios no Brasil. Por enquanto, o objetivo da empresa, com fábricas
na China e Indonésia, é ampliar as importações - até então, ela vendia
irregularmente e em pequenas quantidades para o Brasil.
Mas a companhia não descarta a possibilidade de instalar uma fábrica de
celulose no Brasil. "O Brasil é o grande fornecedor do insumo. Não tem
quem possa batê-lo, pelo menos pelos próximos 15 a 20 anos", diz o
gerente-geral da subsidiária, Geraldo Ferreira.
Outra empresa que está de olho no potencial brasileiro é a portuguesa Portucel.
A empresa já estaria negociando a compra de terras em Mato Grosso do Sul. A
Secretaria do Desenvolvimento do Estado recebeu executivos da companhia há
cerca de dois meses. Em agosto, a Portucel anunciou a instalação de duas fábricas
de celulose, em Moçambique e no Uruguai.
Fonte:
Marianna Aragão - O Estado de São Paulo
23 de setembro de 2008
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Brasil
espera a normalização do crédito
Avaliação
da equipe econômica é que aprovação rápida do pacote dos EUA faça voltar
financiamento externo a empresas
Suspensão do crédito a companhias brasileiras foi até agora o principal
efeito da crise financeira dos Estados Unidos sobre o país
A equipe econômica do presidente Lula espera que o pacote de US$ 700 bilhões
do governo dos Estados de Unidos normalize a concessão de linhas de créditos
externas a empresas brasileiras, que ficou paralisada na semana passada.
Esse
bloqueio de crédito externo foi, até agora, o principal efeito sobre a
economia brasileira da crise que atinge o sistema financeiro norte-americano,
com quebra de instituições e seguradoras.
A normalização vai depender, na avaliação da equipe econômica, de uma rápida
aprovação do pacote de socorro de US$ 700 bilhões do Tesouro americano para
salvar as instituições financeiras atingidas pela crise do crédito.
A expectativa é que o Congresso dos Estados Unidos aprove as medidas nessa
semana, apesar das críticas de membros do Partido Democrata, maioria no
parlamento.
Até a normalização, o Banco Central deve manter leilões de dólares, como o
realizado na última sexta-feira, de US$ 500 milhões, sempre que o mercado
cambial se mostrar pressionado diante da falta de moeda para atender
exportadores e importadores.
Além disso, os ministérios da Fazenda e do Planejamento querem fechar o mais rápido
possível um plano de aumento de capital do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social), que passaria a suprir as necessidades de
financiamento das empresas brasileiras durante a crise financeira mundial.
No Planejamento, técnicos estão estudando cortes em despesas de custeio para
direcionar essa economia extra ao BNDES. Na Fazenda, eles estão mapeando a
situação das linhas de crédito externas e checando de quanto as empresas
brasileiras necessitariam nesse momento até a normalização do mercado.
Esse plano seria colocado em prática caso o mercado de crédito externo se
mantenha bloqueado nas próximas semanas. Isso, porém, é visto como improvável,
depois do pacote anunciado pelo presidente dos EUA, George Bush.
A situação das linhas de crédito externas preocupa o presidente Lula, que na
semana passada discutiu o tema com seus principais assessores em reunião no Palácio
do Planalto. Ele determinou a sua equipe a montagem de um plano de emergência
para solucionar o problema, que pode afetar o comércio externo brasileiro.
Em conversas com seus conselheiros econômicos, Lula foi alertado de que a tendência
da crise era se agravar e que o governo deveria tomar medidas, entre elas cortes
de gastos de custeio para liberar recursos para investimentos.
A principal preocupação do presidente, hoje, é que a crise venha a abortar o
ciclo de crescimento econômico do país. Daí sua orientação para a elaboração
de medidas destinadas a fortalecer o caixa do BNDES nessa crise.
Além disso, Lula tem pressionado o Banco Central a reduzir o ritmo do processo
de alta das taxas de juros. Em sua avaliação, diante da desaceleração econômica
mundial e da queda da inflação, não faz sentido manter elevações de 0,75
ponto percentual.
Fonte:
Valdo Cruz, da Sucursal de Brasília - Folha de São Paulo
23 de setembro de 2008
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Lula
discute a crise em NY com chefes de Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e autoridades de ao menos quatro países,
além do FMI, participarão de encontro na quarta-feira em Nova York para
debater problemas e soluções para a crise do mercado financeiro.
A reunião foi agendada no sábado e, de acordo com a Secretaria de Imprensa da
Presidência da República, foi solicitada pelo Reino Unido, que aproveita a
presença de líderes mundiais na cidade para a 63ª Assembléia Geral das Nações
Unidas, que acontece entre hoje e quinta.
China, Índia e Austrália também deverão participar da conversa, assim como
alto representante do FMI.
A agenda, contudo, não está fechada, e não há informações oficiais do
governo britânico a respeito. A reunião está prevista para as 19h de
quarta-feira, no hotel Waldorf Astoria, em Manhattan, onde o presidente e a
primeira-dama Marisa Letícia ficarão hospedados.
A chegada do avião presidencial a Nova York estava prevista para o início
desta madrugada. Na manhã de hoje, o presidente Lula participa do lançamento
da campanha publicitária mundial "Brasil Sensacional", da Embratur.
Após outros eventos ao longo do dia, ele será homenageado à noite em jantar
do Conselho das Américas.
O discurso de Lula no plenário da ONU será amanhã, mesmo dia em que falam os
presidentes Nicolas Sarkozy (França) e George W. Bush (EUA), entre outros.
Segundo a sua assessoria, Lula "defenderá o multilateralismo como
importante ferramenta para equacionar as crises ambiental, de alimentos e energética"
e voltará a defender a reforma no Conselho de Segurança da ONU.
Durante a semana, Lula terá encontros bilaterais com representantes de países
como Inglaterra, Líbia, Maníbia, Paquistão, Holanda e com o primeiro-ministro
chinês Wen Jiabao.
Fonte:
Daniel Bergamasco, de Nova York - Folha de São Paulo
22 de setembro de 2008
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EUBRASIL:
UMA CONTRIBUICÃO EMPRESARIAL PARA A CÚPULA UE-BRASIL 22 DE DEZEMBRO, 2008
A
2° Cúpula UE-Brasil será realizada no Rio de Janeiro, no dia 22 de dezembro
de 2008. No âmbito das relações cada vez mais estreitas entre as duas partes,
este encontro representa uma nova e grande oportunidade para relançar e reforçar
os vínculos entre as duas áreas.
A
delegação brasileira será encabeçada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A União Européia será representada pelo Presidente da República
francesa, Nicolas Sarkozy, na sua condição de Presidente do Conselho Europeu,
e pelo Presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.
A
Europa considera o Brasil como um parceiro importante e, na Cúpula de Lisboa em
2007, a Comissão Européia lançou o processo visando a constituição de uma
parceria estratégica.
"A
segundo encontro de cúpula Europa-Brasil no Rio de Janeiro - afirma Luigi
Gambardella Presidente de Eubrasil - será uma ocasião para aprofundar o diálogo
entre as partes e para lançar o Joint Action Plan de cooperação em setores
chaves onde existem interesses recíprocos: energia, transportes aéreos e marítimos,
sociedade da informação ciência e tecnologia, questões ambientais.
Paralelamente à Cúpula, haverá também o encontro da Business Roundtable que
congregará representantes das indústrias européias e brasileiras. Este
encontro possibilitará uma avaliação mais profunda dos progressos que já
foram feitos nas relações comerciais e dos obstáculos que ainda precisam ser
ultrapassados para favorecer um maior desenvolvimento dos intercâmbios."
"EUBrasil,
em colaboração com a Fundação Getúlio Vargas e a Chaire Mercosur de
Sciences Po - declarou
A
secretaria da EUBrasil presidencia@eubrasil.eu
está a disposição para todos os detalhes organizacionais
26 de setembro de 2008
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Sarkozy
quer Brasil no G8
O
presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu na ONU que o Grupo dos Oito
(G8, formado pelos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) deve ser
ampliado para um "G13 ou G14" e que o Brasil deve fazer parte disso.
Sarkozy,
que participa dos debates da 63ª Assembléia Geral da ONU, que começaram ontem
com a presença de 192 líderes mundiais, afirmou que
um "G13 ou G14" deveria incluir "China, Índia, África do Sul, México
e Brasil" e defendeu a também ampliação do Conselho de Segurança.
Em coletiva de imprensa após a assembléia, o presidente francês aproveitou
para falar da crise financeira que, segundo ele, "é a mais grave" no
mundo
"desde os anos 30". Sarkozy considerou que os chefes de Estado e de
governo dos países mais diretamente afetados "devem se reunir antes do fim
do
ano para tirarem juntos as lições da crise financeira".
O chefe de Estado propôs que essa cúpula seja de presidentes do G8 e que seja
realizada em novembro e aberta a líderes de economias emergentes. A finalidade
seria acertar medidas para enfrentar e prevenir crises financeiras como as
que sacodem os mercados globais. Sarkozy ressaltou à imprensa que as economias
mais desenvolvidas "são claramente mais responsáveis que os países em
desenvolvimento" pela atual situação, e por essa razão as principais potências
econômicas devem ser as responsáveis por encontrar uma solução.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, seguiu na mesma linha em seu discurso
de abertura. Ele pediu a restauração da ordem dos mercados financeiros
internacionais, pois alegou que a crise atual ameaça todos os avanços
conquistados em matéria de desenvolvimento.
"Precisamos restaurar a ordem dos mercados financeiros internacionais",
disse Ban. Ele disse à assembléia que o mundo enfrenta hoje "uma crise
financeira
global, de energia e de alimentos", além da ameaça da mudança climática.
O secretário-geral também se referiu ao "colapso, mais uma vez", das
negociações da Rodada de Doha, realizadas no âmbito da Organização Mundial
do Comércio (OMC) e que visam à liberalização do comércio mundial em benefício
dos países mais pobres e menos desenvolvidos. Além disso, Ban destacou que as
nações têm pela frente o desafio da "liderança global" e que é
mais necessário do que nunca em uma etapa de transição, com problemas
complexos.
Fonte: Jornal de Brasília
29 de setembro de 2008
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Brasil
é o número 1
As
grandes empresas latino-americanas estão de olho no mercado consumidor
brasileiro, que vem se expandindo nos últimos anos, alimentado principalmente
pelo crescimento da renda, emprego e crédito. Pesquisa da auditoria KPMG
Internacional com 137 executivos de companhias de peso das sete maiores
economias da região apontou o Brasil como o número um na lista de destinos
para os investimentos em 2009. A preferência continua em relação aos planos
num horizonte de cinco anos. Em ambos os casos, o país supera os Estados Unidos,
tradicional pólo de atração no continente.
"O Brasil está numa posição bastante favorável na luta pelos
investimentos das grandes companhias latino-americanas", afirma Ericson
Amaral, sócio da área de Tributação Internacional da KPMG no Brasil. O país
foi citado por 21% dos executivos em relação aos seus planos de investimentos
no ano que vem, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 19% das
intenções. A lista segue com outros países emergentes, como Argentina (15%),
Chile (15%) e China (13%). A Índia aparece em 10° lugar, bem à frente da
Europa de forma geral (16°) e da Rússia (18°).
Na programação de investimentos em cinco anos, o Brasil continua em primeiro
lugar, mas perde um pouco o percentual de preferências, caindo para 19%. Da
mesma forma, os Estados Unidos permanecem na segunda posição, mas com número
menor de citações (15%). Segundo Amaral, a predominância dos países do próprio
continente nas intenções de investimentos das companhias latino-americanas se
explica. "Em suas estratégias de ganhar o mercado internacional, é mais fácil
começar por um país vizinho, como o Brasil, do que dar um salto e enfrentar o
mercado dos Estados Unidos, que é muito mais competitivo e exige músculos",
justifica.
Prazo
Entre as 20 empresas brasileiras consultadas, a preferência para investimentos
recai sobre os Estados Unidos, com 35% das citações no ano que vem e 30% daqui
a 5 anos. Só em segundo lugar aparecem os demais países da América do Sul, de
maneira genérica. Na avaliação de Amaral, a predileção por um mercado difícil
como o norte-americano mostra um maior nível de competitividade e
amadurecimento das companhias nacionais. As demais 117 firmas que responderam à
pesquisa são do México, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela. Todas
faturam pelo menos US$ 500 milhões anuais.
O estudo não investigou o volume de recursos que as empresas pretendem aplicar.
Segundo as projeções dos cerca de 100 analistas ouvidos semanalmente pelo
Banco Central (BC), os investimentos estrangeiros diretos no Brasil devem somar
US$ 35 bilhões neste ano e US$ 30,4 bilhões em 2009.
No curto prazo, o Brasil bate o Chile, segundo colocado, por 25% a 17%. A China
fica em terceiro, com 17%, e os EUA só aparecem em sexto, com 11%. No panorama
de médio prazo, o Brasil tem 26% das predileções, seguido da Argentina (14%).
Os EUA aparecem em quinto (10%), a China e a Índia empatados em sexto (8%) e a
Rússia em oitavo (6%). Na pesquisa que compreende todos os segmentos econômicos,
21% dos executivos disseram que vão investir comprando companhias, enquanto
metade quer abrir negócios.
Na avaliação de Amaral, o trunfo do país para atrair investimentos é o
tamanho do mercado consumidor, seguido da estabilidade política e econômica
conseguida nos últimos anos. Os maiores problemas são a infra-estrutura
deficiente, o ambiente regulatório fraco, a complexidade do sistema tributário
e a insegurança jurídica. Para o sócio da auditoria, a atual crise financeira
não deve abalar as intenções de investimento das companhias.
Fonte: Ricardo Allan - Correio Braziliense
29 de setembro de 2008
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Paraná
é autorizado a exportar para UE
Prestes a completar três anos da descoberta em seu território de focos de
febre aftosa que até hoje não foram comprovados, o Paraná teve ontem sua
primeira fazenda habilitada a exportações de carne bovina para a União Européia
(UE). A
nova lista da Comunidade Européia, divulgada ontem, agrega 33 propriedades do
país como aptas a exportar e, desta vez, inclui o sítio Pelisson, de Paranavaí,
no noroeste do Paraná, que tem como proprietário o médico e pecuarista Jorge
Luiz Pelisson. Segundo Péricles Salazar, da Associação Brasileira de Frigoríficos
(Abrafrigo), outras três propriedades estão sendo certificadas . O Estado está
ainda distante da escala necessária para atender aquele mercado (pelo menos 100
propriedades certificadas).
O rebanho do Paranáé de quase 11 milhões de cabeças e já foi responsável
por 10% das exportações brasileiras do setor. Com a aftosa, as exportações
caíram a quase zero, até o novo reconhecimento pela OIE - Organização
Internacional de Ipizotias, no início do ano, do status de "livre de
aftosa com vacinação", o que possibilitou o retorno aos negócios de comércio
exterior. Em 2007, ainda em crise, o estado exportou 6, 2 mil quilos de carne
bovina, com vendas de US$ 11,5 milhões, 0,6% das vendas brasileiras. Em 2008,
até julho, as exportações já atingiram 13,8 mil quilos, com receita de US$
45 milhões, 1,7% das vendas brasileiras.
O Paraná poderá enfrentar problemas de capacidade de produção, uma vez que
apenas duas plantas -do JBS-Friboi e uma do Frigorífico Mercosul - estão aptas
a vender para os 27 países da UE.
Com as 33 novas fazendas brasileiras, o Brasil tem agora 329 propriedades
habilitadas a exportar para o bloco. Entre elas estão 13 fazendas de Minas
Gerais, 10 de Goiás e nove do Mato Grosso. Minas Gerais continua líder entre
os Estados que mais possuem fazendas habilitadas, com 174 propriedades. Na
segunda posição vem Goiás, com 62 fazendas e em terceiro o Mato Grosso, com
55 fazendas. O Rio Grande do Sul tem 18; Espírito Santo, com 16; São Paulo,
apenas três.
Fonte: Norberto Staviski - Gazeta Mercantil
29
de setembro de 2008
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Etanol
vai criar 12 milhões de empregos até 2030
Segundo
a OIT, no período serão investidos US$ 630 bi em todo o mundo em projetos de
energia renovável
O etanol deve criar 12 milhões de empregos no mundo até 2030, segundo a
Organização Internacional do Trabalho (OIT), que chama a atenção para o fato
de que, no Brasil, milhares de pessoas que atuam no setor ainda sofrem com salários
e condições de trabalho degradantes. A
entidade prevê uma consolidação do etanol no Brasil nos próximos anos e o
surgimento de sete grandes grupos no setor no País.
Os dados fazem parte de um relatório sobre o impacto das novas tecnologias
ambientais para o emprego divulgado ontem pela OIT. Energias renováveis, entre
elas o etanol, vão gerar 20 milhões de empregos até 2030 no mundo.
A entidade acredita que os governos terão de buscar investimentos para
incentivar a retomada da economia afetada pela crise financeira e, aposta, o
setor ambiental será um dos mais relevantes. As estimativas indicam que US$ 630
bilhões em projetos serão investidos em energia renovável até 2030. Isso
geraria 2,1 milhões de postos de trabalho em energia eólica e 6,3 milhões na
energia solar.
O Brasil é o país com o maior número de trabalhadores no setor do etanol.
Segundo a OIT, são 500 mil pessoas que dependem diretamente do produto. Nos
Estados Unidos, são 312 mil e na China, 266 mil. Na Alemanha, o biodiesel gera
95 mil empregos e 10 mil na Espanha.
Em 20 anos, o número de pessoas empregadas no setor será multiplicada por dez
e o Brasil continuará sendo um dos líderes. A OIT quer garantir que os novos
empregos respeitem direitos trabalhistas. Uma das preocupações é o uso de
trabalho semi-escravo nos canaviais. O próprio ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, em Genebra, admitiu que o trabalho degradante existe no setor do etanol.
Na Europa, autoridades avaliam a criação de um selo social para o etanol,
garantindo que não haverá importação de combustível produzido com trabalho
degradante.
Segundo a OIT, as condições de trabalho nos canaviais não são adequadas, com
falta de higiene e até violência usada pelas empresas contra trabalhadores,
que ganham 30% menos que os que trabalham em usinas de etanol. Com a mecanização,
um problema tem sido o desemprego dessa parcela da população. Em 1992, os
cortadores de cana eram 620 mil. Em 2008, não devem superar 300 mil.
CONSOLIDAÇÃO
A OIT estima que haverá uma consolidação do setor do etanol nos próximos
anos no Brasil. Hoje, são 250 empresas e, segundo a entidade, as aquisições
podem fazer com que apenas sete grandes sobrevivam e se tornem potências.
Os 20 milhões de novos empregos serão superiores ao que o setor petroleiro
gerará em 20 anos. A Venezuela poderá empregar 1 milhão de pessoas se aprovar
lei que prevê a mistura de 10% de biocombustível na gasolina. Na Nigéria, a
OIT estima que 200 mil postos de trabalho possam ser criados para o etanol. Na
Índia, seriam 900 mil até 2025 em biomassa.
Os empregos não ficarão restritos à energia. No Brasil, gestão de lixo e
reciclagem empregam 500 mil. Na China, 10 milhões. Na Europa e Estados Unidos,
3,5 milhões de empregos devem ser criados em tecnologias ambientais de construção.
Fonte: Jamil Chade - O Estado de São Paulo
29
de setembro de 2008
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Brasil
é o 14º receptor global de investimentos
País fechou 2007 com o total de US$ 328 bilhões, ante US$ 37 bilhões em 1990;
entre os emergentes, fica na quarta posição, segundo a ONU
Diante da corrida por recursos naturais, o Brasil ganha espaço entre os
principais destinos de investimentos e, em menos de duas décadas, o estoque de
capital estrangeiro se multiplicou por dez. Dados
das Nações Unidas (ONU) mostram que o País fechou 2007 com um estoque de
investimentos de mais de US$ 328 bilhões. Em 1990, era de US$ 37 bilhões.
Hoje, o Brasil é o 14º maior receptor mundial de investimentos e o quatro
entre os países emergentes. Em 2006, era o oitavo. A China continua na primeira
posição entre os emergentes, com mais de US$ 80 bilhões em 2007. É o sexto
em termos globais.
Empresários perguntados pela ONU também indicam que o Brasil é o quinto
destino preferido de seus investimentos entre 2008 e 2010. Em uma pesquisa no
Japão, as multinacionais indicaram que o Brasil seria o sétimo país mais
atrativo.
No geral, os investimentos no País aumentaram em 84% entre 2006 e 2007, uma das
maiores taxas do mundo. O interesse pelo Brasil, segundo a ONU, deve ser
entendido no contexto da busca por recursos naturais, principalmente diante da
demanda na Ásia. Só na mineração o Brasil viu os investimentos se
multiplicar por cinco em 2007, atingindo US$ 3,3 bilhões.
Segundo o relatório da ONU, novos recordes de investimentos poderiam ocorrer em
2008. Mas a crise já afeta todas as previsões. No total, os mercados
emergentes receberam US$ 500 bilhões em investimentos em 2007 e foram responsáveis
por investir outros US$ 253 bilhões pelo mundo. A marca é considerada um
recorde.
Em termos de investimentos brasileiros no exterior, houve uma queda brusca em
2007, passando de US$ 28 bilhões em 2006 para US$ 7 bilhões no ano passado.
Com isso, os investimentos latino-americanos no exterior caíram 17%. No total,
a região exportou US$ 56 bilhões em investimentos. No exterior, o estoque de
investimentos brasileiros é de US$ 129 bilhões, três vezes maior que em 1990.
Apesar da queda latino-americana, os investimentos dos países emergentes
atingiu um volume recorde em 2007 e as multinacionais dos mercados em
desenvolvimento começam a ganhar espaço.
O Brasil ainda não tem nenhuma empresa entre as cem maiores do mundo. A Petrobrás
é a 11ª maior entre os emergentes e a Vale, a 12ª. A Gerdau é a 39ª. A GE
continua a maior empresa do mundo, seguida pela British Petroleum e a Toyota.
FUNDOS SOBERANOS
Outro destaque é o surgimento de fundos soberanos fazendo investimentos. As
reservas desses fundos já atingem US$ 5 trilhões e começam a ser usados para
aquisições, principalmente pelos governos do Golfo Pérsico. Em 1987, houve
apenas uma aquisição no mundo com dinheiro desses fundos. Em 2007, foram 30.
Hoje, esses fundos já investiram quase US$ 40 bilhões.
Por enquanto, a América Latina não tem sido um alvo desses fundos. Na África,
porém, alguns fundos já começam a atuar na agricultura.
Alguns desses fundos atuaram em grandes bancos. No Morgan Stanley, o CIC colocou
US$ 5 bilhões. Um fundo de Abu Dhab ainda colocou outros US$ 7,5 bilhões no
Citigroup (Citibank). A ONU admite que esses fundos vem criando um sentimento
negativo, mas alerta que o volume de investimentos é pequeno.
Fonte: Jamil Chade - O Estado de São Paulo
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Brasil
está na frente em regras financeiras
Sucessão
de crises forçou modificações do sistema bancário brasileiro, que ficou mais
eficaz
Não há mais dúvida de que o Brasil foi atingido pela crise financeira
americana, com a alta do dólar, o aperto nas linhas de crédito e as perdas de
grandes empresas exportadoras no mercado futuro de câmbio. Uma
vantagem, porém, o País parece ter, na opinião quase consensual dos analistas:
a regulação financeira brasileira já inclui diversos dos dispositivos que
apenas agora os americanos deverão adotar, para evitar novas crises sistêmicas
no futuro.
Logo de saída, os economistas notam que o Banco Central (BC), ao contrário do
Federal Reserve (Fed, banco central americano), tem grande abrangência nas suas
atividades reguladoras e fiscalizadoras. "O BC regula quase tudo - bancos
comerciais, múltiplos e de investimento, corretoras, consórcios, cooperativas",
diz Rodrigo Azevedo, ex-diretor do BC e atualmente sócio e responsável pela área
de pesquisa econômica da JGP, gestora de recursos com sede no Rio. É verdade
que há participantes do mercado financeiro fora do guarda-chuva do BC, como
fundos de pensão e seguradoras, mas nada que se compare à balcanização do
sistema regulatório americano.
Sérgio Werlang, diretor executivo do Banco Itaú, acha que o Brasil está
"muito à frente" dos Estados Unidos em termos de regulação
financeira. Isso ocorre, segundo o economista, porque, "depois de tantas
crises no Brasil, a legislação bancária sofreu muitas mudanças, e ficou
muito mais eficaz".
Ele observa que, no Brasil, há uma consolidação muito forte de todas os
aspectos da atuação de um conglomerado financeiro em seu balanço, incluindo
até atividades não financeiras. Dessa forma, não é fácil, como nos Estados
Unidos, burlar os limites de alavancagem (ativos em relação ao capital próprio)
"exportando" operações para fora do balanço, com artifícios como a
criação de empresas de propósito especial ou dos famigerados SIVs, a sigla em
inglês para "veículos de investimentos estruturados".
DERIVATIVOS
Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria Integrada e ex-presidente do
Banco Central, acrescenta que no Brasil seria difícil de se constituir o
verdadeiro sistema financeiro paralelo e opaco que foi montado nos Estados
Unidos, com a exportação de ativos para fora dos balanços e o intenso uso de
instrumentos financeiros derivativos.
No caso, por exemplo, dos swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês),
as transações eram liquidadas bilateralmente entre os bancos ou outras
instituições atuantes no mercado financeiro, no chamado mercado de balcão.
Os CDS são uma espécie de seguro contra calote de bônus ou dívidas, mas, ao
contrário de apólices comuns, não ficam na mão de quem corre o risco efetivo,
mas circulam no mercado ao sabor das negociações entre as instituições
financeiras. Uma exposição de US$ 440 bilhões a CDS foi uma das causas
principais da derrocada da AIG, a gigantesca seguradora absorvida pelo Fed no
dia 16 de setembro ao custo de um empréstimo de US$ 85 bilhões.
No Brasil, também há um mercado de swaps (basicamente de juros e câmbio), mas
eles são registrados eletronicamente na Bolsa de Mercadoria & Futuros
(BM&F). Assim, como diz Loyola, "não há mercado de derivativos fora
do escrutínio do Banco Central".
Fonte:
O Estado de São Paulo
29 de setembro de 2008
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25%
dos investimentos no Brasil são financiados com recursos do exterior
Com
a crise financeira internacional esparramando prejuízos mundo afora e reduzindo
o apetite dos investidores estrangeiros, um quarto dos investimentos do setor
produtivo no Brasil estão na berlinda.
Segundo
levantamento de Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial) e ex-secretário de Política Econômica
do Ministério da Fazenda, 25% dos investimentos realizados no país são
financiados por recursos vindos do exterior.
Apesar de, nos últimos dias, o governo ter elevado a capacidade de empréstimos
do BNDES e liberado mais dinheiro para os bancos, os empresários não crêem
que será possível manter, no médio prazo, o ritmo atual de expansão dos
investimentos sem as linhas de fora.
Nos últimos cinco trimestres, o investimento produtivo cresce a taxas
superiores a 14%. Entre abril e junho, o aumento chegou a 16,2%, fazendo com que
o volume total alcançasse 18,7% do PIB -uma façanha para o Brasil desde 2000.
Segundo Almeida, pesquisa com empresas revela que metade dos investimentos no país
é feita com recursos próprios, 25% com apoio do BNDES e outras fontes internas
e o restante com dinheiro externo.
"O momento é de cautela, análise e observação", diz Amarílio
Macelo, presidente da empresa do ramo de alimentos J.Macedo S.A. Para ele,
"é grande a probabilidade de os investimentos entrarem num ritmo mais
lento ou serem adiados". Isso porque, argumenta, o empresário olha para a
frente e não consegue saber se o mundo "sairá dessa crise em 2009, ou se
ela passará para 2010".
No curto prazo, o que dá certo alento ao governo é que a construção civil,
responsável por 40% da taxa de investimento, tem condições de manter o ritmo
ainda elevado. Isso, avaliam os técnicos do governo, é fundamental para evitar
a contaminação das expectativas.
Nos últimos dois anos, as empresas do setor da construção civil aproveitaram
o bom momento mundial e lançaram ações no mercado, que foram vendidas para
estrangeiros.
Com isso, diz José Carlos Martins, vice-presidente da CBIC (Câmara Brasileira
da Indústria da Construção), estão capitalizadas para garantir os projetos já
em andamento pelos próximos três anos (o ciclo padrão do setor). "Porém,
se as turbulências externas afetarem o nível de atividade econômica no país,
aí será ruim."
Segundo Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura
e Indústrias de Base), "a crise vai pegar todos em algum grau".
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro
Neto, não tem esperanças de que as empresas consigam manter o atual nível de
investimento.
"Alguns analistas já falam em crescimento do investimento de 8%. Ainda é
cedo para saber se vai haver uma desaceleração dessa magnitude. Mas que vai
haver retração dos investimentos, isso é indiscutível."
Fonte:
Sheila DAmorim e Juliana Rocha
29 de setembro de 2008
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Brasil
está forte, mas deve passar por acomodação
Presidente do BC diz que intervenções no câmbio e na liquidez dos bancos
podem voltar a ocorrer e defende que relação dívida/PIB siga trajetória
cadente
Na pior semana até aqui na crise financeira dos EUA, o presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, comandou duas intervenções no mercado brasileiro:
injetou liquidez para socorrer bancos médios e vendeu dólares para conter a
alta da moeda americana.
Ele diz
que as intervenções não têm ligação com a política monetária, foram
"adequadas", e podem voltar a ocorrer. "Não devemos confundir
isso [política monetária] com a gestão de liquidez", afirma.
Para Meirelles, o ponto mais fraco do país, neste momento, é a falta de
liquidez causada pela brutal contração do mercado de crédito global.
Mas repete seu mantra de que o Brasil está muito mais forte para enfrentar a
crise externa. Admite, porém, que a economia do país passará por processo de
"acomodação da atividade", eufemismo para prever um crescimento
menor em 2009.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista, concedida por telefone, na
sexta-feira.
FOLHA - Nesta semana, o BC injetou reais na economia com a redução dos depósitos
compulsórios e voltou a vender US$ 500 milhões. A crise chegou com mais força?
HENRIQUE MEIRELLES - A crise financeira, pela primeira vez nos anos recentes
centrada nos Estados Unidos e não nos mercados emergentes, é de fato severa. E
tem tido repercussão sobre a disponibilidade de crédito e as condições de
liquidez em diversas economias. O Brasil, por estar inserido nas correntes
financeiras internacionais, não está totalmente isolado desse desenvolvimento.
Entretanto, cabe notar que, com as políticas adotadas nos últimos anos, com o
aumento das reservas internacionais e a eliminação da dívida interna
dolarizada, foi reduzida substancialmente a nossa vulnerabilidade a esses períodos
de estresse.
FOLHA - E as perdas registradas por empresas como Sadia e Aracruz? Há risco de
um contágio maior no Brasil, no setor exportador?
MEIRELLES - Os episódios me parecem pontuais. Essas empresas perderam em razão
de estarem em posição de derivativos que geravam prejuízos com a depreciação
do real. No entanto, de uma forma geral, os exportadores tendem a ser
beneficiados com a queda do real.
FOLHA - Outras empresas não podem estar na mesma situação?
MEIRELLES - Algumas empresas podem ter posições em derivativos que geram prejuízos
pontuais e específicos, mas não significa uma tendência.
FOLHA - Qual a maior preocupação do BC: a inflação, a taxa de câmbio ou a
solidez do sistema bancário?
MEIRELLES - O Banco Central tem como missão fundamental manter a inflação
consistente com a trajetória de metas e manter a solidez do sistema financeiro
nacional. Ambas são prioridades.
FOLHA - Qual está mais ameaçada?
MEIRELLES - A solidez do sistema financeiro brasileiro não está ameaçada por
uma restrição de liquidez. Ela existe em razão dos fundamentos do sistema,
que está bem capitalizado. As perdas de crédito, de acordo com os indicadores,
não mostram avanços significativos, portanto é uma situação completamente
diferente da dos EUA, em que existem prejuízos substanciais no sistema. O que
existe é uma restrição de liquidez no Brasil, como no mundo todo, em razão
da crise do sistema bancário americano, uma redução da liquidez das linhas
externas em dólares. E o Banco Central está tomando medidas para fazer com que
as condições de liquidez voltem à normalidade, seja em dólares ou em reais.
Quanto à inflação, o Banco Central tem como meta trazê-la para 4,5% em 2009.
FOLHA - As últimas medidas do BC indicam mudança na avaliação do cenário
econômico capaz de alterar o ritmo da política monetária?
MEIRELLES - Existe uma evolução na condução da política monetária, cambial
e de gestão de liquidez no mundo de maneira a diferenciar os diversos
instrumentos e suas finalidades. Política monetária visa controlar a inflação
com seu instrumento fundamental que é a taxa de juros base. Não devemos
confundir isso com a gestão de liquidez.
FOLHA - Mas a crise no Brasil atingiu bancos pequenos, por exemplo. As medidas
adotadas são suficientes para que eles voltem a captar recursos no mercado a
custo razoável?
MEIRELLES - Nós tomamos medidas de liquidez em dólares em razão da restrição
da oferta de linhas de crédito em dólares.
E em reais em virtude de ser o real a contrapartida dessas operações em dólares.
Dentro da nossa avaliação, as medidas são adequadas, mas estaremos sempre
monitorando os mercados e preparados para tomar qualquer medida para manter o
bom funcionamento.
FOLHA - O sr. acha que o país vai crescer menos em 2009?
MEIRELLES - É natural que, num contexto de desaceleração do crescimento
mundial, a economia brasileira passe também por alguma acomodação da
atividade. No entanto, temos que apontar que as políticas da redução da
vulnerabilidade a choques externos têm tido êxito. Em outras palavras, embora
pouco sincronizado, nosso ciclo não é totalmente independente do das economias
maduras. Isso não significa que devemos esperar uma interrupção da expansão
da economia em função dos eventos externos.
FOLHA - Mas uma redução de ritmo é esperada?
MEIRELLES - Uma acomodação é natural.
FOLHA - Isso ajuda o Banco Central no combate à inflação? MEIRELLES - Na
reunião do Copom levamos em conta uma série de fatores, inclusive esse.
FOLHA - Qual seria o nosso ponto frágil hoje?
MEIRELLES - Olha, hoje o maior ponto de atenção não só do Brasil como de
todos os países são as condições de liquidez do sistema financeiro
internacional. Por isso, estamos atentos, tomando medidas necessárias, mas
felizmente nossos fundamentos da economia estão sólidos e temos reservas
internacionais elevadas.
FOLHA - O que o governo brasileiro pode fazer para contornar as restrições de
crédito externo?
MEIRELLES - Vai depender dos termos desse plano de recuperação de ativos do
governo americano. É um pouco prematuro. À medida que esse plano funcione, a
retomada do crédito internacional pode ser gradual e acontecer em maior ou
menor velocidade. O Brasil está em condições extremamente favoráveis e com
isso pode ter conseqüências menores do que outros países, principalmente
porque o mercado interno está forte. Agora, evidentemente, ninguém está imune,
não se trata de minimizar uma crise internacional que é severa.
FOLHA - O sr. acha que o governo deveria reduzir gastos?
MEIRELLES - É importante, não há dúvida, que o superávit primário [economia
do governo para pagar juros da dívida pública] seja mantido, e as metas sejam
cumpridas, de maneira que a relação de dívida pública sobre produto siga
cadente.
FOLHA - O sr. esteve em Nova York na semana passada e vem conversando com os
presidentes dos principais BCs do mundo. O que o sr. tem ouvido deles?
MEIRELLES - São avaliações diferentes, dependendo de cada país. Uma das
coisas que temos mencionado é que não se faz política monetária por analogia.
Cada país está fazendo sua política monetária ou de gestão de liquidez de
acordo com suas questões específicas.
FOLHA - Onde essa crise vai parar? Quem falhou?
MEIRELLES - Hoje, em retrospectiva, vê-se que medidas prudenciais poderiam ter
sido adotadas e certamente serão adotadas no futuro visando evitar o grau de
endividamento excessivo e de exposição excessivo de instituições financeiras.
Não existe instituição financeira invulnerável. Por maior e mais poderosa
que seja. Gestões prudenciais são sempre absolutamente necessárias para
manter a saúde dessas instituições.
Não há dúvida de que o sistema americano estava desequilibrado e que seria
necessário um ajuste. Sua dimensão e severidade não eram previstas.
Fonte:
Sérgio Mabergier, editor de Dinheiro e Valdo Cruz. - Folha de São Paulo
29 de setembro de 2008
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Empresas
com apoio da Apex exportam US$ 8,8 bilhões
De
janeiro a junho desse ano as empresas participantes dos projetos da Apex-Brasil
exportaram US$ 8,8 bilhões. A
meta deste indicador para 2008 é de US$ 11,9 bilhões, ou seja, em 6 meses de
trabalho foi alcançado 73,7% do previsto.Em comparação com 2007, isso
representa um crescimento de 11,63%.
O número de empresas apoiadas pela Agência também cresceu. No primeiro
semestre de 2008, eram 4.973 empresas apoiadas por meio de Projetos Setoriais
Integrados (PSI) e ações institucionais de divulgação de imagem, além de
grandes Feiras. Isso é, um aumento de 30,8% em relação ao mesmo período de
2007.
Para cada US$ 1,00 gasto pela Apex-Brasil, foram gerados US$ 59,43 em acréscimo
de exportações. A Apex também aumentou o número de setores em sua lista de
projetos. No período de janeiro a junho de 2008 foram apoiados 62 setores, 24%
a mais do que o número de setores atendidos no mesmo período de 2007, já
seguindo os critérios da Secex. No período de janeiro a junho de 2008, a agência
realizou 305 eventos, ou seja, 50,8% dos 600 eventos previstos para todo o ano.
Fonte:
Apex-Brasil
29 de setembro de 2008
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Brasil
terá etanol de segunda geração em um ano e meio
A sonhada produção do álcool de segunda geração, o combustível verde
obtido a partir de resíduos como bagaço de cana-de-açúcar ou de qualquer
outro vegetal, está mais próxima do que se imagina. Quem garante é o
presidente para a América Latina da dinamarqueza Novozymes , Pedro Luiz
Fernandes. Para ele, "dentro de um ano e meio o país poderá iniciar a
produção deste tipo de álcool em escala comercial".
No ano passado, em 13 de setembro, a Novozymes, maior produtora de enzimas
industriais do mundo, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de São Paulo,
assinaram acordo para selecionar a enzima mais adequada para a hidrólise do
bagaço da cana-de-açúcar entre os organismos existentes no acervo da empresa.
Com essa tecnologia, o Brasil poderá triplicar a produção de etanol sem
necessidade de ocupar novas áreas agrícolas. A sede da empresa na América
Latina é em Araucária (PR) e, ao final do projeto, ela vai comercializar as
enzimas capazes de hidrolisar o bagaço de cana.
"Nós já encontramos o que em química se costuma denominar "mistura
óptima". Desde a assinatura do acordo, a pesquisa evoluiu para a utilização
de dois tipos de enzimas e estamos na etapa em que estudamos se a melhor forma
é utilizar uma enzima em cada etapa de produção ou uma associação das duas",
informou. Segundo Fernandes., a tecnologia da empresa aponta para uma solução,
cujo custo será inferior ao da produção de álcool a partir do açúcar.
"Com certeza, na medida que ganhar escala, o álcool de celulose será mais
barato que o produto atual".
A Novozymes está fazendo esta pesquisa em escala mundial porque os Estados
Unidos tem o mesmo interesse de produzir o álcool de celulose a partir dos resíduos
do milho. São mais de 110 cientistas envolvidos na sede da empresa na Europa,
nos EUA (empresa tem parceria com a Universidade de Washington) e no Brasil.
"Pelo que tem de biomassa, o Brasil é o player do futuro neste tipo de
combustível", disse o presidente.
Fernandes adiantou também que a Novozymes está prestes a assinar um acordo de
fornecimento dessas enzimas para a produção em escala piloto "com uma
grande empresa brasileira". Sabe-se que a Petrobras está pesquisando essa
tecnologia assim como pelo menos três universidades brasileiras. A importância
de se dominar o processo fez a CTC procurar a Novozymes para fazer o acordo que
foi assinado simbolicamente pelo presidente Lula numa viagem à Dinamarca no ano
passado. Técnicamente, a hidrólise é o processo que busca extrair glicose do
material celulósico para que, depois, se possa obter etanol por fermentação.
Como todos os vegetais contêm celulose, quem dominar o processo poderá
produzir etanol de quaisquer resíduos agrícolas ou florestais como palha de
milho, de trigo e cavacos de madeira. O bagaço de cana, por exemplo, contém
ainda um terço da energia armazenada na planta.. Sobre os direitos de
propriedade intelectual da pesquisa, a Novozyme informa que serão
compartilhados entre os parceiros, mas não há governos envolvidos.
Além da Nonozymes, o Brasil está procurando por estas enzimas através do
Programa Bioetanol, projeto nacional financiado pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia (MCT) que estuda o processo de hidrólise enzimática. Com isso se
pode antever que, no futuro, poderão existir dois ou três fornecedores dessa
tecnologia. Mas só a escala comercial é que apontará as melhores enzimas.
Processos diferentes
A Novozymes pesquisa um processo para hidrólise diferente do caminho escolhido
pelos 150 cientistas brasileiros envolvidos no Projeto Bioetanol. A empresa
utiliza um processo de pré-tratamento do bagaço chamado de oxidação alcalina
úmida, que retira a lignina - material resistente que recobre os organismos
vegetais e é um protetor das plantas contra estresses, em especial mecânicos -
e as pentoses (açúcares de cinco carbonos, que não são usados ainda para
produção de etanol porque não há microorganismo que os fermente). No Brasil,
usa-se como pré-tratamento a explosão a vapor, já conhecida e aplicada pelas
usinas que utilizam o bagaço para fazer ração para gado - processo não tão
eficiente quanto o de oxidação.
O país escolheu o processo de explosão a vapor para pré-tratamento porque ele
é dominado pelas usinas, o que em tese facilitaria a adoção mais imediata da
tecnologia. Afora a Novozymes e o CTC, no Brasil se conhece uma outra iniciativa
empresarial voltada para o processo de hidrólise enzimática comercial - a da
empresa de biotecnologia Biocell, financiada pela Votorantim Ventures, fundo de
capital de risco do Grupo Votorantim que trabalha em parceria com a Bioenzimas,
situada em Caruaru (PE), que produz enzimas utilizadas no processo de confecção
de roupas jeans, para dar um efeito de ''lavagem'', no produto.
Fonte:
Norberto Staviski - Gazeta Mercantil
29 de setembro de 2008
*****
Crise
não afetará investimentos da Petrobrás
Estatal
tem capacidade financeira para garantir os custos iniciais
A crise de liquidez no mercado internacional não deverá contaminar os
investimentos da Petrobrás na exploração das novas reservas de petróleo. Na
avaliação do analista do UBS Pactual Gustavo Gattass, a capacidade financeira
da estatal é suficiente para garantir, pelo menos, os investimentos iniciais
nos novos campos (Tupi, Júpiter e Carioca), sem recorrer ao mercado externo.
"Os US$ 600 bilhões de investimentos levam em consideração parcerias da
Petrobrás com outras empresas, áreas só da Petrobrás e reservas que ainda
estão nas mãos do governo. Quando penso de onde tirar esse dinheiro, acho que
a primeira fonte é a capacidade de geração da Petrobrás", explica o
analista.
Ele pondera, no entanto, que, se o preço do barril do petróleo caísse para
US$ 35, esse plano ficaria mais difícil. "Mas, se ficar em US$ 100, a
Petrobrás tem capacidade para fazer muita coisa, especialmente se imaginar que
esses investimentos serão feitos ao longo dos anos."
CAPITALIZAÇÃO
De qualquer forma, a possível capitalização da empresa que estaria sendo
estudada pelo governo é muito bem-vinda. Para o ex-presidente da Petrobrás e
atual diretor da OGX (empresa de Eike Batista)Francisco Gros, todo e qualquer
esforço para fortalecer a estatal faz sentido. "Em qualquer cenário, a
empresa será o principal agente de exploração das novas reservas. Enfraquecê-la
seria um tiro no pé", argumentou o executivo.
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) diz que o caminho será a unitização - um
gerenciamento compartilhado entre as concessionárias em casos de a extensão
dos reservatórios ser maior que os limites licitados. Isso porque não se sabe
ainda se nas áreas concedidas existe um único campo contínuo. Nesse caso, a
União teria direito a uma parte da exploração referente a áreas limítrofes
a esses blocos que ainda não foram licitadas.
"Para acelerar o processo de exploração, o governo deveria incorporar
esses reservatórios como ativos da Petrobrás. Com isso, vamos alavancar a
capacidade financeira da estatal, que tem um plano de investimento de US$ 112
bilhões em quatro anos, sem contar o pré-sal", afirmou o senador.
Nesse caso, a União aumentaria a sua participação na empresa e os minoritários
passariam a ter uma fração menor da companhia. Segundo Mercadante, se esses
acionistas quiserem manter sua participação inalterada, terão de pôr mais
dinheiro na empresa. Aquele que não quiser, terá uma fração menor de uma
empresa muito mais forte, argumentou o senador.
"De qualquer forma, não haverá nenhum prejuízo para os investidores da
estatal. Pelo contrário, essa medida vai aumentar a capacidade da Petrobrás de
se financiar e aumentar os recursos financeiros para manter investimentos em
refinarias, dutos e gasodutos, substituição de importação e no pré-sal."
Fonte:
O Estado de São Paulo
26 de setembro de 2008
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Barreiras
à carne não impedem avanço de vendas brasileiras de alimentos à UE
Ainda
que enfrente atualmente restrições em um segmento importante como o de carne
bovina, o Brasil tem potencial para seguir competitivo no mercado europeu,
ampliando suas exportações de alimentos e bebidas para os países do
continente. Essa
é a conclusão de Maria Paula Sobral Velloso e Sophia Costa, respectivamente,
gestora de projetos e assistente técnica da Agência Brasileira de Promoção
de Exportação e Investimentos (Apex).
O estudo sobre as "Oportunidades para Alimentos e Bebidas na União Européia",
elaborado pela Unidade de Inteligência Comercial da Apex-Brasil, da qual fazem
parte, mostra que, no ano passado, as exportações brasileiras de alimentos e
bebidas para a UE alcançaram US$ 14,3 bilhões, um aumento de 34% em comparação
com 2006. Naquele ano, os principais destinos dos produtos brasileiros foram os
Países Baixos, Alemanha e Espanha, que corresponderam a 53% do total.
O estudo, que foca a Europa por conta do Salão Internacional de Alimentação (Sial),
que será realizado em outubro em Paris, destaca também o avanço das vendas
brasileiras para o Leste Europeu, sobretudo à Rússia. Em 2007, o mercado russo
importou US$ 3,2 bilhões em alimentos e bebidas brasileiros.
Maria Paula e Sophia apontam como fatores que podem favorecer as exportações
brasileiras o aumento da renda e da qualidade de vida, a globalização e a
exposição a uma variedade maior de alimentos e bebidas e a forte penetração
das grandes redes varejistas. Outra tendência vista é a preocupação com a saúde,
afirmam as autoras do estudo, o que abriria espaço para o aumento da venda de
carnes brancas e de produtos orgânicos.
Para continuar ampliando as vendas, a recomendação da Apex é que as empresas
brasileiras inovem, agreguem valor e busquem nichos específicos.
Mesmo com as vendas de carne bovina brasileira para a UE - onde aumentam as
preocupações ambientais e de sanidade - limitadas neste ano, o estudo destaca
o aumento das vendas do produto para a Rússia, que comprou 91% mais em valor,
entre janeiro e agosto deste ano. Essa alta decorreu, segundo Maria Paula, da
valorização dos preços internacionais por conta da menor oferta de produto.
Entre 2002 e 2007, a taxa de crescimento médio anual das importações de carne
bovina brasileira pela Rússia foi de 84%. No segmento de aves, as vendas
brasileiras alcançaram US$ 5 bilhões em 2007, 45% mais que no anterior. De
acordo com Sophia Costa, há potencial para elevar as vendas de frango para a
Europa por conta da tendência de hábitos alimentares mais saudáveis.
No caso de frutas e processados de frutas, as exportações brasileiras
totalizaram US$ 3,3 bilhões em 2007, um crescimento de 45% em relação ao ano
anterior e 125% acima de 2002. Desse valor, foram 28% em frutas e 78% em sucos
de frutas. Conforme o estudo, em 2007, a União Européia foi o destino de
aproximadamente 64% do total exportado pelo Brasil de sucos de frutas.
Sophia Costa observa que a preocupação com a saúde e o bem-estar também
favorece o consumo de produtos orgânicos. De acordo com dados do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações
mensais de produtos orgânicos do Brasil, de agosto de 2006 a maio de 2008,
somaram US$ 22,4 milhões em todo o período. E os principais destinos na Europa
foram Holanda, Suécia, Reino Unido, França e Dinamarca.
Mesmo perdendo participação em alguns mercados para o seu concorrente Vietnã,
o Brasil tem espaço para elevar as vendas de café na Europa, segundo Maria
Paula, principalmente dos cafés com mais qualidade. No ano passado, segundo o
estudo, as exportações totais do Brasil (café verde e processado) somaram US$
3,9 bilhões, um aumento de 15,7% em relação a 2006.
Também em produtos menos tradicionais na pauta de exportação brasileira, como
vinhos e vermutes, o avanço salta aos olhos. Em comparação com 2006, as
vendas externas totais brasileiras subiram 31%, para US$ 9,8 milhões. Em relação
ao desempenho de 2002, o avanço foi de 288%.
"A Europa é um mercado de mais difícil acesso, mas as vendas vêm
aumentando nos últimos cinco anos", diz Maria Paula. Em 2007, de acordo
com o levantamento, os principais destinos das exportações brasileiras desses
itens na União Européia foram Países Baixos, Alemanha, República Tcheca e
Portugal.
Outro segmento com potencial positivo - apesar de ainda pequeno - é o de
chocolates, balas e confeitos. Em 2007, as vendas externas totais do Brasil
foram de US$ 297,9 milhões (2,1% menores que em 2006). Como o mercado europeu
é bastante competitivo, Sophia defende que as empresas brasileiras do setor
recorram à diferenciação, como o uso de castanhas típicas no chocolate, para
vender mais à Europa. Segundo o estudo, a União Européia Ocidental é a região
que mais consome chocolates, balas e confeitos no mundo. Em 2007, consumiu 3,8
milhões de toneladas desses produtos, ou 28% do total consumido no mundo. A
Espanha é onde mais cresce esse consumo e também onde o produto brasileiro
ganha espaço. Segundo a Apex, as exportações brasileiras atingiram US$ 1,75
milhão, 42% mais que em 2006 e 763% maior que em 2002.
Fonte:
Alda do Amaral Rocha, de São Paulo - Valor Econômico
29 de setembro de 2008
*****
Petrobras
vai investir sem recorrer a crédito no exterior
A
Petrobras tem fôlego para manter investimentos de US$ 60 bilhões sem recorrer
a empréstimos neste ano. Uma
fonte de alto escalão da companhia revela que a empresa pode adiar para 2009 as
captações planejadas antes da crise. Dos US$ 5 bilhões que a companhia
planejava captar em 2008, mais da metade já foi realizada. Cerca de US$ 2 bilhões
devem ficar para depois, quando o mercado acalmar. "No curto prazo, a
Petrobras não depende de captações, pois o trabalho de exploração do pré-sal
vai começar em 2012, 2013. O pesado das captações deve começar em quatro
anos", afirmou
o executivo à Gazeta Mercantil.
Um dos argumentos que reforçam a tese de independência financeira da empresa
neste momento está no tamanho da produção: são mais de dois milhões de
barris de petróleo por dia. O crescimento acelerado das reservas de petróleo e
gás da empresa também a colocam em situação confortável, já que acontece
justamente o oposto na maioria das petroleiras de capital aberto no mundo.
"É a única no mundo com tantos projetos e tanto potencial de acúmulo de
reservas", disse. Outra carta na manga, segundo a fonte, é o portfólio
diversificado da petroleira, que passou a mirar projetos de gás e energia nos
últimos anos.
Fonte:
Sabrina Lorenzi - Gazeta Mercantil
30 de setembro de 2008
*****
Governo
vai jogar mais dinheiro na economia
O governo federal está estudando, com toda a urgência, a adoção de novas
medidas para aumentar a liquidez no mercado, de forma a se antecipar à
possibilidade de que a secura global de crédito provoque dificuldades para as
exportações brasileiras, 50% das quais são financiadas. Na semana passada, o
Banco Central já mexera nos compulsórios para liberar recursos para créditos.
A decisão de agir preventivamente foi tomada ontem durante a reunião de uma
espécie de gabinete de emergência, formado pelos ministros Guido Mantega (Fazenda)
e Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), pelo
presidente do BC, Henrique Meirelles, e por um representante do Ministério da
Agricultura, já que o titular, Reinhold Stephanes, está viajando.
A reunião foi antes de a Câmara de Representantes dos Estados Unidos rejeitar
o pacote de socorro aos mercados, o que desatou pânico nas Bolsas do mundo todo
e também nos mercados cambiais. Mesmo assim, o encontro, chefiado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, serviu para demonstrar que, embora a
situação da economia brasileira esteja "bastante normal", segundo
Mantega, já há razões para preocupações mais intensas.
A maior delas está justamente no desempenho das exportações. Primeiro, a
falta de liquidez no mercado internacional já elevou o custo dos financiamentos
para empresas brasileiras. Segundo, como a metade exata das exportações
depende de financiamentos, o risco de que a iliquidez persista e até aumente,
levou o presidente a pedir a seus ministros que ajam preventivamente. "Não
podemos correr atrás do prejuízo", chegou a dizer Lula.
Ainda mais que, na avaliação do MDIC, as exportações estão aumentando
apenas por causa da elevação dos preços, porque a quantidade varia muito
pouco. "Se a quantidade não está subindo, passa a ser problema",
ouviu a Folha de técnicos do MDIC. Segundo eventual problema mencionado na
reunião: como a China depende bastante do mercado norte-americano para suas
exportações, a desaceleração nos Estados Unidos fará com que os chineses
busquem agressivamente outros mercados, o que pode deslocar a produção
brasileira.
Os ministros Miguel Jorge e Guido Mantega relataram ao presidente, conforme a
Folha apurou, que, até agora, o monitoramento que vêm fazendo das empresas não
indica problemas sérios de liquidez.
Os dois casos já registrados e noticiados (Sadia e Aracruz) são considerados
pontuais.
Já o Ministério da Agricultura relatou outro tipo de dificuldade: como são
meia dúzia de grandes "tradings" as grandes agentes do setor, não há
problemas de financiamento, mas já há uma retração por conta da queda de preços
de algumas commodities agrícolas.
O presidente do Banco Central, por sua vez, falou da "preocupação"
com o fato de que a crise atravessou o oceano e bateu forte na Europa, com a
desconfiança em entidades bancárias e financeiras que forçou intervenções
em instituições do Reino Unido, Bélgica/Holanda/Luxemburgo, Alemanha e até
da Islândia.
Ao término da reunião, formou-se uma espécie de Grupo de Trabalho informal
composto pelos ministérios representados ontem (mais, obviamente, o Banco
Central) para apresentar "o mais rapidamente possível" uma lista de
medidas para o presidente. É claro que o agravamento da crise externa,
imediatamente após o encerramento da reunião no Planalto, tende a fazer com
que a pressa seja ainda maior.
Fonte:
Clóvis Rossi, colunista da Folha - Folha de São Paulo
30 de setembro de 2008
*****
Embraer
com US$ 6,5 bilhões
A Embraer mantém projeção de atingir faturamento de US$ 6,5 bilhões em 2008
e de US$ 7,1 bilhões em 2009. A estimativa se baseia numa previsão de entrega
neste ano entre 195 e 200 jatos para aviação comercial, aviação executiva e
os segmentos de defesa e de governo, mais 10 a 15 jatos Phenom 100. Em 2009, a
Embraer espera entregar entre 195 e 200 jatos, mais 120 a 150 Phenom. O
presidente da empresa, Frederico Curado, comenta que embora a fabricante de aviões
não tenha sentido o impacto da turbulência financeira, já se notam sinais de
que o financiamento aos clientes está se tornando escasso. Ele informou também
que a companhia não planeja novas demissões, depois de ter eliminado 250
postos de trabalho em agosto, como parte de uma reestruturação.
Fonte:
Correio Braziliense
30 de setembro de 2008
*****
Pacote
para exportador é urgente, diz Miguel Jorge
Presidente Lula receberá proposta de nova linha de crédito até o fim da próxima
semana
As medidas para ampliar a oferta de crédito aos exportadores devem ser
apresentadas ao presidente Lula até o fim da próxima semana, informou ontem o
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.
"O presidente vai decidir se quer que elas sejam implementadas
imediatamente e, na minha opinião, elas devem ser."
O objetivo, como informou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é
garantir recursos para o setor, mas não a qualquer preço. "Não quer
dizer que não vamos pedir garantias e as taxas serão as que tiverem de
ser", disse Bernardo.
Segundo Jorge, o governo quer agir preventivamente porque metade das exportações
brasileiras - cerca de US$ 100 bilhões - depende de financiamento. No entanto,
ele comentou que a crise ainda "não está forte" para os exportadores,
apesar das restrições de crédito no mercado externo. "Há possibilidade
de secarem os financiamentos ou ficarem mais caros. Antes que ocorra, temos de
estar preparados. Devemos ter medidas para implementar agora ou para ficarem na
prateleira", disse Jorge.
Ele defende criatividade nas medidas, que estão em análise num grupo de
trabalho formado pelo seu ministério, o da Fazenda e o Banco Central (BC). O
desafio é apontar alternativas além das tradicionais, como a ampliação dos
recursos ao Programa de Financiamento das Exportações (Proex) e às operações
de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC). "Teremos de trabalhar com
coisas não óbvias numa crise como essa, que é nova, diferente", disse
Jorge.
Segundo Bernardo, os recursos ao setor exportador serão adicionais aos que o BC
já está oferecendo nos leilões de dólares com compromisso de recompra.
"Vamos tentar, tanto quanto possível, garantir recursos ao setor."
Ele considerou "perigosa" a proposta de formar a linha de crédito a
exportadores com recursos das reservas cambiais. Para o secretário de Comércio
Exterior, Welber Barral, que também participa dos estudos, qualquer solução
depende do Banco Central.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu
de Freitas, que já foi diretor de Assuntos Internacionais do BC, defende, por
exemplo, leilões de dólares como os que o BC já vem fazendo, mas direcionado
especificamente aos exportadores. Outra opção é depositar os dólares das
reservas no Banco do Brasil no exterior. Com maior suporte financeiro, o banco
abre mais linhas aos exportadores.
Fonte:
Renata Veríssimo e Lu Aiko Otta, Brasília - O Estado de São Paulo
01 de outubro de 2008
*****
Brasil
assina convênio de cooperação com União Européia
"Apoio
aos Diálogos Setoriais: Brasil-União Européia"prevê investimentos de
9,13 milhões de euros.
Brasília
- O projeto "Apoio aos Diálogos Setoriais: Brasil-União Européia",
assinado hoje (1º) no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, prevê
investimentos de 9,13 milhões de euros (cerca de R$ 24,6 milhões na cotação
de hoje) até 2013 em programas de desenvolvimento territorial, política social
e sustentabilidade ambiental.
O convênio
foi assinado pelo ministro Paulo Bernardo e por representantes da União Européia,
no início da tarde. O ministro salientou que o novo acordo coloca o Brasil na
condição de "parceiro estratégico" do bloco europeu, no mesmo nível
de relacionamento da Europa com Estados Unidos, Rússia, China, Canadá, Japão
e Índia.
O objetivo da parceria, segundo Paulo Bernardo, é promover troca de experiências
entre grupos de trabalho brasileiros e europeus voltados à igualdade de gênero,
direitos humanos e boa governança, entre outros desafios de importância
regional e global.
A fase piloto do projeto "Apoio aos Diálogos Setoriais: Brasil-União
Européia" vai absorver aproximadamente R$ 8,35 milhões até 2010, sendo
dois terços dos recursos externos e o restante de contrapartida do Ministério
do Planejamento e de ministérios parceiros,
A
relação Brasil-UE se intensificou do ano passado para cá com discussões
conjuntas sobre mudança climática, pobreza e energia, durante encontros
realizados em Lisboa, Bruxelas e Brasília, e agora começa a dar frutos com a
troca de experiências e assistência técnica especializada nos dois sentidos.
Fonte:
Portugal Digital (www.portugaldigital.com.br)
06 de outubro de 2008
*****
Reuniu-se
em Lisboa o Board de EUBrasil
Reuniu-se
em Lisboa o Board de EUBrasil, a associação européia sediada em Bruxellas que
promove as relações econômicas, institucionais e culturais entre Europa e o
Brasil.
"A
riunião da Direção de EUBrasil em Lisboa -afirma Luigi Gambardella,
Presidente de EUBrasil- teve para nós um signficado muito particular. E
foi um modo para sublinhar o papel e a importância de Portugal e do mundo
econômico português nas relações entre a Europa e o Brasil". "Estamos
comprometidos - continua
07 de outubro de 2008
*****
Brasil
pede para a OMC examinar falta de crédito para exportadores
O
Brasil decidiu acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para examinar
o impacto da crise financeira internacional e buscar alternativas à atual retração
de financiamento para os exportadores. A
iniciativa brasileira é sem precedentes e ocorre em meio à constatação de
que os grandes bancos internacionais enxugaram o crédito de curto prazo para as
exportações, apesar de os países em desenvolvimento estarem entre os melhores
pagadores.
Em documento submetido aos outros 151 países membros da OMC, o país sugere que
a entidade inicie contatos inclusive com os bancos privados, a fim de avaliar o
"real impacto do aperto de crédito sobre o financiamento ao comércio e
ver alternativas para mitigar o problema".
Também pela primeira vez, o Brasil se posiciona publicamente contra a total
implementação do Acordo de Basiléia 2, pelo qual os bancos terão de manter
mais capital em proporção do risco dos ativos. Para o Brasil, essas regras são
positivas. Só que, no atual aperto global de crédito, podem ter efeitos ainda
mais negativos no fluxo do comércio global, em vez de aumentar a estabilidade
do sistema financeiro.
"Essa crise financeira é provocada pelos países industrializados, mas tem
impacto nos países em desenvolvimento, em particular no comércio e essa
discussão precisa ser feita", afirmou o embaixador brasileiro na OMC,
Roberto Azevedo.
No documento enviado ontem aos outros países, o Brasil observa que, com a
instabilidade dos mercados financeiros desde agosto de 2007, o sistema
multilateral de comércio tem atuado como um "absorvedor de choques",
com regulamentações vagas ou insuficientes em particular nos sistemas
financeiro e monetário "afetando inequivocamente o comércio".
O Brasil procura chamar a atenção para uma situação paradoxal, já que um
estudo da própria OMC mostra que o financiamento ao comércio é um dos modos
mais seguros de crédito devido à sua curta maturidade e existência de
garantia física (os produtos), por exemplo.
Só que, com o aperto de crédito global, houve uma "retirada do
fornecimento de crédito (de curto prazo) pelos grandes bancos internacionais".
Segundo fontes, as instituições preferem emprestar, quando o fazem, para o
longo prazo, com rendimento aparentemente mais garantido.
O Brasil reclama que exportadores de países em desenvolvimento que buscam
financiamento para exportação se encontram "na estranha situação"
de estarem entre os que têm melhor capacidade creditícia, e portanto menos
riscos, mas "incapazes" de ter acesso a crédito num cenário com
percepção de alto risco. Isso provoca exigências "mais severas" por
parte dos bancos ou simplesmente a resposta de que os "fundos não são
mais disponíveis".
O Brasil quer que a OMC examine a crise de aperto de crédito na sua próxima
reunião do Grupo de Trabalho sobre comércio, Divida e Finanças, que foi
criado há anos para reforçar a coerência entre comércio internacional e
finanças e salvaguardar o sistema comercial de efeitos de instabilidade
financeira e monetária.
A delegação brasileira pede também para a entidade examinar a dimensão do
"novo ciclo de endividamento" de países em desenvolvimento,
especialmente de importadores líquidos de alimentos e de petróleo. Para o
Brasil, a OMC precisa estudar como isso terá impacto no comércio regional e
global.
Até agora, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, tem usado a crise financeira
para insistir na importância de conclusão da Rodada Doha como uma "apólice
de segurança da economia global" e para continuar a ter o papel de "absorvedor
de choques".
Fonte:
Assis Moreira, de Genebra - Valor Econômico
08 de outubro de 2008
*****
BNDES
prevê crédito normal em 3 meses
Para
Luciano Coutinho, presidente do banco, dólar reflete momento de grande tensão,
mas não se sustenta no patamar atual
Linha de financiamento para pré-embarque vai receber recursos adicionais de R$
5 bilhões para tentar suprir a escassez de crédito
Janaina Lage
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social),
Luciano Coutinho, afirmou ontem que espera a normalização do crédito para o
setor exportador em até três meses. O
banco detalhou ontem as condições da linha de financiamento para pré-embarque,
que receberá recursos adicionais de R$ 5 bilhões para tentar suprir a escassez
de crédito.
Coutinho destacou que o papel do banco no suporte às exportações é
complementar. Uma parcela expressiva do mercado é regida por adiantamentos de
contratos de câmbio (os chamados ACCs), mecanismo em que as instituições
financeiras adiantam recursos ao exportador e ele se compromete a entregar
divisas à instituição após o embarque da mercadoria.
O banco triplicou para US$ 150 milhões o limite de tomada de crédito para o
setor de bens de consumo. O teto foi definido para evitar que uma só empresa
obtenha a maior parte do montante disponível. Há também recursos para o setor
de bens de capital e fabricação de caminhões e tratores.
De janeiro a agosto deste ano, o banco desembolsou cerca de US$ 3,5 bilhões
para exportações. Segundo Coutinho, com a injeção extra de recursos, a
estimativa para os desembolsos nessa área em 2008 passa de US$ 6 bilhões para
um valor em torno de US$ 8 bilhões.
Juros maiores
Apesar da oferta maior de recursos para o setor, o banco está oferecendo empréstimos
com juros mais altos. Segundo Coutinho, é um reflexo do aumento do custo para o
"funding" do banco. De modo geral, o exportador pode optar entre
financiamentos em real, com taxa de 15% mais "spread" (diferença
entre a taxa que o banco paga para captar recursos e a que repassa ao cliente)
do agente financeiro ou uma taxa de cerca de 8% mais "spread" do
agente para operações em dólar. Na segunda opção, o tomador fica sujeito ao
risco de variação da moeda americana.
O banco manteve a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para os empréstimos de
exportações a setores de equipamentos industrias, infra-estrutura e
equipamentos aeronáuticos.
Mesmo após a forte alta do dólar ontem, que fechou cotado a R$ 2,31, Coutinho
afirmou que o câmbio não se sustenta no patamar atual.
"O câmbio atual está refletindo um momento de grande tensão no sistema
de crédito mundial. Esse momento não pode perdurar indefinidamente, senão
pode quebrar a economia mundial toda. Isso é um processo de alta tensão que em
algum momento vai se resolver. A pressão está muito forte na Europa. Até o
novo governo tomar posse nos Estados Unidos e ter capacidade de implementar uma
política mais ampla para atacar a questão da crise financeira, ainda teremos
um período de tensão financeira grande, mas não nesse patamar de gravidade",
disse.
Pedidos mantidos
Segundo Coutinho, os pedidos de financiamento no banco ainda não foram afetados
pela crise. Segundo Coutinho, é necessário ainda avaliar a eficácia das
medidas anunciadas pelo Banco Central na segunda-feira para evitar um processo
de contaminação da economia.
Coutinho ressalta ainda que é preciso considerar os efeitos de uma recessão
nos países desenvolvidos, a intensidade dela e as conseqüências para o comércio
internacional.
"O que parece hoje bastante realista é que, dada a gravidade da crise nos
países desenvolvidos, a recuperação do sistema bancário financeiro nas
economias desenvolvidas tenderá a ser um processo lento", disse.
Fonte:
Janaina Lage - Folha de São Paulo
08 de outubro de 2008
*****
Lula
vai receber homenagem
No
próximo dia 13, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai à Espanha para
receber o Prêmio Don Quijote de la Mancha pela implementação da Lei do
Espanhol - que torna obrigatório o ensino do idioma a estudantes de ensino médio
de colégios públicos e particulares. A
legislação foi sancionada em 2005, com o prazo máximo de cinco anos para as
escolas se adaptarem às novas normas, e será um dos temas da visita de Lula a
Toledo e Madri. O Instituto Cervantes, instituição oficial de difusão da língua
e cultura espanholas, anunciou que diminuirá os investimentos para 2009 em 26%
em relação ao ano passado, disponibilizando 9,3 milhões de euros. O Brasil é
o país que concentra mais filiais do instituto, nove ao todo.
Fonte:
Correio Braziliense
08 de outubro de 2008
*****
Investimentos
no Brasil devem diminuir
Volatilidade
do câmbio faz empresas portuguesas suspenderem projetos de expansão no país
O rápido agravamento da crise externa traz incertezas sobre a perspectiva de
fluxo de investimentos diretos da Europa para o Brasil. Se
até então estava claro que os diversos projetos nacionais conseguiriam atrair
o capital estrangeiro sem maiores dificuldades, agora prevalece um sentimento de
indefinição. A preocupação não está centrada especificamente na qualidade
dos projetos e negócios brasileiros, mas sim na capacidade de financiamento das
empresas européias, abatidas diretamente pelo atual momento de turbulência. Do
lado nacional, o comportamento do real e das commodities será o principal ponto
de análise para os potenciais interessados em entrar no país.
Para especialistas, as decisões também passarão pela escolha do momento mais
adequado e por uma diferenciação setorial, já que alguns segmentos se mostrarão
mais atrativos. As multinacionais com recursos em caixa ganham vantagem neste
momento. "Queremos investir no Brasil, mas estamos em um impasse",
afirmou um executivo de um private equity europeu que acaba de montar estrutura
para entrar no país. "O momento é de avaliar a gravidade e intensidade da
crise."
Segundo o executivo, que preferiu não se identificar, o grande X da questão é
o câmbio, pois os recursos para os aportes já foram levantados antes da explosão
da crise. Se o processo de desvalorização da moeda nacional já tiver chegado
ao fim, esta é a hora de entrar. Mas, se o real sofrer nova depreciação, o
investidor vai perder dinheiro. No ano passado, o Brasil recebeu a cifra recorde
de US$ 34,6 bilhões em investimento externo direto (IED), superando inclusive a
era das privatizações. Foi o volume mais alto da América Latina e o quarto
maior entre os emergentes, atrás somente de China, Hong Kong e Rússia.
Indefinição
Em uma pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), antes da
piora da crise nas últimas semanas, o país apareceu em quinto lugar como
destino preferido dos investimentos até 2010. Enquanto os ativos financeiros são
afetados diretamente pela atual turbulência e desalavancagem global, agora os
últimos desdobramentos trazem indefinições para os aportes diretos, que têm
como horizonte o longo prazo. Os maiores investidores do mundo são os Estados
Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, países que podem entrar em
recessão neste ano. O colapso de instituições financeiras nos EUA e na Europa
provocou um choque de liquidez forte, reduzindo a quantidade de dinheiro em
circulação pelo mundo e encarecendo o crédito.
O efeito já começa a ser sentido nas empresas. Recentemente, a Energias do
Brasil, subsidiária da Energias de Portugal, desistiu do projeto de térmica a
carvão Pecém II e atribuiu a decisão à crise e à volatilidade do câmbio. A
Companhia de Concessões Rodoviárias, que tem como parceira a portuguesa Brisa,
informou que será menos agressiva nos próximos leilões de estradas. "Eu
acredito que haverá impacto sobre o investimento direto no Brasil", disse
a diretora regional para a América Latina da The Economist Intelligence Unit (EIU),
Justine Thody. "O custo dos financiamentos será uma questão importante
para os grandes projetos."
Apesar disso, o chefe da divisão de América Latina da consultoria Exclusive
Analysis, Carlos Caicedo, acredita que as perspectivas de longo prazo para os
investimentos diretos no Brasil continuam positivas. Ele afirmou que o sistema
financeiro nacional é sólido e o governo conta com o BNDES para oferecer
linhas de crédito caso os outros empréstimos sequem. Para o professor da
London School of Economics and Political Science Andrés Rodríguez-Pose a América
Latina pode sofrer com falta de crédito.
Fonte:
Correio Braziliense
08 de outubro de 2008
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Brasil
avança em índice de competitividade
O
Brasil recuperou oito posições no ranking geral do Relatório Global de
Competitividade (GCR) do World Economic Forum (WEF) 2008/2009, mesmo sem
promover reformas estruturais que acelerassem seu crescimento. Suportado
por pequenos ganhos marginais nos diversos itens avaliados e pela combinação
de mercado interno em expansão, setor produtivo sofisticado e sistema
financeiro sólido, o País saiu do 72º para 64º entre os 134 países
analisados.
Segundo o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, "não há
nenhum dos pilares avaliados em que o Brasil tenha dado um pequeno salto".
De acordo com Arruda, "essa soma de migalhas fez com que o País ganhasse
oito posições". O estudo avalia 12 pilares básicos de competitividade
referentes a transparência das instituições, estabilidade econômica, mercado
de trabalho e inovação, entre outros itensO desempenho positivo relativo a
sofisticação empresarial e inovação se contrapõe às avaliações negativas
quanto à macroeconomia, transparência das instituições, saúde e infra-estrutura.
Esta ambivalência mostra que o Brasil repete o comportamento "imprevisível"
registrado nas pesquisas anteriores. As dimensões do mercado brasileiro, a
presença de empresas multinacionais que ajudaram a tornar o ambiente de negócios
e tecnológico mais sofisticado e a inserção do País na cadeia produtiva
internacional ajudaram a desenvolver a estrutura empresarial local, comenta
Arruda. A influência da iniciativa privada na economia levou o País para a 35ª
posição em sofisticação empresarial e ao 43 posto em inovação. Várias
empresas brasileiras como Cia. Vale do Rio Doce (Vale) e Petrobras, usaram esta
plataforma para alcançar um novo patamar, afirma Arruda.
O Brasil recuperou posições na avaliação das instituições do País e ficou
em 91º lugar no ranking. Esta evolução foi atribuída principalmente ao
comportamento do setor privado. As instituições públicas ainda são vistas
como instáveis em relação a ética e eficiência. O estudo registrou reação
em relação a estabilidade macroeconômica e deixou o País na 122 posição,
distante ainda do 114 lugar de 2006. Fatores como a dívida pública elevada,
baixa poupança interna e taxas de juros elevadas ainda pesam na avaliação do
mercado.
De acordo com Arruda, o processo de transformação da economia brasileira é
lento e o País permanece atrasado na solução de problemas de baixa
complexidade como infra-estrutura, educação e saúde ."As reformas do
sistema tributário e trabalhista não aconteceram", comenta o professor da
Fundação Dom Cabral.
A economia brasileira foi impulsionada por pequenos ganhos de confiança e de
absorção de tecnologia. "O País como um todo ganhou de 2007 a 2008 um
espírito mais positivo. O governo mostrou que está na direção adequada mas não
tem ritmo para fazer a transformação", afirma. Estes avanços mostram
ainda que existe uma difusão de ganhos nos vários itens analisados. Esta
disseminação pode indicar que o País está "na direção favorável para
criar condições de crescimento sustentável".
Fonte:
Jaime Soares de Assis - Gazeta
Mercantil
08 de outubro de 2008
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Previsão
de PIB do Brasil cai, mas ultrapassa média da AL
Se confirmadas, as previsões do FMI para o crescimento da economia brasileira
colocarão o país à frente da média dos países latino-americanos pela
primeira vez em vários anos.
O Fundo projeta um crescimento de 5,2% do PIB neste ano e de 3,5% em 2009. Em
relação à previsão feita em abril, houve corte de 0,5 ponto para o ano que
vem. Para a América Latina, a média prevista de crescimento é de 4,6% em 2008
e 3,2% em 2009. As reduções decorrem da crise financeira.
O FMI afirma que os emergentes devem sofrer com a queda nas exportações (derivada
de uma demanda mundial menor por commodities e manufaturados) e, mais importante,
com pressões para usar reservas para defender suas moedas.
Ontem, pela primeira vez em mais de cinco anos, o Banco Central brasileiro
realizou um leilão de venda de reservas para tentar trazer o dólar para baixo
do pico do dia, de R$ 2,48.
Charles Collyns, economista-chefe-adjunto e especialista em Brasil no FMI,
afirmou que a pressão sobre o dólar deriva do "aperto do mercado
internacional de crédito".
"Eu creio que isso explica o motivo de a taxa de câmbio no Brasil estar tão
pressionada. O Brasil também é um grande exportador de commodities, e está
sofrendo queda na receita (em dólares) por esse lado."
Pela primeira vez em vários anos, o Brasil passou a ter em 2008 déficit em dólares
nas suas transações com o resto do mundo e necessita do equivalente a cerca de
1,5% do seu PIB em recursos de fora para se financiar. Com o aperto
internacional, a expectativa de alguns analistas é que o financiamento fique
cada vez mais difícil, daí a tendência de alta da cotação da moeda
americana.
Collyns afirmou também que a pressão cambial poderá ter impactos iniciais
sobre a inflação -já que produtos importados ficarão mais caros.
A contrapartida a esse cenário, disse, é que a atividade econômica tende a se
desacelerar. O país precisará importar menos, e o consumo poderá ser atendido
por uma folga maior nos limites de produção das empresas locais.
Para Collyns, se esse cenário prevalecer e o dólar refluir, o Brasil terá
condições até de baixar os juros para estimular sua economia.
Sem citar especificamente o Brasil, mas falando dos emergentes em geral, o
economista do FMI Jörg Decressin disse que em certos momentos os países serão
obrigados a usar suas reservas para conter a valorização do dólar.
"Um grande número de emergentes acumulou enormes quantidades de reservas,
e fizeram isso com o propósito de afastar choques vindos dos mercados nos
tempos difíceis. E é exatamente isso (usar as reservas) que esses países
devem fazer quando for necessário", afirmou Decressin.
Entre
os grandes emergentes, a China seguirá como o mais ativo, com crescimento
previsto de 9,7% neste ano e de 9,3% no próximo -contra 11,9% em 2007.
Fonte:
Fernando
Canzian - Folha de São Paulo
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Brasil não precisa de 'medidas drásticas', diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira não acreditar que a crise dos mercados financeiros possa atingir a economia brasileira a ponto de exigir atitudes radicais.
"Não existe nada que leve a gente a acreditar que o Brasil deva tomar medidas drásticas. Não existe nada nesse sentido", disse o presidente em Toledo, na Espanha, onde recebeu o prêmio Dom Quixote, entregue pelo rei Juan Carlos.
Lula criticou a "economia especulatória" e disse que "a crise nasceu nos países ricos e quem está mais tranqüilo neste momento são os países emergentes".
O presidente afirmou que o governo brasileiro não tem intenção de bloquear ou adiar nenhum dos projetos de infra-estrutura em razão da crise e da ameaça de que o vendaval financeiro alcance a economia nacional.
"Não vamos paralisar nenhuma das obras de infra-estrutura no Brasil. Não vamos mexer em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para ferrovías, refinarias, o trem-bala... Não podemos trabalhar com boatos e menos com palpites", disse o presidente.
"O Brasil vai continuar exportando, nossa economia vai continuar crescendo e a crise pode chegar a qualquer país do mundo, sim, mas, se chegar ao Brasil, vamos trabalhar com muito carinho para que, se for assim, essa crise não cause transtorno", acrescentou.
Setor agrícola
De acordo com o presidente, apesar de não sentir a ameaça da crise, o Brasil está preparado para momentos difíceis, principalmente no setor agrícola.
Lula disse estar consciente de que não é possível pensar em superávit comercial nos próximos semestres. Afirmou, porém, que, em comparação com outras economias, como as européias, ninguém no Brasil deveria temer falta de alimentos ou aumento abusivo de preços.
"Temos que estar preparados para tudo, mas não temos o que temer, e o Brasil pode até dar uma contribuição", disse o presidente.
"Imagine se os Estados Unidos ou a Europa retiram suas tarifas alfandegárias nessa crise? Podemos até ficar mais competitivos."
Lula defendeu as medidas de ajuda aos bancos como as que têm sido tomadas por governos europeus (compra de ações para evitar quebras e proteger a poupança dos correntistas) e disse que o Banco Central está preparado para situações de emergência.
O presidente disse também que o Banco Central deveria criar "uma dessas empresas que medem o risco Brasil".
"Eu até agora não vi nenhuma dessas agências aumentar o risco dos Estados Unidos, mas sim analisar o risco Brasil", afirmou.
Fonte: Anelise Infante - BBC BRASIL
13 de outubro de 2008
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Lula
quer discutir novas regras para o mercado
O presidente Luis Inácio Lula da Silva quer começar a tratar com os líderes
europeus o "day after" do tombo das bolsas de valor em todo o mundo.
Hoje, o tema entrará nos debates no encontro de Lula com o primeiro-ministro da
Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, em Toledo. A partir das decisões da
Europa e Estados Unidos nos últimos dias de dar garantias a seus mercados e
bancos, o Palácio do Planalto estima que está na hora de começar a debater de
que forma as regras financeiras serão redesenhadas e como um novo sistema
multilateral poderá ser estabelecido. A percepção é de que o G7 (grupo dos
sete países mais ricos do mundo) não dará mais conta de responder à crise.
Ontem, Lula chegou a Madri e hoje viaja até Toledo para receber um prêmio pela
introdução do espanhol nas escolas públicas. Seus assessores garantem que o
presidente continua otimista com a capacidade do Brasil de enfrentar a crise.
Mas está cada vez mais claro para o Palácio que um impacto da turbulência será
sentido no Brasil. Poucos minutos depois de chegar, telefonou ao ministro da
Fazenda, Guido Mantega,que está nos Estados Unidos. Lula quis saber detalhes
das reuniões de ontem em Washington.
Segundo o assessor especial de Relações Exteriores da presidência, Marco Aurélio
Garcia, no sábado começou a ser organizada nos bastidores uma reunião de cúpula
entre o G7 e cinco mercados emergentes - Brasil, China, Índia, México e África
do Sul. Garcia esclareceu que ainda não há uma data para a reunião, mas há
um consenso de que ela deve ocorrer.
Na avaliação do governo, as novas regras financeiras terão de ser
redesenhadas com a participação dos países emergentes, o que incluiria uma
nova estrutura de organização do sistema. Na prática, trata-se do fim do G7
como única esfera de tomada de decisões. Na nova estrutura, a esperança é de
que os emergentes tenham um peso maior na elaboração da regras.
Lula ainda confirmou que vai convocar uma reunião dos presidentes do Mercosul
para coordenar ações em relação à crise. Na Espanha, Lula e Zapatero vão
debater como a crise se traduziria para a economia real. Um dos pontos da agenda
será a situação dos imigrantes brasileiros no país.
Fonte:
Jamil Chade, Madri - O Estado de São Paulo
13 de outubro de 2008
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(Fonte: BBC - Brasil)
Brasília, 14/10/2008 - O Brasil foi um
dos dez países no mundo que viram mais progressos em um indicador que mede o
desempenho no combate à fome, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira
por organizações não-governamentais.
Entre 1990 e 2008, o chamado Índice Global da Fome (ou GHI, na sigla em inglês)
brasileiro se reduziu quase à metade - 45,6%% exatamente -, fazendo o país
deixar o grupo de nações com problemas alimentares "graves" para
figurar entre aquelas onde esse problema é considerado "baixo".
Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas sobre Políticas
Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês) em parceria com as organizações
German Agro-Action e Concern Worldwide.
O GHI de 2008, calculado para mais de 120 países (não para os
industrializados), levou em consideração o número de pessoas com deficiência
alimentar entre 2002 e 2004, a taxa de mortalidade infantil de 2006 e a
desnutrição infantil para o ano mais recente entre 2001 e 2006.
No mundo, sem contar as imensas diferenças regionais, o índice da fome caiu
a uma proporção de 20%% entre 1998 e 2008.
Desnutrição infantil Segundo o IFPRI, a melhora no mundo "foi motivada
em grande medida pelo progresso na nutrição infantil".
"A proporção de crianças abaixo do peso foi o indicador que mais
declinou - em 5,9 pontos percentuais - enquanto a mortalidade de crianças
abaixo de cinco anos e a proporção de desnutridos também tiveram
melhora." Entretanto, a organização afirmou que o problema da fome no
mundo "permanece sério", especialmente em países africanos onde
conflitos civis exacerbam a crise alimentar.
"As médias globais escondem diferenças dramáticas entre regiões e países",
disse a instituição. Enquanto o GHI caiu 40%% na América Latina e 30%% no
Sudeste Asiático em 20 anos, a queda foi de apenas 11%% na África
subsaariana no mesmo período.
Além disso, o instituto lembrou que a redução nos indicadores ocorreu em um
ambiente de queda gradual do preço dos alimentos. "Entre 1974 e 2005, os
preços de alimentos declinaram 75%%, segundo o Fundo Monetário
Internacional", disse o relatório.
Agora, o combate à fome terá de superar o desafio do aumento do preço dos
alimentos, o que por sua dependerá de decisões futuras em relação aos
biocombustíveis, mudança climática e investimentos agrícolas.
Mapa da fome Em relação ao Brasil, o IFPRI já havia observado uma redução
significativa nos índices de fome a partir da década de 1990.
Em uma escala de zero a cem (zero sendo o melhor resultado), o país tinha um
GHI de 10,43 em 1981, figurando entre os países com "graves"
problemas no campo alimentar.
Durante a "década perdida", como economistas chamam os turbulentos
anos 1980, o índice se reduziu, mas ainda chegava a 8,33 em 1990.
Caiu para 5,43 em 2003 e 4,60 em 2004, ano a partir do qual o Brasil passou a
ser classificado como país com problemas alimentares "baixos".
A redução coloca o Brasil como o nono melhor desempenho entre os dez países
que viram seu índice cair nas duas últimas décadas.
A lista é liderada pelo Kuwait (-72,4%%), que viu uma grande redução no GHI
em função dos "níveis extraordinários" de fome na década de
1990, quando foi invadido pelo vizinho Iraque.
O relatório elogiou as políticas do Peru, o segundo da lista, que em 20 anos
saiu de um GHI de 19,5 pontos para 5,6 pontos. O México (redução de 50,8%%
no GHI) figurou no 5º lugar. O desempenho brasileiro foi semelhante ao do
Vietnã (queda de 47,2%% no índice), cujas políticas de redução da pobreza
são apontadas como exemplo, e da Tailândia (-45,9%%).
Entretanto, ambos os países do Sudeste Asiático continuam entre as nações
com problemas alimentares "graves" - o GHI do Vietnã é de 12,6
pontos e o da Tailândia, 9,9 pontos.
Os piores índices estão na República Democrática do Congo (GHI de 42,7
pontos, 67%% acima do de 1990), Eritréia (GHI de 39 pontos) e Burundi (GHI
38,3 pontos, ou 17,4%% acima de 1990).
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